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Reflexões borbulhantes

O que aprendi sobre a vida com um certo humorista famoso…(só que não!)

06/07/2016
Um duende paz e amor!

Certa vez, numa entrevista, Chico Anysio fez um comentário que me marcou para sempre: “- A única vantagem de ficar velho é saber mais”. Descobri que tem uma verdade e uma mentira nessa afirmação.

A verdade é que quanto mais se vive, mais se aprende, mais estamos preparados para enfrentar os desafios. À medida que ficamos mais velhos, nossa vida tende a ficar menos dramática. Pense nos seus grandes problemas de 10 anos atrás. Se tivesse que enfrentá-los novamente, provavelmente tiraria “de letra”, não é verdade? Enfrentar problemas com serenidade traz muita qualidade de vida.

A mentira é que, naquele momento, Chico Anísio tentava passar a lição de que os jovens DEVEM escutar os mais velhos, e NÃO contestar tanto. Aí é que a “coisa pega” pra mim. As experiências de vida não são transferíveis de uma pessoa para outra. Embora entenda claramente (e até aceite) o recado, acho bastante perigoso. Ter uma idade mais avançada não significa necessariamente ser uma fonte de sabedoria. O mundo está cheio de pessoas mais velhas que são imaturas, repletas de dores e preconceitos. Quando uma pessoa mais velha tenta passar uma mensagem para outra mais nova, geralmente a faz sob sua ótica e experiência de vida. Em vez de ajudar, pode atrapalhar muito.

Vou contar uma história real para exemplificar. Tenho uma grande amiga aqui em Montevidéu que também é estrangeira. É uma pessoa inteligente, interessante, tem uma vida dinâmica, e parece possuir um dom de atrair amigos e oportunidades. Vive numa casa ampla com jardim e piscina, sempre saudavelmente bagunçada.

Outro dia, ela comentou que foi a primeira de sua família a fazer um curso superior. E, para tanto, teve que contrariar sua própria mãe. A mãe acreditava que ela não deveria ter seguido os estudos após o ensino médio. Ninguém de sua família havia feito curso superior e “isso não era necessário”. Desde seu ponto de vista, era preciso começar a “vida de verdade” e arrumar um emprego (mais sobre a vida de verdade em um segundo).

Como se não bastasse, mesmo depois de ver o sucesso da filha, com uma carreira internacional e tudo mais, ela continua discordando. Diz que o emprego da filha não é um “emprego de verdade”. Aí vem a frase que mais “gosto” e que já ouvi em várias oportunidades, de várias pessoas diferentes. Sua mãe lhe disse: – “Você não conhece a vida real”. Tem uma variante igualmente interessante: “Um dia você vai aprender como é a vida real!”.

A vida dela me parece bem real. Nossa amizade é bem real, e a abundância que ela atrai para a própria vida me parece bem real. Não me refiro somente à abundância material, mas já nadei na piscina da casa deles e…. é bem real. A água é molhada!

A vida de cada um de nós é uma experiência única. Você pode comparar, usar a experiência de outros para te ajudar, mas, no fim das contas, você aprende mesmo é com suas próprias vivências. É como fazer uma viagem. Você pode pedir dicas a um amigo sobre hotéis, passeios e lugares interessantes. Quando chegar a sua vez, o clima vai ser diferente, as pessoas serão diferentes, as experiências serão diferentes… E, acima de tudo, você é diferente do seu amigo. E o mais importante é que, se você não tomar cuidado, a experiência dos outros pode limitar as suas.

Nossa vida é cheia de amarras invisíveis. A frase “Você não conhece a vida real” geralmente é dita por pessoas que tiveram uma vida sofrida, e, muitas vezes não conseguem admitir para si mesmo que fizeram escolhas ruins na vida. Quantos pais fazem os filhos passarem por provações e privações para prepará-los para a vida real? Será que isso é bom mesmo? Tenho minhas dúvidas e minha própria teoria sobre isso. Aliás, a teoria não é minha, mas decidi adotá-la: nós atraímos tudo aquilo que vivenciamos.

Longe de ser um estímulo à rebeldia, quero fazer um convite à reflexão. Quando baseamos nossas decisões nas experiências dos outros, descartamos um pouco de vida. Pude perceber que minha amiga, de certa forma, carrega um certo peso por discordar da própria mãe, por não ter sua aprovação e, de alguma forma, decepcioná-la, mas tenho certeza de que não está arrependida de sua decisão de viver a própria vida.

Bruno

Como sobrevivi a uma “pequena morte”

15/06/2016
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Quando a gente fala em um ano sabático ou em ficar sem trabalhar por um tempo, bate certo medo. A questão de sair do mercado de trabalho e não conseguir voltar é algo que aterroriza muita gente. O receio de perder o lugar, de comprovar que você é descartável, gera, no mínimo, um desconforto emocional. Eu percebo, também, que sentimentos similares circundam pessoas que estão prestes a se aposentar. Casualmente, nos últimos tempos, conversei com duas pessoas que vão se aposentar daqui a dois anos, e foi bastante interessante. Ambas mulheres, inteligentes e que tiveram uma vida bastante atribulada, cheia de compromissos, cuidando de filhos, trabalhando mais de oito horas por dia. Ambas estavam desconformes com a chegada da aposentadoria.

Na realidade, a conversa surgiu depois que comentei como era difícil trabalhar integralmente em casa. A falta de contato social mais intenso no cotidiano e a necessidade de administrar meu tempo, meu espaço, juntamente com minha vida pessoal, são, atualmente, desafios grandes para mim. Até esta experiência no Uruguai, eu não tinha tido um período de “calmaria” como adulta. A partir do momento em que entrei na faculdade, passava o dia fora de casa, trabalhando e estudando. Depois da faculdade, em meus empregos, sempre tive demandas mil, viagens a trabalho… O dia passava voando e os finais de semana eram repletos de coisas que precisava fazer, pois não tinha tido tempo durante a semana. Quem se identifica aí, levanta a mão!

