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Nem tudo é borbulhante nessa vida

Como sobrevivi a uma “pequena morte”

15/06/2016

Quando a gente fala em um ano sabático ou em ficar sem trabalhar por um tempo, bate certo medo. A questão de sair do mercado de trabalho e não conseguir voltar é algo que aterroriza muita gente. O receio de perder o lugar, de comprovar que você é descartável, gera, no mínimo, um desconforto emocional. Eu percebo, também, que sentimentos similares circundam pessoas que estão prestes a se aposentar. Casualmente, nos últimos tempos, conversei com duas pessoas que vão se aposentar daqui a dois anos, e foi bastante interessante. Ambas mulheres, inteligentes e que tiveram uma vida bastante atribulada, cheia de compromissos, cuidando de filhos, trabalhando mais de oito horas por dia. Ambas estavam desconformes com a chegada da aposentadoria.

Na realidade, a conversa surgiu depois que comentei como era difícil trabalhar integralmente em casa. A falta de contato social mais intenso no cotidiano e a necessidade de administrar meu tempo, meu espaço, juntamente com minha vida pessoal, são, atualmente, desafios grandes para mim. Até esta experiência no Uruguai, eu não tinha tido um período de “calmaria” como adulta. A partir do momento em que entrei na faculdade, passava o dia fora de casa, trabalhando e estudando. Depois da faculdade, em meus empregos, sempre tive demandas mil, viagens a trabalho… O dia passava voando e os finais de semana eram repletos de coisas que precisava fazer, pois não tinha tido tempo durante a semana. Quem se identifica aí, levanta a mão!

A conversa que mais me marcou foi com uma senhora que conheci em um almoço na casa de amigos. Ela é estrangeira, diretora de um colégio renomado e quando me ouviu falar de minhas dificuldades de trabalhar em casa, comentou: “Hum, eu nem imagino como vai ser para mim quando eu me aposentar. Passar de um cotidiano cheio de atividades e em contato com pais, alunos…de repente…nada disso existirá mais”. Uma pessoa que ouviu esse desabafo em seguida lançou o maior clichê de todos: “Ah, mas você terá tempo para fazer tudo que sempre sonhou e que não podia”. A resposta dela foi tácita: “Mas, eu sempre fiz o que queria, não deixei tantas coisas para trás!”. E agora?

Domingo passado, vivenciei uma situação similar, só que desta vez com uma prima. Durante um almoço, ela fez um desabafo similar. Ela está cansada de trabalhar aos finais de semana, de ficar batendo ponto, negociando férias! Mas já pensou ficar sem ter trabalho? Sem sair de casa por obrigação, sem ver gente, sem interagir intensamente, sem compartilhar conhecimentos? Sem ser referência para alguém em nível profissional? De alguma forma eu pude ver nela o medo pelo que estava por vir. Era uma “pequena morte” que se aproximava.

Engana-se quem acha que somente vivencia-se isso às vésperas de uma aposentadoria. Está certo que, a partir de certa idade, o mercado de trabalho é bastante exigente com faixas etárias e em algumas realidades ser mais velho significa ser desnecessário e ultrapassado. São poucas as realidades que, hoje, encaram os mais velhos como pessoas mais sábias, vividas e fundamentais para a evolução da sociedade e a construção de novas gerações. Portanto, estou longe de menosprezar as dificuldades que envolvem esse momento na vida das pessoas. No entanto, consigo visualizar uma interface de conexão entre a aposentadoria e minha opção por trabalhar em casa: nas duas, você é confrontado por si mesmo. Nas duas você precisa lidar consigo sem tanto “bombardeio” externo. Em ambas surge a urgência em se redescobrir.  

Quando eu optei por sair de um emprego formal, por mais que fosse uma decisão acertada no momento, fiquei apreensiva. O medo do desconhecido, do “isolamento” social. Eu estava me afastando de um padrão de trabalho e de vida que a maioria tem e que a maioria valida como “é a vida”, “é assim, precisa aceitar”. Inclusive, na época, cheguei a escrever um post falando sobre isso, pois algumas pessoas chegaram a me falar que eu estava sendo adolescente (imatura). Até hoje eu não entendo como alguém pode pensar que tomar essa atitude de vida possa ser algo imaturo, mas, enfim…não vem ao caso.  E  um ano e sete meses depois sabem o que eu descobri? Que aquela vida atribulada, cheia de horários, compromissos, sem espaços para vivenciar minhas reais necessidades estava me dominando, me doutrinando. Eu era uma executora de tarefas e achava que tinha algum tipo de controle. Era como se eu estivesse vivendo em um constante ruído. E somente hoje, depois de um ano e sete meses, é que eu percebo que esse ruído saiu de mim. Hoje eu consigo perceber o que sou e quem sou fora de um sistema que me mudava, que me afetava e me tornava alguém pior, mais estressado e menos feliz.  Sabe aquela sensação de acordar mal humorado mas não saber exatamente por que? Ficar irritado no trânsito. Brigar com um atendente no supermercado. Dar margens a picuinhas no dia-a-dia do trabalho. Sair correndo para almoçar. Sair voando para poder buscar o filho na escola. Tudo isso se foi. Hoje eu sou só eu, vivenciando minha vida sem a sobrecarga das coisas e dos outros, e consigo me perceber e perceber meu entorno com muito mais clareza, pela primeira vez na minha vida.

Se eu tenho saudades de conviver com meus colegas? Sim! Bastante, mais ainda por que éramos um grupo de trabalho sensacional. Mas, se eu me arrependo de ter feito essa opção? Não!  Com certeza e facilmente, se eu não tivesse pisado no freio, eu teria passado minha vida inteira nessa barulheira e só perceberia quando a minha aposentadoria chegasse. E aí, nessa hora, provavelmente viveria os mesmos dilemas das mulheres que mencionei. Me depararia com um vazio, com um “e agora?” enorme. E com a ilusão de que finalmente poderia me dedicar a tudo aquilo que não tive tempo.

