Saiba por que a escola te preparou para o fracasso

17/06/2015

Já notou semelhanças do sistema educacional com a produção numa fábrica? Não é por acaso que temos “séries escolares”, assim como temos produção em série. Assim como um operário se especializa em apertar parafuso e faz isso ao longo do dia inteiro, o professor entra em sala de aula, repete o que tem que ser “ensinado” aos alunos e, após o sinal, muda de sala e repete tudo para a turma seguinte.

O atual sistema educacional segue modelo criado à época da revolução industrial, e a seu exemplo. Antes disso, não existia escola como temos hoje. Esse sistema foi criado para preparar os alunos para trabalhar na indústria, que gerava a mair parte da riqueza no mundo. Daí a necessidade de se criar um sistema universal de ensino que pudesse suprir as demandas da indústria e preparar as pessoas para “aquele futuro”. Bastante razoável, não?

E nos dias de hoje, onde está sendo gerada a riqueza? O sistema educacional deve preparar os alunos para uma economia baseada na indústria, como há mais de um século? Apesar de sermos completamente dependentes de recursos naturais e dos produtos industrializados, não é mais aí que a riqueza no mundo é gerada. Meu computador e até a mesa sobre a qual ele repousa foram fabricadas na China. Hoje, quase tudo que temos em casa, de móveis a equipamentos eletrônicos foram produzidos na ásia. Quase tudo pode ser copiado e reproduzido de forma rápida e barata. Isso indica que o processo de fabricação das “coisas” gera pouca riqueza.

Então, afinal, onde a riqueza é produzida hoje? Para que futuro o nosso sistema educacional deve estar orientado? Dou uma dica: pesquise as empresas mais valiosas no mundo. Veja onde estão os salários mais altos do mercado. Seja lá a resposta que você encontre no Google, ela pode ser resumida em uma palavra: inovação.

Vivemos hoje numa economia baseada na inovação. Não se atenha somente à tecnologia da informação, computadores, informática etc. A inovação está presente em tudo, inclusive nos modernos processos da produção agrícola e da indústria.

Nossas escolas estão preparando nossas crianças para uma economia baseada na inovação? Suponho que saiba a resposta. Somos todos frutos de um sistema educacional secular e obsoleto, que pouco se desenvolveu desde seus primórdios. Não é estranho? Vivemos em plena economia da inovação, mas nosso sistema educacional está formando adultos para o mundo de 100 anos atrás.

Para entrar numa universidade, ápice de nossa educação formal, é necessário que o aluno prove seu conhecimento em toda uma gama de assuntos que pouco lhe servirá no futuro. Numa economia da inovação, contudo, ninguém se destaca sendo um generalista. Para adicionar valor ao mundo, é preciso ser bom em algo novo, que ninguém ainda explorou. Se é algo novo, que ninguém criou, estamos falando de CRIATIVIDADE.

Peter Thiel, fundador do Pay Pal, e um tipo visionário, afirma em seu livro “De Zero a Um” que

“No ensino fundamental, somos encorajados a começar a acumular ‘atividades extracurriculares’. No ensino médio, alunos ambiciosos competem ainda mais para parecer onicompetentes. No momento em que o estudante chega à faculdade, passou uma década montando um currículo espantosamente diversificado, preparando-se para um futuro completamente incognoscível. Venha o que vier, ele está pronto – para nada em particular.”

Thiel também indica o que deveria ser feito:

“[…] em vez de perseguir a mediocridade multifacetada e dizer que tem uma formação abrangente, uma pessoa determinada decide o que é melhor fazer e depois faz. Em vez de se esforçar para se tornar indistinguível, procura ser grande em algo substantivo.”