A conversa que mais me marcou foi com uma senhora que conheci em um almoço na casa de amigos. Ela é estrangeira, diretora de um colégio renomado e quando me ouviu falar de minhas dificuldades de trabalhar em casa, comentou: “Hum, eu nem imagino como vai ser para mim quando eu me aposentar. Passar de um cotidiano cheio de atividades e em contato com pais, alunos…de repente…nada disso existirá mais”. Uma pessoa que ouviu esse desabafo em seguida lançou o maior clichê de todos: “Ah, mas você terá tempo para fazer tudo que sempre sonhou e que não podia”. A resposta dela foi tácita: “Mas, eu sempre fiz o que queria, não deixei tantas coisas para trás!”. E agora?

Domingo passado, vivenciei uma situação similar, só que desta vez com uma prima. Durante um almoço, ela fez um desabafo similar. Ela está cansada de trabalhar aos finais de semana, de ficar batendo ponto, negociando férias! Mas já pensou ficar sem ter trabalho? Sem sair de casa por obrigação, sem ver gente, sem interagir intensamente, sem compartilhar conhecimentos? Sem ser referência para alguém em nível profissional? De alguma forma eu pude ver nela o medo pelo que estava por vir. Era uma “pequena morte” que se aproximava.

Engana-se quem acha que somente vivencia-se isso às vésperas de uma aposentadoria. Está certo que, a partir de certa idade, o mercado de trabalho é bastante exigente com faixas etárias e em algumas realidades ser mais velho significa ser desnecessário e ultrapassado. São poucas as realidades que, hoje, encaram os mais velhos como pessoas mais sábias, vividas e fundamentais para a evolução da sociedade e a construção de novas gerações. Portanto, estou longe de menosprezar as dificuldades que envolvem esse momento na vida das pessoas. No entanto, consigo visualizar uma interface de conexão entre a aposentadoria e minha opção por trabalhar em casa: nas duas, você é confrontado por si mesmo. Nas duas você precisa lidar consigo sem tanto “bombardeio” externo. Em ambas surge a urgência em se redescobrir.  

Quando eu optei por sair de um emprego formal, por mais que fosse uma decisão acertada no momento, fiquei apreensiva. O medo do desconhecido, do “isolamento” social. Eu estava me afastando de um padrão de trabalho e de vida que a maioria tem e que a maioria valida como “é a vida”, “é assim, precisa aceitar”. Inclusive, na época, cheguei a escrever um post falando sobre isso, pois algumas pessoas chegaram a me falar que eu estava sendo adolescente (imatura). Até hoje eu não entendo como alguém pode pensar que tomar essa atitude de vida possa ser algo imaturo, mas, enfim…não vem ao caso.  E  um ano e sete meses depois sabem o que eu descobri? Que aquela vida atribulada, cheia de horários, compromissos, sem espaços para vivenciar minhas reais necessidades estava me dominando, me doutrinando. Eu era uma executora de tarefas e achava que tinha algum tipo de controle. Era como se eu estivesse vivendo em um constante ruído. E somente hoje, depois de um ano e sete meses, é que eu percebo que esse ruído saiu de mim. Hoje eu consigo perceber o que sou e quem sou fora de um sistema que me mudava, que me afetava e me tornava alguém pior, mais estressado e menos feliz.  Sabe aquela sensação de acordar mal humorado mas não saber exatamente por que? Ficar irritado no trânsito. Brigar com um atendente no supermercado. Dar margens a picuinhas no dia-a-dia do trabalho. Sair correndo para almoçar. Sair voando para poder buscar o filho na escola. Tudo isso se foi. Hoje eu sou só eu, vivenciando minha vida sem a sobrecarga das coisas e dos outros, e consigo me perceber e perceber meu entorno com muito mais clareza, pela primeira vez na minha vida.

Se eu tenho saudades de conviver com meus colegas? Sim! Bastante, mais ainda por que éramos um grupo de trabalho sensacional. Mas, se eu me arrependo de ter feito essa opção? Não!  Com certeza e facilmente, se eu não tivesse pisado no freio, eu teria passado minha vida inteira nessa barulheira e só perceberia quando a minha aposentadoria chegasse. E aí, nessa hora, provavelmente viveria os mesmos dilemas das mulheres que mencionei. Me depararia com um vazio, com um “e agora?” enorme. E com a ilusão de que finalmente poderia me dedicar a tudo aquilo que não tive tempo.

Existem grandes chances que um dia eu volte a ter uma vida mais “normal” por opção. Afinal, quero ter novos desafios e voltar a ter um convívio mais intenso com pessoas, com um ambiente de trabalho, etc. Mas, uma coisa eu tenho certeza, não voltarei da mesma forma como eu saí. Algo mudou, uma consciência maior se estabeleceu. E de alguma forma, eu perdi o medo de perder meu lugar em um trabalho, eu perdi o medo de ficar fora do sistema, dessa vida que “precisa” ser vivida com ruído. Aos 35 anos acho que posso dizer que vivenciei essa “pequena morte” e percebi o quanto de vida existe em mim!

Abraço

Melissa

7 Maneiras Infalíveis de Detestar o Seu Trabalho

08/06/2016
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Eu tinha um emprego com o qual muita gente sonhava. Bom salário, viagens ao exterior e outras vantagens. Tinha que usar terno e gravata e, por causa disso, quando eu saia para almoçar ou passava na padaria na volta para casa, era superbem tratado. Eu adorava e detestava esse tratamento especial. Adorava porque, ora bolas, quem não gosta de ser bem atendido? Detestava porque sabia que, se não estivesse de gravata, o atendimento seria diferente. Achava aquilo pura hipocrisia.