Existem grandes chances que um dia eu volte a ter uma vida mais “normal” por opção. Afinal, quero ter novos desafios e voltar a ter um convívio mais intenso com pessoas, com um ambiente de trabalho, etc. Mas, uma coisa eu tenho certeza, não voltarei da mesma forma como eu saí. Algo mudou, uma consciência maior se estabeleceu. E de alguma forma, eu perdi o medo de perder meu lugar em um trabalho, eu perdi o medo de ficar fora do sistema, dessa vida que “precisa” ser vivida com ruído. Aos 35 anos acho que posso dizer que vivenciei essa “pequena morte” e percebi o quanto de vida existe em mim!

Abraço

Melissa

O pior erro que você pode cometer nos seus projetos de vida

27/04/2016

Pronto, nada de dúvidas cruéis. Dilemas existenciais. Conflitos filosóficos. Você finalmente tomou a decisão de mudar de vida. Chegar até aqui já foi um grande desafio. Tomar a coragem de dar o passo rumo a uma nova vida foi um processo e tanto. Você está de parabéns! O problema é que inúmeras pessoas chegam a esta etapa justamente por meio de uma atitude, que mais adiante, coloca tudo a perder. Veja bem, neste momento, elas não têm consciência que estão colocando tudo a perder. O anseio, a energia, a vibração pelo novo está no auge. Vão mudar de vida! Sua meta é ser mais feliz!

Depois de sofrer anos com a balança, finalmente, Joana decide iniciar uma dieta definitiva. Chega de viver incomodada com o peso! Ela vai emagrecer e sua meta é perder 10 quilos. Para isso, ela vai fazer exercícios todos os dias, seguir uma dieta regradíssima, recusar doces, frituras. Ao tomar essa decisão ela sente que está radiante. Consegue imaginar-se magra! Consegue imaginar-se tendo sucesso. Mas, ela está cometendo o mesmo erro crucial!

Ricardo depois de muito tempo sofrendo com dificuldades financeiras toma a decisão: fazer uma poupança. Chega de gastar indiscriminadamente. A meta dele é acumular dinheiro suficiente para ter mais tranquilidade de vida. Amanhã mesmo, começa a economizar!

E assim são inúmeras situações de vida. Quando tomamos decisões importantes e almejamos algo novo, traçamos uma meta. Nada de metas acadêmicas, quantificadas, com planos de ação. Estou falando das metas corriqueiras, aquelas que criamos todo final de ano, por exemplo. Aprendemos que traçar metas é bom, senão imprescindível. Mas, você já percebeu quantas resoluções de final de ano simplesmente não dão certo?!

A meta está completamente associada ao sonho. Ao imaginário do que gostaríamos de atingir, de ser. Queremos ter uma casa grande, viajar pelo mundo, encontrar o amor de nossa vida. Já pensou? V-i-a-j-a-r p-e-l-o  m-u-n-d-o, não parece incrível?! Finalmente encontrar A PESSOA para você! Não parece sensacional? Dá para sentir o alto astral dessas metas, o glamour, o sucesso, a felicidade! Então, alguns meses se passam de sua decisão e….o futuro chegou e aquilo tão desejado ficou para trás. Ricardo já se excedeu nas contas novamente, Joana já cedeu à tentação de alguns brigadeiros e a mudança de vida que te faria feliz? Hum, na verdade, não deu muito certo. Ah, tudo bem, quem sabe ano que vem, não é?!

Sim, traçar uma meta é a pior coisa que você pode fazer! A meta é traiçoeira, ela vem disfarçada de sábia resolução, de anseio por mudança. E na esquina da vida ela se torna algo tão difícil, distante e inatingível que desistir é natural, óbvio, humano. Alguns dirão que a meta é fundamental, afinal sonhar é preciso e saudável. Concordo, inclusive, a meta, para mim, é parceira da utopia. Como Eduardo Galeano dizia, a utopia é o horizonte, é fundamental para nos manter caminhando. A questão é: não adianta ter como utopia levar uma vida plena e feliz se você vive mal humorado. Não adiante querer mudar de vida e não conseguir mudar coisas básicas de seu cotidiano.

Mas, então, qual a solução? Troque suas metas por novos hábitos. Hábitos de vida são completamente insossos, eu sei. Não tem nada de incrível em se imaginar tendo que criar novos hábitos alimentares para perder peso. Não tem nada de incrível imaginar-se tendo que criar novos hábitos de vida para evitar gastos excessivos. É difícil pensar que uma mudança de vida possa estar há alguns novos hábitos de distância de você. Novos hábitos soam como algo demandante. Os novos hábitos sempre surgem para corrigir algo errado ou ruim. Algo a ser trabalhado. É preciso muito esforço e dedicação para criar novos hábitos. Hábitos estão loooonge de ter o glamour das metas.

Mas, isso é o conceito geral. A impressão negativa que temos dos novos hábitos é porque não nos permitimos associá-los a momentos de prazer. Não adianta se propor a criar um hábito de leitura e somente ler coisas que não interessam a você. Busque um livro que lhe dá prazer! O novo hábito, também, deve se adaptar a sua vida e não o contrário. Joana, por exemplo, ao buscar emagrecer deve adotar novas formas de exercício dentro de sua dinâmica de vida. De nada adiante se propor a treinar às 6h da manhã se ela detesta acordar cedo.

O lado bom de tudo isso, é que novos hábitos, quando criados, persistem. Você passa, inclusive a precisar deles no seu cotidiano. Eles se incorporam no seu novo jeito de ser. Eles são parceiros seus. E o mais incrível de tudo é que somente esses novos hábitos é que realmente poderão levar você a atingir seus sonhos, suas metas!