Cada indivíduo tem habilidades únicas e nós, como sociedade, precisamos de um sistema educacional em que as potencialidades individuais sejam lapidadas de forma singular, e não asfixiadas como ocorre hoje. Dessa forma, estaremos habilitando nossos jovens a se inserirem num mundo futuro como protagonistas e não como coadjuvantes. Precisamos de uma revolução na educação. É preciso sair da zona de conforto, quebrar paradigmas, investir na criatividade e na inovação. Do contrário, avançaremos ao futuro com os olhos fixos no retrovisor. Corremos o risco de bater de frente com a realidade.

Bruno

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8 Comments

  • Reply Rafael Lübeck 23/02/2017 at 15:34

    Boa tarde. Concordo em parte porque o sistema educacional brasileiro é falido devido a questões estruturais e , principalmente, pela educação que os jovens recebem em casa. Sou prof. de administração e vejo na realidade algo mais grave que é a falta de limites dos jovens desde meados da década de 1970, pois pais e mães estão trabalhando o dia todo e distantes dos seus filhos para ensinar-lhes respeito, dedicação, etc. Certos psicólogos contribuíram nesse processo com o “coitadismo” – como se uma palmada ou castigo (dentro dos limites) não auxiliassem na educação em casa. Os jovens chegam na escola e não estudam, aprontam e não são repreendidos pelos pais – a culpa é do professor e da escola. Afinal, escola tem obrigação de ensinar limites? Não, na escola se amplia o conhecimento e é inviável substituir os pais. Se empurrou o problema para a escola devido ao contexto maluco desse modelo de desenvolvimento e cultural norteamericano no qual o único valor está em TER – a qualquer custo. O materialismo torna os jovens ávidos por bens materiais para ostentá-los e pouco reflexivos sobre a vida – ter ficou mais importante do que ser. Aliás em sua fala percebi certo tecnicismo, que é importante, mas a formação humana, social e conhecimentos gerais também o são. Ensino fundamental e médio aí estão para dar uma formação genérica e, posteriormente, o jovem escolhe sua formação técnica (cursos técnicos ou ensino superior, cursos livres, etc). O mais grave é a fábrica de diplomas que viraram as universidades, pagou? passou no vestibular? tá aqui seu diploma!. Ora, se o sujeito tem uma formação de base ruim, não conhece limites e respeito, não tem consciência social e se forma em cursos fracos nos quais exigir do aluno é crime federal, lhe pergunto: Onde está o problema afinal? Para mim é uma conjunção de coisas que começam em casa e desembocam no convívio social e o problema que gera essas consequências não é atacado: é necessário reeducar os pais primeiramente. Na universidade o professor virou um agente de entretenimento porque os alunos não podem ser cobrados. Ler? Não pode, é pecado mortal. O que importa é o mercado, ou seja, aluno é cliente e cliente precisa estar satisfeito, mesmo que não aprenda bulhufas. Já ouvi reclamações similares de colegas de áreas como engenharia, medicina, arquitetura, TI, etc. Então retorno a pergunta: Onde está o problema mesmo? Lembre-se caro Bruno, é uma troca de ideias e em nenhum momento pretendi ofendê-lo, apenas contestá-lo em parte. Obrigado pelos teus textos. Aquele sobre coisas que aprendeste morando no Uruguay são ímpares. Abraços!!

  • Reply Engenheiro que se mudou para Montevidéu “em busca de uma vida mais plena” revela as 7 lições sobre o Brasil que aprendeu vivendo no Uruguai | Desacato 11/04/2016 at 09:35

    […] Já escrevi como o sistema educacional brasileiro mina o futuro de nossos jovens. […]

  • Reply A última pessoa a perceber o seu sucesso: você - Vida Borbulhante 30/03/2016 at 10:18

    […] Saiba por que a escola te preparou para o fracasso […]

  • Reply O que aprendi sobre o Brasil vivendo no Uruguai 29/03/2016 at 18:15

    […] Já escrevi como o sistema educacional brasileiro mina o futuro de nossos jovens. […]