Com o tempo, aquele trabalho foi ficando sem graça. Logo me dei conta de que, sendo otimista, usava menos da metade de meu potencial. Meus diplomas de engenharia e mestrado eram desperdiçados no meio da burocracia e algumas decisões superiores, digamos, contestáveis . Em pouco tempo percebi que a gravata era uma formalidade desnecessária. Passei a chegar de manhã com o nó já solto e a manga da camisa dobrada. Deixava um paletó já meio surrado no escritório para usar em alguma eventualidade que quase nunca ocorria. Se alguém notou tanto descaso, eu não sei, provavelmente sim. Ninguém nunca reclamou. Fazia o que tinha que fazer bem feito e rapidamente. Acho que isso ajudava…

Claro, o problema era mais meu do que do meu emprego, mas eu esperava mais. Olhando em volta, percebi que, se quisesse um trabalho que me satisfizesse, teria que criá-lo. Muito raramente os talentos de alguém se enquadram perfeitamente num emprego. Refletindo sobre esse processo de mudança de vida, e com a humilde tentativa de fazer com que outras pessoas também façam essa reflexão e busquem alternativas mais satisfatórias para suas vidas, decidi listar 7 formas infalíveis de odiar o seu trabalho. Apesar da ironia, imagino que pelo menos uma das formas esteja presente na sua vida. Descubra em qual você se encaixa.

1) Trabalhe pelo dinheiro ou pelo status

Segundo dizem os mais velhos, é uma receita infalível para viver deprimido. Não sou tão velho mas já percebi que eles têm razão. Você já sabe que dinheiro não compra felicidade, mas, pelo menos, poderá comprar um bom sofá de couro e uma televisão de 90 polegadas para passar o pouco tempo do dia que lhe sobra para viver. Uma dica: ao contrário do que dizem por aí, o dinheiro ganho com trabalhos mais satisfatórios também servem para comprar comida e pagar as contas. Antes que digam coisas do tipo: “nem sempre dá pra escolher”, eu rebato: encontrar um trabalho que lhe traga realização demanda um pouco de determinação e paciência, mas é possível.

2) Siga uma carreira pelos outros e não por você

Só porque seu pai é advogado isso não faz com que você tenha talento ou gosto pela profissão. Seu familiar se sentirá realizado, orgulhoso… e você, nem tanto. Pare e se pergunte: Vale mesmo a pena viver os sonhos de outra pessoa? Se você quer odiar seu trabalho, vale a pena sim. O que ocorre é que, ao optar por uma carreira assim, você ignora um leque enorme de opções. Possivelmente, entre tais opções estaria algo que se enquadra melhor com seus talentos.

3) Pareça sempre muito ocupado

A maioria dos empregos dá mais importância ao cumprimento de carga horaria do que à eficiência no trabalho. Não interessa se você já cumpriu com seus afazeres, se quiser causar boa impressão, faça muitas horas-bestas (é como uma amiga chama hora-extra. Bem apropriado!). É também uma receita para jogar fora nosso maior patrimônio: tempo. Se você realmente está muito ocupado, provavelmente não percebeu que existem formas mais eficientes de fazer o que você já faz. Se quiser combater isso, sugiro ler um livro tipo “Essencialismo” (de Greg Mckeown), ou “Trabalhe 4 horas por Semana (Timothy Ferriss). Você mudará sua perspectiva sobre a vida e sobre seu trabalho. Depois de lê-los, se conseguir não pedir demissão, provavelmente será promovido.

4) Desperdice seu potencial

Você estudou, fez faculdade, pós-graduação, leu livros, escreveu teses… Se preparou como um louco para ter um excelente emprego… Mas faz um trabalho mecânico, chato ou que não requer nenhum talento especial. Se quiser acelerar o processo, mantenha uma atitude passiva diante disso tudo. Não fale com seu chefe a respeito. Não proponha algo inovador e que possa fazer bem a você e à sua empresa. Não se preocupe. Logo, logo, vai odiar seu trabalho.

5) Desperdice seu tempo

Se você faz seu trabalho em 3 horas, desperdice as outras 5. Embora o Facebook possa lhe manter entretido, isso vai lhe deixar chateado. Mais cedo ou mais tarde, você vai detestar seu trabalho (ou pelo menos deveria).

6) Trabalhe com outras pessoas que odeiam seu próprio trabalho

Lembra das aulas de biologia? Funciona por “osmose”: do meio mais concentrado para o meio menos concentrado. É contagioso. Sabe aquelas pessoas que se queixam de tudo e de todos. Todo ambiente de trabalho tem um. Encontre mais uns dois ou três desses e faça um grupinho. É “batata”. Rapidamente, você também vai aprender a odiar seu trabalho e andar se lamentando. Se tiver sorte, vai atrair mais e mais gente para seu grupo. Em pouco tempo ele será insuportável!

7) Não conheça a si mesmo

Essa é a forma mais sutil. Só para alunos avançados. Nós passamos nossa juventude sendo educados por um sistema que ensina tudo sobre tudo e nada sobre nós mesmos. O primeiro passo para encontrar o trabalho dos sonhos é conhecer a si mesmo. Logo, a forma de odiar seu trabalho é fazendo o contrário. É bem possível que você passe anos, décadas, sem saber o que gosta de fazer, desconhecendo completamente seus talentos. Receita infalível para odiar qualquer emprego. Mas calma que existem antídotos. Despenda alguma energia mergulhando em si mesmo. Use ferramentas grátis como o “Guia prático para Encontrar o Seu Propósito de Vida”.