Melissa

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O lado B de uma mudança de vida

25/11/2015

No dia 19 de dezembro vamos fechar, Bruno e eu, um ano fora de uma rotina fixa de trabalho. Exatamente no dia 19 de dezembro de 2014 é que nos despedimos de nossos antigos colegas, de nosso antigo trabalho e iniciamos esta jornada transformadora. Não viajamos imediatamente para o Uruguai, ficamos praticamente um mês e meio em Brasília nos organizando, nos despedindo, nos preparando para nosso projeto de vida nova. E no dia 07 de fevereiro desembarcamos em Montevidéu.

Recordo claramente a conversa que tivemos enquanto esperávamos nossas bagagens no aeroporto…sentíamos algo estranho, a viagem tinha sido curta demais, viajamos para um local que já conhecíamos.  De imediato não sentimos nenhuma sensação incrível e mágica de libertação. Mal sabíamos que essa jornada seria muito mais de descobrimentos intrínsecos, mentais e psicológicos do que realmente de descobrimentos de vida prática. Não que viver e trabalhar sem ter um trabalho fixo, com hora fixa, em um país diferente não sejam desafios importantes. Mas, o lado emocional com certeza demandou muito mais de nós mesmos neste primeiro ano.

Obviamente, não tínhamos a mínima ideia de tudo que iriamos vivenciar. Traçamos alguns panoramas, nos planejamos financeiramente, enfim, garantimos algumas questões básicas para nos sentirmos seguros. Mas, desde os primeiros dias, percebemos que tudo que havíamos imaginado não chegaria aos pés do que iriamos viver. Fazendo o balanço, acho que, eu, particularmente, sonhei um pouco alto demais. Viajei com a cabeça sintonizada com a versão romântica de nossa aventura. Eu achava que ao mudar de rotina, de país, de vida, um sentimento energizante e contagiante iria tomar conta de mim. Que os dias seriam vivenciados com esse sentimento gostoso de liberdade e realização. Imaginava que teríamos desafios, mas, não previ que esses desafios seriam tão psicológicos.

Se nossa atitude de mudar de vida foi acertada? Posso dizer que foi 100%. Não me arrependo, não volto atrás e independente do que nos reserve o futuro, essa mudança nos transformou para sempre. Não tem volta! E não tem volta simplesmente pelo fato de que novos caminhos mentais foram traçados, novas perspectivas foram adquiridas, algo como um novo filtro está presente em nossos olhares. A vida está estranhamente com outras cores. Nem mais vívidas, nem mais obscuras. Cores instigantes! Cores que ainda vamos desvendar. Quem somos hoje não tem absolutamente nada a ver com quem éramos há praticamente um ano. Por mais piegas que isso possa parecer, é a mais pura verdade.

O mais incrível desse nosso movimento foi justamente constatar que a mudança de país foi interessante, mas, que a reconstrução de nossa vida foi engrandecedora. Quando você precisa desconstruir suas rotinas, seus hábitos e reconstruir seus padrões de funcionamento com liberdade e um alto grau de autonomia, o chão treme, você hesita, oscila, tem dúvidas…criar essa nova vida se torna algo bastante demandante. O ato de criar te faz descobrir muitas facetas suas que antes ficavam adormecidas. É como quando você começa a se exercitar depois de muito tempo sedentária. Alguns músculos há muito inutilizados voltam a funcionar e com eles vem um pouco de dor. Você não sente a dor no momento em que está malhando, sente ela no dia seguinte, nas 48 horas posteriores e, se vacilar, ela fica presente por muitos dias.  

Você se redescobre! Suas fraquezas ficam mais escancaradas. Não tem para onde fugir! Mas, em contraponto, as fortalezas se tornam mais sólidas. Você passa a ter mais segurança em suas convicções. Você sente que não precisa mais sentir medo. Tudo que nos desafia, nos instiga…nos transforma. O ato de criar uma nova vida nos dá poder, confiança em nós mesmos simplesmente pelo fato de que nos superamos e nos responsabilizamos pelos acertos e erros. Criar uma nova vida é ter a possibilidade de descobrir novos “eus” que habitam em nós.

Claro, falta ainda um mês para fecharmos um ano longe de nosso padrão de vida antigo. Com certeza nesse próximo mês vamos vivenciar muita coisa ainda. Mas, uma coisa eu tenho certeza, não há maior sensação de liberdade do que descobrir-se e superar-se nessa aventura fascinante que é a vida.

Melissa

 

Quando um relacionamento acaba…Quando uma vida muda…

19/08/2015

Estamos de volta a Montevidéu, depois de passar dez dias em Brasília. Essa viagem ao Brasil, após seis meses morando fora, não estava inicialmente prevista em nossos planos. Nossa ideia era fecharmos pelo menos um ano fora, antes de cogitar qualquer retorno à terra natal. No entanto, por questões práticas da vida, tivemos/decidimos fazer essa viagem agora. E, foi uma decisão acertada…

Temos insistido no blog de que a mudança de vida vem em pequenas mudanças que você vai estabelecendo em seu cotidiano. Definitivamente, não é necessário sair viajando pelo mundo para realmente mudar de vida. Mas uma coisa precisa ser dita: a viagem te permite enxergar a vida com outros olhos. Não precisa ser uma viagem longa, muito menos uma viagem de avião. Pode ser uma viagem de um final de semana. O que importa é que você saia de sua realidade, viva novas experiências ou reviva experiências antigas sob uma nova perspectiva. Portanto, mesmo retornando a Brasília por alguns dias, um lugar que já vivemos, a viagem nos permitiu tornar mais palpável a mudança de vida que estamos fazendo.

