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Reflexões borbulhantes

7 lições sobre o Brasil, que aprendi vivendo no Uruguai

03/02/2016

Uma história interessante aconteceu comigo logo que me mudei para Montevidéu, há quase um ano, em busca de uma vida mais plena. Precisei ir a um quiosque para comprar algumas coisas. Aqui, um “kiosco” é onde se compra material de papelaria, guloseimas, pequenas bugigangas e também onde se joga em alguns tipos de loterias. Ao chegar na lojinha, um senhor de bem com a vida me atendeu com um sorriso no rosto. Enquanto eu o aguardava a arrumar minhas compras, reparei no seguinte cartaz na porta:

Horário de funcionamento:

Abro quando chego

Fecho quando vou embora

Se você veio até aqui e a porta estava fechada

é porque não coincidimos

Simples assim! Viver num país diferente chacoalha as nossas crenças. Temos que aprender a nos adaptar e entender como funciona a cultura local. Alguns detalhes fazem muita diferença. As comparações com o lugar de origem, no caso, o Brasil, são inevitáveis. E comparações, quando feitas sem preconceitos, ensinam muito, não só sobre um novo lugar, mas também sobre de onde viemos.

Algumas diferenças que constatei foram marcantes, e me ensinaram muito sobre o Brasil, sobre o povo brasileiro e, em alguns casos, sobre mim mesmo:

1) O Brasileiro é feliz por fora e triste por dentro

O uruguaio é quase o contrário: é triste por fora, e orgulhoso por dentro. Na verdade, o que chama a atenção no povo uruguaio é que eles têm uma profundidade maior ao lidar com sua própria vida. As conversas ultrapassam o clássico:

– “Oi tudo bem?”

– “Tuuudo”

Aqui, geralmente, existe um “porquê” profundo nas respostas. Os problemas pessoais são expostos sem tantos melindres. Isso faz com que haja uma conexão mais verdadeira entre as pessoas. Tipo: -“Entendo seu problema. Também passo por isso com minha família…”

Ao contrário, no Brasil, somos “domesticados” a estar sempre felizes. Como isso quase nunca é verdade, as conversas se tornam superficiais. Fala-se sobre o clima, sobre os assuntos que viralizaram na internet, sobre o resultado do último jogo, fala-se sobre política de forma muito superficial. Fala-se pouco sobre a vida e seus problemas. Tenho a impressão que os brasileiros preferem guardar seus problemas para si. E quando se guarda muitos problemas no peito, a gente sente um nó danado na garganta.

2) O Brasil é o país das contradições

O Uruguai é um país de um povo conservador e levemente machista, mas que possui uma legislação de vanguarda em temas como casamento gay e consumo de maconha, para citar alguns exemplos. Parece incoerência, não? Um pouco.

Mas quando se trata de contradições, o Brasil é insuperável. Vendemos ao mundo uma imagem de um país multicultural, aberto às diferenças…humm, nem tanto… Aqui no Uruguai, por exemplo, um beijo no rosto indica apreço pela outra pessoa. Às vezes, ainda me surpreendo quando um homem barbado me cumprimenta com um beijo no rosto. Se fosse no Brasil, vocês já sabem o que iam dizer (ou pelo menos pensar), como se carinho e respeito definissem orientação sexual…

É bastante paradoxal, mas o Brasil é liberal, porém preconceituoso; rico, porém pobre… As contradições são tantas que, até no nível pessoal elas se manifestam. Um típico brasileiro é, ao mesmo tempo, altruísta e egoísta: -“Sou a favor de compartilhar, desde que não mexam no que é meu!”.

3) O Brasileiro é individualista

Aliás, o brasileiro é bastante individualista. Vive num sistema de convivência social único, em que cada um parece ter uma justificativa pertinente e razoável para não seguir as regras que deveriam ser aplicadas a todos. Claro que isso, às vezes, provoca o caos! O Uruguai não chega a ser uma Alemanha, onde o que é coletivo é profundamente respeitado (se não por bom-senso, por leis rígidas), mas o senso coletivo e do bem comum é maior do que no Brasil.

4) O Brasil é um país mal-educado

No Uruguai, todos escutam rádio. Mas não escutam só música. Ao contrário. Escutam noticiário e programas de debates que, para mim, são intermináveis. O rádio tem uma vantagem muito grande sobre os outros meios de comunicação em massa: permitem a reflexão e o uso da imaginação. A informação não chega pronta, mastigada e contaminada. É necessário digerir o que se escuta. Não sei o que é causa ou o que é consequência, mas o fato é que o uruguaio, ao contrário do brasileiro, foi educado a pensar mais.