Vale a pena fazer algum esforço se você não quer levar uma vida sem sentido, num trabalho detestável, esperando desesperadamente a hora de se aposentar.

E você? Conhece mais alguma forma de odiar seu trabalho? Escreva nos comentários abaixo.

5 atitudes fundamentais para quem quer mudar de vida

17/05/2016
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Um dos grandes benefícios de se ter um blog sobre mudança de vida é poder conhecer muita gente e, principalmente, conhecer suas histórias. Sempre respondo com muita gratidão às pessoas que, em um voto de confiança, nos escrevem contando um pouco o que estão vivendo, onde gostariam de chegar e, pedindo algum tipo de orientação.  Não pense que seja fácil responder a esses e-mails. Ao mesmo tempo em que quero falar em alto e bom som “Vai lá, se jogue, arrisque!”, preciso trazer à tona as dificuldades envolvidas em uma mudança, sem ser negativa demais. Afinal, mudar é algo sensacional, sim, e vale muito a pena. Mas, não é para todo mundo.

E como saber se realmente você irá “suportar” uma mudança de vida? Como saber se você tem a perseverança suficiente, a força suficiente, a clareza suficiente? Essa é a parte ruim, não dá muito para saber com antecedência. Algumas dessas respostas surgem somente com a vivência.  É preciso vivenciar uma mudança de vida para, aí sim, poder tirar algumas conclusões sobre você, suas características, suas dificuldades.  Mas, isso não impede de refletir bastante e analisar seus pontos fortes e fracos antes de fazer qualquer movimento rumo a uma mudança. Assim, é possível preparar-se ou fazer planos mais condizentes com suas próprias possibilidades.

Na tentativa de fazer com que as pessoas consigam decifrar-se antes de se jogar em uma mudança de vida muito ousada, enumerei cinco atitudes fundamentais que fazem a diferença no momento de enfrentar as dificuldades:

1) Ter confiança em si: pode ser algo fácil de falar, algumas pessoas podem até se auto intitular “confiantes” porque têm sucesso em um trabalho, ou porque têm dinheiro, etc. Mas, a “confiança em si” não diz respeito ao que o mundo exterior fala sobre você. A confiança tem a ver com você acreditar em seus potenciais, sem precisar receber o feedback externo para se auto afirmar. Você, em um momento de mudança de vida, mais do que nunca precisará acreditar em sua capacidade de superação, em sua força e competência. E acima de tudo, você precisará ter confiança em si para espantar o medo do fracasso e seguir adiante.

2) Saber abraçar seus fracassos: Ninguém gosta de fracassar, muito menos de que esse fracasso seja divulgado a todos. Queremos ter sucesso em nossas empreitadas, ser motivo de orgulho. Em uma mudança de vida, impreterivelmente sua trajetória será plena de pequenos fracassos até você poder declarar ter tido sucesso. É fundamental compreender que os fracassos fazem parte do processo de crescimento e que os fracassos te auxiliam a ir traçando o caminho. Abraçar seus fracassos significa aceita-los e de alguma forma valorizá-los.

3) Compreender que cada coisa tem seu tempo: Ok, este é uma atitude fundamental. Esperar que em pouco tempo sua vida já esteja organizada, estabelecida, funcionando…esperar adaptar-se a uma nova realidade com rapidez é um tiro no pé. Se você vai fazer uma mudança de vida com outras pessoas, com familiares, é preciso ter claro que cada pessoa irá responder diferente e terá suas próprias dificuldades. É preciso dar tempo para que as fases de transição e a adaptação sejam vivenciadas com realismos, serenidade e, eu diria sensibilidade. Tenha em mente de que a adaptação pode demorar meses.

4) Saber sonhar sem se iludir: Existem sempre aquelas pessoas que, por estarem com dificuldades, descontentes ou infelizes, começam a sonhar com uma vida melhor. Mudar de país, de emprego, de cidade, até de relacionamento, é um sonho para muitos. Até aí, tudo bem. O problema é quando esse sonho toma uma dimensão de ilusão afastando-se significativamente da realidade. É preciso ter sempre presente que não vai ser fácil, que vão existir dificuldades. Com o tempo, a nova realidade, o novo relacionamento também vão ter suas dificuldades, suas chatices, suas “monotonices”. Cabe a você conseguir sonhar com realismo! 😉

5) Parar de insistir e começar a persistir: Quando insistimos, repetimos atitudes esperando que o resultado seja diferente. Mantemo-nos imutáveis aguardando uma mudança do entorno. Quando persistimos, aprendemos com os nossos erros, buscamos conhecimento e tentamos novamente, mas de um jeito diferente. Vamos transformando-nos à medida que as respostas da vida vão chegando. Adaptamo-nos à realidade e buscamos novos caminhos para o que queremos. Precisamos ser flexíveis e saber que quem decidiu mudar precisa ser maleável ao novo entorno que escolheu e aos acontecimentos que virão.

Mudar de vida é revigorante, refrescante…vai lá, é MUITO bom! Você se sente vivo! É como se você estivesse no comando, no controle de sua própria vida…nada de viver no piloto automático. Passar pelas dificuldades de uma mudança de vida vale muito a pena, pois você adquire uma resiliência e uma confiança insuperáveis.  Conseguir “sobreviver” e viver fora da sua zona de conforto gera um sentimento muito agradável de bem estar. Você adquire a capacidade de perder o medo diante das dificuldades e sente que não importa o que aconteça, você terá sempre a capacidade de se reinventar. Os processos de descoberta, de superação, a perda do medo, valem qualquer esforço! Eu garanto!

Melissa

5 filmes sobre mudanças de vida

09/05/2016
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Algumas mudanças acontecem aos poucos. Outras são radicais, a partir de um determinado gatilho, um plotpoint, nada mais será como antes… Pode ser uma música que remeta a algo importante. Uma quantia expressiva ganha na quina online. Ou um filme que te dê uma ótima ideia.