Além de rever amigos, familiares e matar a saudade do açaí, da galinhada, etc, tivemos a possibilidade de sentir nossa antiga cidade. É interessante perceber o lugar onde morávamos com olhos de forasteiro. Sentir o ar que circula respirando fora dele. E, acima de tudo, dar um basta na idealização.

Curioso como a gente tende a idealizar algumas coisas depois que as deixou para trás. Isso é muito comum em términos de relacionamentos. Optamos por encerrar uma relação, mas, depois que encerra, nos momentos de solidão, temos a tendência de relembrar somente as coisas boas do antigo relacionamento. Esquecendo-se dos verdadeiros motivos que não faziam dar certo. O mesmo vale para mudanças de vida. Depois que você decide fazer a ruptura, é importante ser firme e perseverante. Nos momentos de dificuldade, é comum e natural relembrar a vida anterior com certa nostalgia, relembrando mais os momentos bons do que os ruins. Nessas situações, a idealização ocorre como um mecanismo de fuga. Afinal, tanto no término de um relacionamento, quanto em uma mudança de vida, de emprego, de cidade, você está diante do desconhecido. E o desconhecido assusta, amedronta, desestabiliza, te expõe à incerteza.

Eu vivenciei desde pequena essa experiência da idealização. Com seis anos, fui morar na França com meus pais, e voltei ao Brasil com doze anos. Voltei falando um português com sotaque e com hábitos muito distintos do local. Recordo minha dificuldade em adaptar-me à escola em que meninas com doze anos eram mini-mulheres e eu era uma menina-criança. A dificuldade de entender a lógica das provas de múltipla escolha. Sim, porque eu nunca havia feito uma. Eu não entendia porque um professor colocava escolhas de respostas para gerar um erro do aluno e não para medir o seu conhecimento. Eu não entendia o senso de falta de respeito ao professor, e muitas outras coisas. Na França, eu era líder de turma, amiga de todo mundo e reconhecida pelos professores. No Brasil, eu era vista como uma criança com problemas de adaptação, vítima de bullying e com um círculo pequeno de amizades. Passei grande parte de minha adolescência e juventude sonhando com a França, como eu gostava de morar lá e como lá tudo era incrivelmente “perfeito” para mim, como eu me encaixava e era valorizada.

Quando jovem adulta, tive a oportunidade de retornar para fazer um mestrado e adivinhem: cadê aquela realidade maravilhosa que eu recordava como ideal?! Não vou negar que sempre me senti muito bem na França e sempre gostei muito de morar lá. Mas, como adulta, pude perceber muitas questões que não se encaixavam com minha visão de mundo, meus desejos de vida e opções que eu vislumbrava para meu futuro.

Essa minha experiência me fez abrir os olhos, passei a compreender mais claramente como a “idealização” é usada como uma ferramenta de fuga diante de uma dificuldade real no presente. Mas, mesmo assim, apesar de estar atenta, até hoje caio na armadilha da idealização. Confesso que, em alguns momentos aqui no Uruguai, cheguei a pensar com certa nostalgia sobre minha vida antiga (que não mais me satisfazia).

Por isso que idealizar aquilo que você optou por deixar para trás é mais do que natural. Render-se a essa idealização é que não pode. Não pode justamente porque é uma idealização, não é algo fiel à realidade. É um conjunto de sentimentos e lembranças que fazem você reviver de forma mais romântica a realidade que você acaba de deixar para trás. A decisão de mudar de vida é, de certa forma, drástica e você passa a reestruturá-la do zero. Reformatar uma mente viciada em hábitos é muito difícil. Encontrar aliados que te incentivem a ser perseverante é mais difícil ainda. Por isso, diante das dificuldades, fiquem atentos aos momentos de idealização, eles virão com certeza!

Meu jeito de lidar com tudo isso é sempre tentar manter em mente o que me fez querer mudar de vida. Na prática, vale a pena escrever em um papelzinho por que você quer mudar de vida e o que irá acontecer caso você não mude ou desista no meio do caminho. Carregar esse papelzinho no bolso, na carteira, e, sempre que precisar, lê-lo. É como se você carregasse um papelzinho com sua versão lúcida e racional, é você dando uma sacudida em você mesmo e mandando para longe as armadilhas da mente.

No meu papelzinho está escrito o seguinte: “Decidi mudar de vida pois desejo ter mais tempo de qualidade com minha família e desejo ser dona da minha vida. Se eu desistir, terei que voltar a trabalhar para alguém e terei que ficar afastada de meu filho mais de oito horas por dia.”

E no seu? O que você escreveria?

Melissa

O Imediatismo Mata seus Sonhos

15/07/2015

Hoje o dia está sendo um pouco mais difícil do que o habitual. Manter-se motivada a lutar e construir uma nova vida, uma vida mais plena, é difícil pra chuchu. Hoje, então, está sendo difícil para um chuchu megagrande (risos)!! Divulgamos em nosso facebook, algumas semanas atrás, a seguinte frase: “As pessoas costumam dizer que motivação não dura para sempre. Bem, nem o efeito do banho, por isso, recomenda-se diariamente” (Zig Ziglar). A motivação não vem do nada, ela se constrói. Mas, além de motivação para seguir adiante, o que me faz falta, em alguns momentos, é aceitar que os resultados de meus projetos levam sempre mais tempo do que eu gostaria.

Este ano, festejarei meus 35 anos. E, descontando os meses que estamos vivendo no Uruguai, foram 35 anos vivendo em um formato, preparando-me para um modelo de vida, vivendo dentro de padrões estabelecidos… Há cerca de um ano, decidi mudar isso, e, há sete meses, dei o primeiro passo. E fico “deprê” por não conseguir implementar todas as mudanças que havia planejado! Ok, podem rir de mim…é ridículo, eu sei, mas, acho que não sou a única nesse barco, não é?! Quantos de vocês também se impacientam, se desanimam, perdem a perspectiva das lutas e conquistas? E por quê? Porque estamos acostumados a viver num mundo imediatista.