  • Reply Portal "O LÁBARO" – 7 LIÇÕES SOBRE O BRASIL, QUE APRENDI VIVENDO NO URUGUAI 19/02/2016 at 08:54

    […] escrevi como o sistema educacional brasileiro mina o futuro de nossos jovens. A educação pública no Uruguai não é livre de críticas e não está nos seus melhores dias. […]

  • Reply Henrique 20/06/2015 at 07:00

    As vezes acho que nascemos por nascer, vivemos por viver e morremos por morrer. Onde nada faz sentido, onde a vida começa a vida termina, do pó nascemos e para o pó voltaremos. Vejo muitas vezes formula 1 e penso, “porque essas pessoas estão correndo e do que?”
    Na nossa vida tudo se baseia em valores ou desvalores. Uns dão valores a dinheiro, outros a família, outros as vezes dão valores a status e uns, creiam que estão certos, dão valor aos valores.
    O mundo capitalista não busca inovação e sim dinheiro. Para o mundo atual o jeito mais rápido, a via expressa para o sucesso econômico é inventando novos apetrechos. Num mundo onde se prega dinheiro como sinônimo de felicidade só teremos tristeza. Num mundo onde se prega inovação, só se gera agonia e pânico nos inseridos desse caos. Para o capitalismo nada mais tem valor, a não ser o que “não tem valor”, o dinheiro e status. Para piorar a situação sincronizar a escola com esse pensamento capitalista seria o verdadeiro caos, pois formaríamos pessoas angustiadas, agoniadas e incessantemente preocupadas com um futuro nunca atingido, pois sempre buscariam inovar e nunca descansariam no que são ou no que gostam.
    Imaginemos o fruto da família Maciel, o galã Martin, inserido no mundo acelerado, onde o inovador é o protagonista, o utópico e a ambição de todos. Martin seria um cara tranquilo, onde poderia descansar no que é ou seria mais um oprimido do sistema para ser um inovador. O problema de ser inovador ou de se buscar inovar é que você nunca está contente com o que tem ou o que é. Uns diriam que esse modo de pensar é preguiçoso e viriam com N invenções que ajudaram as pessoas em vários problemas. Mas prefiro uma alma tranquila diariamente, contente com o que tem, do que uma alma atordoada sempre buscando inovações.
    Volto a pergunta inicial, “porque essas pessoas estão correndo e do que?”. Que possamos dar descanso para nossa alma com o contentamento diário e que possamos agradecer a Deus pelo prazer do alimento, do afeto, da comunhão com os outros, da moradia e principalmente do AMOR, pois neste ultimo, não existe inovação, só doação.
    Saudações da terra dos cangurus. Estou sempre acompanhando os posts e o site, parabens.

    • Reply admin 22/06/2015 at 13:40

      Oi Henrique, custei a perceber quem havia escrito. Linda mensagem mais uma vez. Parece que sua passagem pela Austrália está lhe transformando. Mais ou menos o que imaginávamos que ia acontecer quando sugerimos essa aventura. Queria fazer apenas um breve comentário. Sabe aqueles corredores de Formula 1? Eles correm atrás de suas paixões. Esses são os mais felizes, por mais que a gente não entenda… Nossas paixões são nossos maiores patrimônios. Assim me ensinou meu pai. É verdade. Quem conhece suas paixões, sabe o que quer, sabe o que buscar. O problema de muita gente (gente demais talvez) é que não sabem quais são suas paixões. E a vida sem paixões é muito sem graça.
      Forte abraço, cara. Te desejo tudo de bom.
      Bruno

  • Reply Prof. Gilmar 18/06/2015 at 09:22

    Sucesso
    “ Rir muito e com freqüência, ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciar a beleza, encontrar o melhor nos outros; deixar o mundo um pouco melhor, seja por uma saudável criança, um canteiro de jardim, ou uma redimida condição social.

    Saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu. Isso é ter tido sucesso. ” Ralph Waldo Emerson

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