Aqui vai uma listinha com filmes sobre mudança de paradigmas… Talvez sirvam como um alerta ou simplesmente como diversão, mas são todos ótimos. Será que você já assistiu algum deles?

Mensagem pra você

A dona de uma pequena loja de livros infantis, que pertenceu a sua mãe, muda de vida após a chegada de uma super Megastore bem ao lado do seu ponto comercial. O que fazer? Resistir? Mudar de atividade? Meg Ryan e Tom Hanks mostram que coisas boas podem acontecer a partir de algo ruim. Apaixonante e com ótima trilha sonora. É um filme leve e romântico.

Intocáveis

Philippe (François Cluzet) é um aristocrata rico que, após sofrer um grave acidente, fica tetraplégico. Precisando de um assistente, ele decide contratar Driss (Omar Sy), um jovem problemático que não tem a menor experiência em cuidar de pessoas no seu estado. Esse é o fundo da história. O filme aborda com muito sensibilidade como realidades tão distintas, ao se cruzarem, permitem que as pessoas se ajudem mutuamente. Como cada um pode dar uma visão diferente à realidade do outro e assim, de alguma forma, transformar a realidade para melhor. Para quem quer rir e chorar, este é o filme!

Comer, Rezar, Amar

Este filme já é bastante conhecido e mais recente. Mas, se você ainda não viu, não deixe de ver. É baseado em um livro de sucesso sobre uma história real. Uma mulher larga tudo e vai viver uma aventura no outro lado do planeta. Sabe aquele sentimento de que algo não pode mais continuar? Que algo precisa mudar? Pois bem, a protagonista da história decide dar um basta e parte para uma viagem de descobertas e mudanças internas. Com Julia Roberts e Javier Barden.

7 anos no Tibete

Já é um filme mais antigo, mas que vale a pena mencionar. Além de uma linda história e paisagens belíssimas, vale perceber as características distintas dos personagens. O filme mostra como as diferentes posturas diante das dificuldades e adversidades da vida trazem vivências completamente diferentes. Brad Pitt interpreta justamente o personagem que apresenta mais dificuldade em adaptar-se à nova realidade. Além de ter mais dificuldade em respeitar a nova cultura em que se insere. Mas, os anos passam e ocorrem as transformações e os aprendizados. Uma boa reflexão para quem quer mudar de país!

O Teorema Zero

Se você já gosta de filmes mais futuristas, caóticos e com uma certa dose de ficção científica…este filme é para você! Um funcionário muito estressado pede para mudar de local de trabalho. Ele acredita que trabalhando em casa vai conseguir ter uma vida mais tranquila. Mas é exatamente nesta mudança que sua vida se transforma num caos.

Faça suas escolhas e divirta-se.

A história da jovem que escolheu as borboletas

04/05/2016
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Melissa adorava borboletas, por toda sua simbologia de transformação, renovação e beleza. Natural que quisesse usar borboletas na decoração de seu casamento. Refiro-me a borboletas decorativas, não as de verdade. Ela descobriu que não havia outras noivas pensando em usar borboletas para decoração de casamento. Revirou todas as lojas da cidade em busca de borboletas lindas e coloridas para usar na sua festa de casamento. Não encontrou. Continuou sua busca e investiu seu precioso e escasso tempo procurando borboletas em todos os sites de bugigangas chinesas. Não encontrou exatamente aquilo que queria. E agora? Melissa havia escolhido as borboletas, mas não encontrou nenhuma opção que lhe agradasse…

Miguel queria ser músico. Estudava oboé com afinco e queria dedicar-se profissionalmente ao instrumento. Ele sabia que o oboé era um instrumento um pouco peculiar e não muito popular. Concluiu que, para conseguir alcançar seu sonho, precisava passar num concurso para a orquestra sinfônica da cidade. Como as vagas eram poucas e a concorrência qualificada, o oboé virou um hobby, e Miguel virou bancário.

Cristina também queria seguir carreira musical e estudava fagote, um instrumento igualmente peculiar. Mas tocar na orquestra sinfônica era somente uma opção entre tantas outras. Sua escolha era ser fagotista. Descobriu que o mercado cinematográfico e de desenhos animados, demandava composições e artistas que dominassem aquele instrumento, justamente porque suas peculiaridades se adaptavam bem às necessidades daquele mercado. Tornou-se uma especialista e dominou aquele nicho específico. Depois de um tempo, se deu conta que ganhava um “salário” bem melhor do que um músico da orquestra sinfônica.

Escolher é melhor do que optar. Entenda “escolher” como sinônimo de “decidir”. Miguel encarou a carreira de músico como uma opção. Cristina, como uma escolha. Quando a gente analisa opções (mesmo que seja somente entre o “sim” e o “não”), deixa de decidir o que é melhor pra gente, e seleciona somente entre aquilo que já está disponível. Ao contrário, quando a gente escolhe primeiro, a partir de nossos desejos, olha para além das opções existentes. Abre-se um horizonte infinito possibilidades. A escolha nos permite criar algo novo e traçar um caminho ainda não explorado.

Veja que curioso. Sempre ouvimos que “quanto mais opções, melhor”. Aparentemente, ter opções na vida é excelente. Mas será mesmo? No terreno das “opções”, somos passivos diante das possibilidades. No terreno das “escolha”, somos agentes ativos, criativos e transformadores.