Hoje em dia, então, com a internet e os “zapzaps” da vida, tudo é imediato. Você manda uma mensagem, por exemplo, e espera receber respostas rápidas. Se demorar demais, “algo aconteceu”. E olha que não sou uma crítica à tecnologia, ainda mais porque ela tem me ajudado muito a estreitar distâncias, registrar momentos lindos da vida e compartilhá-los com amigos e familiares. Mas percebo que, por trás dessa tecnologia útil, está um modo de vida que vai se infiltrando e se acomodando em nosso coração e nossa mente. Queremos tudo para ontem. Estamos cada vez mais impacientes, viciados em respostas imediatas e resultados rápidos.

O imediatismo nos domina e, pior de tudo, nos põe para baixo. Se não temos sucesso rápido em nossos projetos, ficamos frustrados e pensamos em desistir. Dar-se tempo para realizar novas conquistas e retraçar caminhos é fundamental para quem está desejando uma mudança realmente transformadora. Compreender que não é possível redesenhar sua vida em poucos meses é fundamental para conseguir superar os momentos difíceis e de desânimo. Desejar mudanças imediatas seria um autoboicote. Desistir de seus planos e sonhos seria um grande erro.

Felizmente, existem muitas ferramentas que me ajudam a manter a esperança e a perseverança. Uma que gosto muito é traçar metas. Mas não metas inatingíveis e de longo prazo. Traço metas diárias. Faço minha lista de afazeres diários focada na mudança de vida que desejo ter lá na frente, no entanto, com atividades que consigo iniciar e concluir, no máximo, em algumas horas. Se é algo grande e difícil, divido o trabalho em partes pequenas e fáceis. Ao fechar o dia, o fato de ter conseguido avançar me da o prazer de ter cumprido uma “tarefa”. Tenho a sensação de bem-estar. Existem estudos que mostram que o fato “ticar” uma tarefa em sua lista de afazeres libera dopamina, um hormônio altamente viciante e que nos ajuda a manter motivados para realizações maiores.

E aí vem uma dica bônus minha que uso com frequência: quando for traçar sua lista de afazeres, inclua nela algo que você fez recentemente ou fará em seguida. Algo que você tenha mais facilidade. Isso te permitirá em pouco tempo já riscar algo da lista e você terminará tendo um pequeno estímulo inicial. Para mim faz toda a diferença! Já libera a dopamina para seguir adiante. Ah e como é bom!

É por termos consciência desses momentos difíceis que insistimos, no Vida Borbulhante, que podemos mudar de vida aos poucos e fazendo pequenas mudanças cotidianas e diárias. Bem ou mal, precisamos ter o pé no chão e saber que nenhuma mudança é rápida e fácil. Largar tudo para o alto e sair sendo feliz é o conto de fadas moderno. Construir é muito mais difícil do que desconstruir…não é à toa que tem mais gente para criticar do que para ajudar, não é?! Mas, enfim, isso é outra história, para outro post!

Curtiu, compartilha! Ajudando uns aos outros poderemos nos ajudar mais!

Abraços

Melissa

A melhor dica de viagem de todos os tempos

28/01/2015

Já viajou com um amigo e descobriu que ele era um chato de galocha? Tive o privilegio de viajar bastante nessa vida, tanto a trabalho, quanto a lazer. E viagem, quando não é demais, faz muito bem. Sempre me lembro da frase do Amir Klink, que soube captar a essência de tudo:

Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

Eu consigo ficar horas refletindo sobre o pensamento acima. Amir Klink ficou famoso por suas viagens solitárias. Nesse ponto, sou diferente.viajei sozinho e não acho muita graça. Sou mais reservado (estou tentando mudar) e, para mim, não é muito fácil fazer amizades efêmeras numa conversa de bar, num lugar desconhecido. Então, nessas aventuras, quase sempre tive parceiros. Alguns até parecem pessoas legais no ambiente de trabalho ou no convívio social, mas, com o passar dos dias, acabam tirando a máscara e se revelando como realmente são. Na verdade, não é necessariamente uma crítica, mas os valores não batem com os seus. Ao contrário dos bons parceiros, os “maus” sempre criam problemas pelas menores bobagens, querem fazer programas diferentes dos seus, querem economizar quando você está disposto a gastar e vice-versa. Você fica torcendo para voltar logo pra casa!!! Já passou por isso?

Muitos, contudo, foram excelentes. Topam só as melhores paradas, não reclamam, incentivam, trocam ideias… Os bons parceiros de viagem combinam com você. Basta um olhar, e você já entende o que ele quer dizer. Os mundos se cruzam, e tem sempre uma boa conversa. Aliás, sempre não… também existem pausas (não constrangedoras) de silêncio, de descanso. A viagem fica magicamente fácil de ser organizada. Os planos e desejos se coincidem. As coisas simplesmente fluem com naturalidade e leveza. Há sempre um sorriso no rosto. Os passeios tornam-se secundários. Bons parceiros fazem qualquer paisagem ganhar novas nuances, tudo fica mais excitante. Até o mais clássico programa de índio pode ficar divertido se a companhia é boa.

Escrevo este post no aeroporto, num estado emocional deveras melancólico, enquanto aguardo uma conexão. Volto do Peru, onde fui deixar meu querido filho Leo, após passar intensas férias conosco. Menos de uma semana atrás, estávamos convivendo com minha irmã Flávia. Irmã de intercâmbio, mas que amo como se fosse irmã de verdade. Também veio passar férias no Brasil com sua família suíça. São excelentes parceiros da viagem da vida. Dão sentido à minha jornada, e tornam minha passagem neste mundo muito mais divertida. Com tristeza, convivo com o fato de que são parceiros menos frequentes do que eu gostaria. A viagem da vida tem dessas coisas. Novos parceiros aparecem, marcam sua trajetória para sempre, mas tem que seguir rotas diferentes.