Não há nenhum mal em optar pelo melhor, desde que a melhor das opções se enquadre naquilo de desejamos. Mas isso não ocorre com quase ninguém. Quantas pessoas você conhece que escolheram, decidiram, trabalhar naquilo que realmente gostam? Poucas, não é verdade? Você hoje é formado mais por opções ou mais por escolhas que fez na vida? Pense em todos os seus empregos até hoje. Pense nos seus “amigos” no ambiente de trabalho, ou na faculdade, por exemplo. Quantas amizades você escolheu, e quantas você simplesmente optou por manter porque estavam ali “disponíveis” naquele momento de sua vida? Quantas permaneceram por mais de 5 ou 10 anos?

Aí você me diz: “- Ah Bruno, você fala como se fosse fácil simplesmente escolher e obter o que se deseja”. Eu respondo: “Não disse que é fácil. Disse que é possível e, sobretudo, que vale a pena.

Miguel e Cristina são personagens fictícios, mas baseados em um milhão de histórias verídicas. Melissa é real. Ela foi a uma loja de artes, comprou tecido, cola quente, lâminas transparentes e construiu suas próprias borboletas com a ajuda de seu futuro marido, que tinha lá suas habilidades artísticas (No caso, esse era eu! 😉 ). As borboletas ficaram lindas e deram um toque mais do que especial na decoração do casamento. Alguns anos depois, vendeu tudo que tinha em Brasília e se mudou para o Uruguai com o filho pequeno e o marido semi-criativo. Ela abriu mão das opções que a vida lhe apresentou e fez suas próprias escolhas. Escolheram levar uma vida com mais sentido… e com muitas borboletas.

 

Bruno

O pior erro que você pode cometer nos seus projetos de vida

27/04/2016
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Pronto, nada de dúvidas cruéis. Dilemas existenciais. Conflitos filosóficos. Você finalmente tomou a decisão de mudar de vida. Chegar até aqui já foi um grande desafio. Tomar a coragem de dar o passo rumo a uma nova vida foi um processo e tanto. Você está de parabéns! O problema é que inúmeras pessoas chegam a esta etapa justamente por meio de uma atitude, que mais adiante, coloca tudo a perder. Veja bem, neste momento, elas não têm consciência que estão colocando tudo a perder. O anseio, a energia, a vibração pelo novo está no auge. Vão mudar de vida! Sua meta é ser mais feliz!

Depois de sofrer anos com a balança, finalmente, Joana decide iniciar uma dieta definitiva. Chega de viver incomodada com o peso! Ela vai emagrecer e sua meta é perder 10 quilos. Para isso, ela vai fazer exercícios todos os dias, seguir uma dieta regradíssima, recusar doces, frituras. Ao tomar essa decisão ela sente que está radiante. Consegue imaginar-se magra! Consegue imaginar-se tendo sucesso. Mas, ela está cometendo o mesmo erro crucial!

Ricardo depois de muito tempo sofrendo com dificuldades financeiras toma a decisão: fazer uma poupança. Chega de gastar indiscriminadamente. A meta dele é acumular dinheiro suficiente para ter mais tranquilidade de vida. Amanhã mesmo, começa a economizar!

E assim são inúmeras situações de vida. Quando tomamos decisões importantes e almejamos algo novo, traçamos uma meta. Nada de metas acadêmicas, quantificadas, com planos de ação. Estou falando das metas corriqueiras, aquelas que criamos todo final de ano, por exemplo. Aprendemos que traçar metas é bom, senão imprescindível. Mas, você já percebeu quantas resoluções de final de ano simplesmente não dão certo?!

A meta está completamente associada ao sonho. Ao imaginário do que gostaríamos de atingir, de ser. Queremos ter uma casa grande, viajar pelo mundo, encontrar o amor de nossa vida. Já pensou? V-i-a-j-a-r p-e-l-o  m-u-n-d-o, não parece incrível?! Finalmente encontrar A PESSOA para você! Não parece sensacional? Dá para sentir o alto astral dessas metas, o glamour, o sucesso, a felicidade! Então, alguns meses se passam de sua decisão e….o futuro chegou e aquilo tão desejado ficou para trás. Ricardo já se excedeu nas contas novamente, Joana já cedeu à tentação de alguns brigadeiros e a mudança de vida que te faria feliz? Hum, na verdade, não deu muito certo. Ah, tudo bem, quem sabe ano que vem, não é?!

Sim, traçar uma meta é a pior coisa que você pode fazer! A meta é traiçoeira, ela vem disfarçada de sábia resolução, de anseio por mudança. E na esquina da vida ela se torna algo tão difícil, distante e inatingível que desistir é natural, óbvio, humano. Alguns dirão que a meta é fundamental, afinal sonhar é preciso e saudável. Concordo, inclusive, a meta, para mim, é parceira da utopia. Como Eduardo Galeano dizia, a utopia é o horizonte, é fundamental para nos manter caminhando. A questão é: não adianta ter como utopia levar uma vida plena e feliz se você vive mal humorado. Não adiante querer mudar de vida e não conseguir mudar coisas básicas de seu cotidiano.

Mas, então, qual a solução? Troque suas metas por novos hábitos. Hábitos de vida são completamente insossos, eu sei. Não tem nada de incrível em se imaginar tendo que criar novos hábitos alimentares para perder peso. Não tem nada de incrível imaginar-se tendo que criar novos hábitos de vida para evitar gastos excessivos. É difícil pensar que uma mudança de vida possa estar há alguns novos hábitos de distância de você. Novos hábitos soam como algo demandante. Os novos hábitos sempre surgem para corrigir algo errado ou ruim. Algo a ser trabalhado. É preciso muito esforço e dedicação para criar novos hábitos. Hábitos estão loooonge de ter o glamour das metas.

Mas, isso é o conceito geral. A impressão negativa que temos dos novos hábitos é porque não nos permitimos associá-los a momentos de prazer. Não adianta se propor a criar um hábito de leitura e somente ler coisas que não interessam a você. Busque um livro que lhe dá prazer! O novo hábito, também, deve se adaptar a sua vida e não o contrário. Joana, por exemplo, ao buscar emagrecer deve adotar novas formas de exercício dentro de sua dinâmica de vida. De nada adiante se propor a treinar às 6h da manhã se ela detesta acordar cedo.

O lado bom de tudo isso, é que novos hábitos, quando criados, persistem. Você passa, inclusive a precisar deles no seu cotidiano. Eles se incorporam no seu novo jeito de ser. Eles são parceiros seus. E o mais incrível de tudo é que somente esses novos hábitos é que realmente poderão levar você a atingir seus sonhos, suas metas!

Melissa

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Usando o GPS emocional para concretizar nossos sonhos

06/04/2016
Que tal um café para pensar melhor?

Há alguns dias, li um post do Flavio Augusto, bilionário brasileiro criador do “Geração de Valor”, e me permito copiar um trecho (post completo aqui):

Depois de 25 anos atuando na linha de frente no mercado, formando executivos e empreendedores, vendo muita gente fracassar e alguns triunfarem, estou cada dia mais convencido de que as competências emocionais são as que realmente fazem a diferença.

Vi muita gente inteligente e talentosa desperdiçar oportunidades por desequilíbrios inacreditáveis, por inseguranças inexplicáveis e por serem controlados pela ansiedade. Tudo isso, mesmo considerando uma boa formação e conhecimento técnico invejáveis, em alguns casos.

Não basta fixar os olhos em nossos objetivos. Para alcançá-los é preciso olhar pra dentro. Bem pra dentro: em nossas emoções. Elas podem ser o combustível que nos levará adiante, fazendo-nos ter força para superar qualquer obstáculo. Ou, no outro extremo, também podem ser o freio que nos faz desacelerar, e desanimar até desistir. Mas como fazer para que minhas próprias emoções não prejudiquem meu caminho?

Antes de tudo é preciso reconhecer. Depois, é preciso ajustar. Sim, estou falando de nossas próprias emoções, de nossos sentimentos, diante do percurso que escolhemos caminhar. É como um GPS de carro. Para calcular a melhor rota até seu destino, ele precisa saber onde você se encontra. Se você erra uma curva, ele recalcula a rota a partir do seu ponto atual.

De forma semelhante, o caminho que devemos traçar e as decisões que devemos tomar para atingir nossos objetivos também dependem de onde nos encontramos, não só do ponto de vista prático, mas, sobretudo, do ponto de vista emocional.

Nesse processo de mudança de vida, tenho lido e aprendido muito sobre como concretizar meus desejos, meus sonhos. E chamo de “processo de mudança” justamente porque, apesar de já ter conquistado um monte de coisas, ainda quero tantas outras que ainda não consegui: poder meditar mais ou ter mais segurança financeira com meus projetos, por exemplo.

Desde que chegamos a Montevidéu, temos refletido e conversado muito sobre nossa casa, por exemplo. Queríamos viver num espaço maior, mais aconchegante, que tivesse mais a nossa cara. Mas nosso status de “residente-temporário” não contribui muito para isso. Ainda não sabemos quando (ou se) vamos voltar ao Brasil. O câmbio Real x Peso Uruguaio varia mais que a temperatura por aqui. Pensar em investimentos maiores, nessas condições é muito difícil.

Às vezes, percebemos que o que temos não é aquilo que queremos. Bate um pouco de desânimo. Nessas horas é que olhamos para dentro. Converso muito com a Melissa e um ajuda o outro. Percebo que ela é mais impaciente, tem mais dificuldade de esperar. Por outro lado, me dou conta de que sou paciente demais. Isso atrasa nossos planos. Tentamos nos encontrar no meio: ela tenta me acelerar, eu tento tranquilizá-la. De vez em quando, os dois se encontram desanimados ao mesmo tempo. Nesses casos, custa um pouco mais. Quando a coisa aperta, mesmo tendo um monte de coisas para fazer e com a ansiedade consumindo pedacinhos de nosso estômago, paramos tudo. Tiramos algumas horas de folga, vamos tomar um café em algum lugar diferente e conversamos bastante. Esse “passeio forçado” nos ajuda a reequilibrar as emoções e realinhar o pensamento com nossos objetivos maiores. Percebemos que estávamos no caminho errado e usamos nosso GPS emocional para reencontrar a rota certa.

Concordo com o Flavio. Quando pensamos em conquistar algo (uma casa, um trabalho novo, uma nova vida), geralmente fazemos planos, calculamos os custos financeiros, analisamos opções… Mas não estamos habituados a calcular o custo emocional do processo. Quanto maior nosso sonho, mais tempo se leva para conquistar, e maior o custo emocional. É difícil lidar com as emoções do “não ter”, do “ter que esperar”, do “não sei como fazer isso”.

Encontrar as soluções práticas, geralmente é mais fácil. Se não temos o talento necessário, aprendemos na marra, ou pedimos para outra pessoa ajudar. Lidar com as emoções é mais complicado. Podemos até pedir ajuda, mas, no final das contas, estamos sozinhos na ingrata tarefa de domesticar nossos sentimentos. A boa notícia é que, sim, é possível reconhecer e dominar as emoções, transformar a tristeza em gratidão, a ansiedade em determinação, o desânimo em energia produtiva… Como fazer isso? Assunto para um próximo post ;)

A última pessoa a perceber o seu sucesso: você

30/03/2016
Sucesso post

Aos 22 anos senti a necessidade de fazer terapia para, de alguma forma, poder acalmar um conjunto de angustias e sofrimentos que vinha sentindo, principalmente, devido a minha escolha profissional: Engenharia Química.