O que me consola, é que estou voltando para me encontrar com os melhores parceiros de viagem que a vida poderia me presentear. Melissa e Martin me aguardam para embarcar numa aventura mágica que se inicia em alguns dias. Uma aventura que estamos planejando há algum tempo, mas que, curiosamente, não sabemos que caminho vai tomar, nem onde vai terminar. Felizmente, com esses dois, isso não tem muita importância. Na viagem da vida, o destino e o caminho são sempre desconhecidos. E, se você leu até aqui e ainda não entendeu, aqui está a dica: o que mais importa numa viagem, é escolher bem os seus companheiros de jornada!

Ops, chamaram meu voo. Embarque iniciado. Meu companheirinho Leo fica, e eu volto para o Brasil. Dá um aperto danado…

 

Bruno
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Você viveria sem o seu “cadre”?

21/01/2015

Bom, duas semanas sem publicar um post. Ok, vou assumir, na primeira semana, não foi escrito pois estávamos de férias. Sabe o mar, o sol e a água de coco?! Pois bem, estávamos ocupados com eles, mantendo um relacionamento muito próximo. Já na segunda, não foi escrito por confusão mental/cansaço físico e muitaaaaa demanda. Este que vocês estão lendo, saiu com uma certa dificuldade…foi preciso frear as demandas para acalmar a cabeça e por os pensamentos no papel.

A bem da verdade, imaginávamos que esse período de transição seria intenso. Sair de nossa casa com um mês de antecedência de nossa viagem para ficarmos na casa de familiares, quando planejado, pareceu uma excelente ideia. Afinal, poderíamos aproveitar esse período para convivermos mais, curtirmos um último mês antes da viagem. A parte de aproveitarmos para convivermos está realmente sendo muito boa. Mas, menosprezamos um pouco o que essa fase terminaria demandando da gente. De certa forma, estamos um pouco mais desorganizados e precisando nos situar em uma nova dinâmica de vida que é transitória. Essas duas questões têm consumido bastante energia. Energia que poderia estar sendo usada para nossos projetos ou até para resolver questões com mais agilidade.

A ansiedade diante dessa situação, com certeza, aumentou.

Foi vivenciando esse período que passei a refletir sobre como é fácil falar em mudar de vida e sobre como é totalmente compreensível que a maioria das pessoas simplesmente não consiga. Ter horários a cumprir, um nome a zelar, um cargo pelo qual lutar, um financiamento para pagar, bem ou mal, geram uma sensação de “segurança”. Você tem regras a seguir, padrões a atingir, metas claras. Você está dentro do famoso “cadre” (moldura). Além disso, pertencer a um grupo e nele ser reconhecido gera uma sensação de existência. Gera um prazer. Você faz parte do bando. Sem contar que, se você cumprir com todos esses quesitos, se se encaixar corretamente no “cadre” e ainda ocupar uma posição de valor, de reconhecimento, você terá em troca a bendita sensação de status. Se sentir prestigiado por ser um bom funcionário, por ocupar um cargo socialmente valorizado, por ser considerado exemplar pelo chefe…ah que sensação de prestigio que dá. No fundo, a meu ver, é uma sensação de se sentir amado e admirado. Ah, não é bom!? Quem não gosta?!

maquina de escrever

Agora, e quando você não tem nada disso. Quando você tem uma folha em branco. Você pode estruturar e criar a sua vida dentro de seus padrões, dentro daquilo que você acha certo. Parece ótimo, não é?! Mas, cadê a sensação de bem estar do status nessas horas? Não encontra, aí que tá.Você pode ter pessoas que te apoiam, incentivam, mas, é pouco provável que você encontre um grupo grande de pessoas que ache sua escolha o caminho para o sucesso. Mesmo que você seja seguro de si, nessas horas, se sentir indo em direção a algo desconhecido, mexe com o seu mundo. Podem acreditar! Momentos difíceis acontecem e você passa a se questionar se está fazendo a coisa certa. Os questionamentos aumentam quando você olha à sua volta e vê que a maioria das pessoas está fazendo o oposto a você. Estão assumindo o financiamento de um apê e não desmontando o apê alugado para buscar uma nova vida. Você é quem estipula as normas, e se algo der errado, você é o responsável, e não o seu chefe, o Governo ou o que for. Você é totalmente responsável pelo rumo de sua vida.

Precisa de muita coragem ou insanidade para entrar nesse barco. Acho que temos um pouco dos dois, a proporção de cada um, estamos ainda descobrindo!

Brincadeiras à parte, com certeza para embarcar numa jornada como essa é preciso ter muita garra, disciplina, fé e confiança. Ainda bem que eu tenho ao Bruno e ele tem a mim! 😉

Portanto, acho totalmente compreensível que existam mais pessoas no mundo que sonhem com uma vida diferente, do que pessoas que corram atrás dessa vida diferente. Somos educados e formatados para ficar dentro do “cadre”. Desde pequenos ensinados a obedecer regras, ensinados a ser reconhecidos como bons quando fazemos tudo certo. Fazer diferente, ser diferente não é valorizado. Não somos incentivados a buscar a vida que nos faz feliz. Somos incentivados a buscar a felicidade dentro de um padrão de vida. E se você não é feliz, vem a pergunta, “qual o seu problema?”

Comecei o post querendo escrever sobre como os ambientes influenciam nossas experiências…(risos)…esse assunto vai ficar para uma próxima. Meu coração estava precisando desabafar! A criação de nosso blog visa justamente auxiliar, incentivar, dar apoio para todos que querem tentar uma nova vida mas não encontram o apoio, o respaldo e o sentimento de status para impulsionar. Nós apoiamos, nós incentivamos! E, humildemente, queremos, através de nossa história, permitir que mais pessoas criem forças para, na medida que acharem necessário, quebrar o seu “cadre”!

Forte abraço

Melissa
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Quanto espaço sua existência ocupa?

25/12/2014

Vamos nos mudar para o Uruguai? SIMMMMMM! Vamos levar todos os nossos pertences? NÃO PODEMOSSSSSS! Vamos então nos desfazer de muita coisa? HUM, OI?! É, HUM, SIM? SIMMM!

Pois é, quando pensamos em nos mudar, sempre imaginamos a dificuldade e bagunça que isso implica. Até temos uma noção quando a mudança é “apenas” de casa, ou até de cidade. Agora, quando você vai cruzar as fronteiras do país…nãnãninãnã…o desafio é MUITO maior. Uma porção de objetos, roupas, utensílios não podem simplesmente ser encaixotados e guardados “ad eternum” na casa de algum parente. Você realmente precisa reduzir o espaço que sua existência ocupa. E olha que nossas existências, minha e do Bruno, não são consumistas, portanto, o espaço está muito abaixo da média intergaláctica. (risos) No entanto, assim mesmo, chegamos à conclusão que cada um de nós deve ocupar uns 10m³ de presença física, somando caixas de roupas e objetos pessoais variados.

2014-12-21 09.59.23Ah! Os objetos variados, uma relação de amor e ódio. Sabe aquele bibelô que uma tia sua deu, naquele momento especial quando você fez 15 anos de idade? Um objeto pequeno, fácil de guardar em gavetas e prateleiras. E os CDs? Vocês lembram da época em que CD era presente tão bom que era dado em aniversário ou natal? E DVD? E lembrancinhas das viagens? Imãs de geladeira? Cadernos semi-preenchidos que você guarda para rascunho. Ahhhh aquela coleção de papel de cartas da sua adolescência. Potes plásticos. Produtos de higiene pessoal pela metade. Papéis importantes, mas de 10 anos atrás. Comprovante de pagamento de contas. Canetas e lápis? Fotos!! Podemos ficar aqui enumerando uma porção de coisas que vamos acumulando sem perceber. Na hora de desmontar uma casa, todos esses objetos vêm à tona e se instala um belo caos. Mais uma vez, entra em ação o desapego.

2014-12-20 08.24.10

 

Esse processo de desapego e de desmontar nosso apartamento tem sido muito interessante. Primeiro, temos vivenciado o processo de vendas via internet. As ferramentas que existem hoje, como os sites de vendas são muito interessantes. A possibilidade de você tirar fotos e mandar para a pessoa interessada é, simplesmente, muito eficiente. Em poucos minutos você consegue atingir um número infinito de pessoas curiosas e interessadas. No entanto, o processo de compra e venda, apesar de toda a tecnologia, não deixa de ser uma relação primitiva entre dois (ou mais) seres humanos. Isto é, fechar uma venda não é tão evidente. Você se depara com todo tipo de gente (desde os amáveis até os mais ríspidos), sem contar que você em algum momento precisa estabelecer uma confiança. A parte que compra confia nas suas informações e a parte que vende precisa confiar no desejo de compra e de que o pagamento será realmente efetuado. Parece simples e óbvio, mas, acreditem, não é.

Outra experiência muito interessante foi a de realizar um bazar em casa. Realizar um bazar e ir para o boteco beber sozinho são duas experiências muito parecidas (risos). Na realidade, em ambas você abre sua vida para pessoas desconhecidas e ouve histórias sensacionais. Tivemos um pouco de tudo. Uma moça que acabou de ganhar bebê, comprou um monte de coisas por telefone, vendo fotos, e mandou o marido buscar. Uma senhora que apareceu em primeiro e gostou mais dos objetos de decoração. Ela estava procurando apartamento para comprar. Uma família com crianças, sogro recém separado, cunhada querendo comprar patins. Entre muita conversa, negociação de preços e risadas, conseguimos vender um pouco de tudo, Compraram desde ferro de passar a taças de vinho e espumantes. Ao final do dia, a sensação de bem estar foi bem interessante. Apesar de ainda termos muitos objetos, essa interface, esse cruzar de mundos com desconhecidos foi muito prazeroso.

Bom, chegamos, também, a ensaiar uma experiência em brechós. Temos algumas roupas de qualidade, e decidimos tentar vendê-las em brechó. A experiência foi bastante frustrante. Tivemos o trabalho de separar as roupas e levar no estabelecimento. Eles trabalham somente com consignação (até aí, tudo bem), e a funcionária fica frente de tantas outras clientes avaliando suas roupas. Mas não é uma avaliação somente de conservação, é uma avaliação de estilo também. Sim, meus amigos, uma funcionária da loja define se seu estilo é vendável ou não. Descobri que o meu, não é! (risos) Não foi nada agradável, saí de lá P da vida. As poucas peças que a eles interessavam, os preços apresentados eram tão ridículos que fiquei mais P ainda. Moral da história? Brechó, nunca mais! E ai de quem falar do meu estilo novamente! (risos)

E, para finalizar, a experiência mais gratificante de todas: a doação. Não tenho nem o que falar. O máximo é contabilizar que doamos ao total umas cinco/seis malas de roupas. E volto a repetir, isso porque não somos consumistas! (risos) Não se preocupem, sobraram sim roupas para vestirmos! 😉

Estamos já há quatro dias organizando, desfazendo, guardando e processando toda essa fase de transição. Em algumas situações o desapego é mais difícil, mas, depois que os sentimentos passam e surge a razão, ficamos tranquilos e seguros com nossa decisão. Com certeza, vamos pensar duas vezes antes de adquirir qualquer outra coisa. Exercitar a reflexão sobre a utilização e o destino dos objetos pode ser interessante e extremamente necessário nos tempos atuais. Será que precisamos de tanto para viver? E você? Sabe quantos metros cúbicos sua existência ocupa? Conseguiria se desvencilhar facilmente dos seus pertences?