Recordo até hoje o sofrimento que eu sentia ao me dedicar tanto aos estudos e não conseguir ver esse esforço refletido nas minhas notas, como eu desejava e achava fundamental. No geral, sentia que precisava me esforçar mais do que meus colegas mais próximos para atingir notas “passáveis”.  A dedicação intensa para ter um retorno (que eu achava) medíocre estava me intoxicando. Não conseguia viver bem e muito menos sentir prazer no que eu estava fazendo.

Um belo dia, em plena seção de terapia, após inúmeros lamentos, comecei a soluçar. Em poucos segundos, os soluços se transformaram em pranto, balbuciei: “sinto-me um fracasso”. E foi nesse momento que recebi como resposta uma sonora risada. Sim, meu terapeuta estava com um sorriso estampado, rindo. Fiquei completamente estática, surpresa, chocada e, depois, irada com essa atitude. Eu lá, sofrendo, e a pessoa que deveria me ajudar estava rindo de mim?!

Os anos se passaram, muita coisa mudou. A maturidade e a vivência me permitiram enxergar a vida com mais clareza, com olhos mais serenos, menos exigentes e críticos. No entanto, isso não impede de, uma vez ou outra, eu ainda ter a sensação de estar em busca de um sucesso inatingível.

E que sucesso é esse?

Independente de onde você mora, do meio em que você está inserido (seja o acadêmico, o empresarial, o seu próprio lar, etc.), independente da posição que você ocupa (professor, aluno, chefe, mãe, pai, etc.), os critérios de sucesso estão sempre subentendidos e são transmitidos a você. Dessa forma, construímos em nossas cabeças uma imagem do sucesso, e transformamos essa imagem, romantizada e cheia de estereótipos, em nosso maior objetivo. Desejamos a felicidade plena, a bonança financeira, a família unida e sem conflitos, o corpo sarado, viver viajando, e assim por diante. Somos diariamente bombardeados por comparações, comentários, informações que nos transmitem direta ou indiretamente o que precisamos atingir para ter sucesso. E, desejamos atingi-lo, afinal, quem não quer ter o status de uma pessoa bem sucedida. Engana-se quem diz que não se importa com o status. De uma forma ou de outra todos nós desejamos o reconhecimento de sermos bem sucedidos.

Buscar o sucesso está longe de ser algo ruim. Ao contrário, de alguma forma, isso nos ajuda a querer sempre evoluir. O problema está em usarmos parâmetros genéricos para a definição de sucesso. O problema está em rotularmos como deve ser o sucesso para cada um de nós, usando parâmetros iguais para todos.

Algumas semanas atrás, tomando meu café e pensando em como nossos projetos não estavam avançando na velocidade necessária e mais um monte de besteiras, algo me ocorreu: “caramba e se finalmente estou vivendo o meu sucesso e não estou percebendo?” Vejam bem, há mais de um ano, eu e o Bruno decidimos mudar de vida, mudar de país e reconstruir nossas vidas profissionais. Sim, tudo em um movimento único, em busca de uma vida mais plena, em busca de mais autonomia em nosso cotidiano. Foi uma grande mudança que demandou muita energia, coragem e tem demandado muita perseverança. Queríamos, de forma bastante sucinta, ser mais donos de nossas vidas. Queríamos estar mais perto de nosso filho. Queríamos poder dedicar nosso conhecimento em projetos nossos e não de outros.  Queríamos poder ter flexibilidade de horário. Queríamos poder sentir-nos vivendo e não “sendo vividos”.  Hummmm, calma aí, tudo isso nós conseguimos! Nossa empreitada já deu certo!!! Por que então essa sensação de que preciso ainda fazer mais para ter o bendito sucesso? Por que ainda assim não consigo me sentir bem sucedida?

E esse é o grande mal de usarmos parâmetros genéricos, eles nos tornam prisioneiros de uma idealização, de um sucesso único, avaliado por parâmetros gerais pré-definidos. Esquecemos, ou simplesmente não enxergamos todas as demais conquistas.

Sempre esperamos pelo que está a um passo mais adiante!

Buscamos o sucesso na visão de terceiros. Nunca, realmente, com nossos próprios olhos e valores. Podemos estar bem empregados, mas ainda nos falta, a casa própria. Podemos ter achado o amor de nossa vida, mas ainda falta ter filhos. Podemos ter uma boa qualidade de vida, mas ainda falta termos uma conta bancária de dar inveja. E você poderá ter tudo isso, mas lhe faltará alguma outra coisa sempre.

E como mudar isso em sua vida? Ou melhor, como passar a ter mais sucesso? Escolha os parâmetros corretos para você. Parece simples, não é?!  Os parâmetros que você usa para determinar o seu sucesso precisam ser realmente seus. A escolha desses parâmetros é que poderá lhe colocar na situação de ficar buscando algo eternamente e sentindo-se um fracasso, ou valorizando e vivenciando seus inúmeros sucessos de vida. Quando você define os seus parâmetros, o sucesso passa a ser algo palpável e não inatingível, pois você adequa a sua realidade, aos seus sentimentos, a sua história e a sua percepção de vida. Seja você quem define o que você quer construir na vida e como você deseja fazê-lo.

Voltando à risada de meu terapeuta. Depois de alguns segundos desconcertantes, ele me olhou seriamente e disse: “deixe-me ver se eu entendi bem, você faz Engenharia Química, um curso bastante difícil, em uma universidade federal, fala quatro línguas, trabalha e estuda, e se acha um fracasso porque não tira notas altas?! É isso mesmo?” Sim, era exatamente isso. Eu estava apenas medindo meu sucesso de acordo com notas, pois isso era o que o “sistema” usava para dizer o quão boa eu era. A risada dele, hoje, faz total sentido.

Melissa

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