Ó! O Bruno mandou lembranças…Eita!! Será que eu encaixotei ele também?? Espero que não tenha sido doado!!! Ah, para fechar o post, não poderia de deixar um agradecimento ao nosso ajudante especial: Martin. Sem ele, COM CERTEZA, tudo isso não teria tanta graça! 😉

 

Melissa

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Você já vivenciou um curto-circuito nas veias??!! Eu já…

27/11/2014

Com licença, preciso respirar! Esse pedido de licença, na verdade, ando fazendo a mim mesma. Vocês vão entender…

Pessoalmente, venho criando consciência de alguns detalhes fundamentais para minha existência já há um certo tempo. A  busca por uma felicidade mais genuína e menos trabalhada tem sido uma demanda interna. Como se isso fosse fácil, não é?! Hoje, fazendo as contas, percebi que esse processo até tem durado vários anos, mas as descobertas têm sido tão construtivas que sinto-me retraçando o rumo, ajustando a rota, longe de ser uma jornada loooonga e desgastante.

Entender-se, olhar-se no espelho e realmente compreender o que te faz feliz, está longe de ser uma tarefa simples e evidente.

Afinal, “nós vemos o mundo, não como ele é, e sim, como nós somos”.

Portanto, a tarefa de conseguir vislumbrar uma vida diferente é mais árdua ainda do que parece, afinal precisamos nos transformar para conseguir enxergar fora de nossa bolha.

A genuína felicidade muitas vezes está a um palmo de nós, mas, assim mesmo, não enxergamos absolutamente nada. Estamos acostumados a viver e fazer uma leitura da vida já com vícios enraizados.

Por muitos anos vivi cumprindo funções e demandas por acreditar que eram obrigações naturais à vida, que precisavam ser cumpridas. Geravam-me mais estresse do que prazer, mas, precisavam ser cumpridas. Eu carregava comigo uma agenda com uma lista de afazeres. Além de questões práticas, nessa lista estavam questões de trabalho, estudo, demandas futuras, questões financeiras e assim por diante. Fechava o dia com a lista completamente feita, já anotando a lista do dia seguinte. E assim, de segunda a segunda. O natural para mim era viver assim, constantemente atarefada. Tempo livre, soava perda de tempo, chegava até gerar um desconforto…algo sempre terminava surgindo para fazer. UFA!! Seriedade, pontualidade e exigência eram palavras que constituíam meu serzinho lindo! Haja fôlego!

Com o passar dos anos, depois de muito estresse acumulado, veio a bendita “crise de pânico“. Alguém já teve isso também? É uma das piores sensações que já vivi em minha vida! Você simplesmente congela, endurece, surta.

É um verdadeiro curto-circuito!

Você tem a sensação de que está prestes a morrer. E esse sentimento surge aleatoriamente, sem você conseguir prever e se preparar para a situação. É assustador…e o mais assustador ainda é descobrir que sensações físicas fortes são, na realidade, causadas por você mesmo, pela sobrecarga de estresse no seu corpo, interligado diretamente a sua mente.

Enfim, imaginem, foi um sinal de alerta e tanto! Foi o sinal de alerta que eu estava precisando para conseguir entender que eu precisava desacelerar e vislumbrar opções de vida fora de minha bolha. E isso foi há uns bons cinco anos. Pequenas mudanças, de lá para cá, foram acontecendo…sabe a agenda com a lista? Virou um bloquinho de notas, bem pequenininho, no meu celular. Compromissos, coisas a fazer, guardo tudo na cabeça, se esqueci, volto a lembrar e faço. O que cabe na cabeça, cabe, o que não cabe, é porque não é importante! (risos) Eu sei, a técnica é um pouco arriscada, está ainda em fase de aperfeiçoamento. 

Passei a prestar mais atenção nos recados do meu corpo, tipo cansaço, estresse, preguiça, fome. Passei a aprender a meditar, a ouvir mais meu coração. Passei a apreciar mais as “bobagens” do dia a dia: uma conversa com o vizinho, um bom café da manhã, um abraço, uma boa música, fazer elogios, conversar com desconhecidos, etc. Passei a escutar mais os sons da vida. Passei a prestar mais atenção e a julgar bem menos, a ser bem menos exigente. Ah, desculpem, mas, passei a chegar um pouco mais atrasada. Já me disseram que essa parte não é tão legal! (não é Murilo?!) 😉

Mas, acima de tudo, passei a respeitar mais meu tempo para respirar.

É o meu principal plano para o próximo ano, vou respirar ainda mais e melhor. Será que é possível? Acho que sim. Martin tem me ensinado que sim! A cada mamada dele, é um momento de silêncio, de cumplicidade, de conexão com a vida…isso é respirar! Vivenciar o desenvolvimento dele trouxe uma nova dimensão de tempo, de dinâmica de vida. O momento presente é vivenciado com mais atenção…tente apressar um bebê…pode ter certeza que isso não é uma boa ideia (risos). Ele tem seu tempo, demanda que seja respeitado e, principalmente, precisa que seja respeitado. Ao respeitar o tempo dele, passei a prestar mais atenção no meu e, igualmente, a respeitar mais o meu. Passei a respirar melhor depois que ele nasceu. Mas, assumo, ainda me pego em alguns momentos de vicio do passado, incomodada com o momento de calma, serenidade…com a cabeça acelerada, calculando tudo que preciso fazer. Ou, fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Como eu falei, não é evidente mudar, mas, acreditem, é possível!

Melissa

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