Já escrevi como o sistema educacional brasileiro mina o futuro de nossos jovens. A educação pública no Uruguai não é livre de críticas e não está nos seus melhores dias. No entanto, e para não me estender demais, acho que é suficiente dizer que, aqui, cada aluno do ensino fundamental recebe um computador portátil, que pode levar para casa, e cada escola possui acesso à internet.

Acredito, no entanto, que o fato do uruguaio “pensar mais” não está relacionado à educação formal (a da escola), mas à educação informal: aquilo que aprendemos na família e no convívio social. É duro admitir, mas o Brasil é um país mal-educado nas duas “educações”. Essa diferença entre os países é notada claramente nas relações sociais, no restaurante, no ônibus, nos serviços públicos em geral. Cortesia, atenção e qualidade são quase uma regra por aqui.

Uruguai

5) O Brasil é um país sem memória

Neste caso, não é lá uma descoberta muito grande. É só uma constatação de algo que todos já sabem. No Uruguai é o oposto. Parece incrível, mas a vitória sobre o Brasil na copa de 50 ainda está na boca do povo. Existe um carinho e respeito muito grande ao passado e às conquistas históricas. Todos os anos, bibliotecas, museus, prédios históricos são abertos para visitação no dia do Patrimônio. Além de ser uma data muito importante por aqui, os passeios e visitações são muito concorridos pelos uruguaios. No âmbito político, o período da ditadura militar ainda é sentido pelas pessoas e faz parte do presente. Ao contrário, no Brasil, há quem defenda seriamente a tomada do poder pelos militares. Se não é falta de memória, é alienação, o que se enquadra no item anterior.

Talvez um meio termo entre memória e esquecimento seja o mais adequado aos dois países… Não sei. O fato é que existem diferenças marcantes quando o tema é “memória” e no que isso implica sobre as reflexões que fazemos sobre o passado e o futuro.

6) O Brasileiro é afortunado…mas não sabe

É difícil descrever o que senti quando andei pelas ruas de Montevidéu no primeiro dia quente depois de um inverno longo e rigoroso. Foi uma espécie de alívio misturado com alegria. O sol que aquecia a pele finalmente venceu a batalha contra o vento fresco da manhã. Aquele passeio me fez entrar num estado de êxtase. O que eu banalizava em Brasília (um clima agradável o ano inteiro) era o que eu mais desejava depois de 5 meses de frio. Tem coisas que a gente só valoriza quando perde… Esse período difícil com tanto frio seguido de um dia agradável me fez refletir: acho que um inverno rigoroso faria bem ao Brasil. Não no sentido literal, mas no metafórico.

Brasileiro adora reclamar de boca cheia. Viajei ao Brasil no ano passado, no auge da crise “socio-econômica-politica-cultural”. O que encontrei foram aeroportos lotados para voos nacionais e internacionais, restaurantes sempre cheios (comer fora é uma das primeiras coisas que se corta em tempos de crise), carros novos nas ruas cada vez mais engarrafadas…

Outra área em que é fácil perceber a bem-aventurança do brasileiro é na alimentação. A alimentação aqui no Uruguai é difícil. Falta variedade, tempero, e a comida é cara. O Brasileiro tem acesso à comida nutritiva, variada, saborosa e barata (sim, eu sei que a inflação aí está “pegando”). Brasileiro come bem o ano inteiro. Mas, ao voltar da feira ou do supermercado, não se dá conta disso. Como não se dá conta, volta para casa reclamando do governo que não controla a inflação, porque também não consegue perceber que a qualidade e preço “baixo” na sua alimentação se deve a um investimento governamental numa das maiores e melhores empresas de pesquisa agropecuária do mundo (Embrapa). Uma empresa pública de excelência que, não importa o governo, seja ele ditatorial, do PSDB e do PT, sempre foi valorizada. Sem falar de um dos melhores sistemas de Extensão do mundo que possibilita que o pequeno produtor brasileiro leve comida à mesa de todas as classes sociais.

Seja por desígnio divino ou por esforço social coletivo, os exemplos são vários. Se você não consegue pensar em nenhum, talvez faça parte dos que não sabem o quanto são afortunados… 

7) O Brasil é um país imaturo

O ano de 2015 foi particularmente duro com o Brasil. Olhar tudo de fora me permitiu ver as coisas com certa imparcialidade. O que vi daqui foi uma crise quase incompreensível que abateu o país. Um nível de histeria desproporcional à realidade. As pessoas, não importa muito o lado, pareciam ter perdido completamente a lucidez.

Martin, meu filho, completou dois anos de idade aqui Uruguai. Ele está numa fase de testar todos os limites. Com sua picardia ímpar, nos provoca quase a todo instante, só para ver até onde pode chegar. As vezes (muitas vezes, na verdade) temos que colocar limites. Dizer um não, firme e sério (embora ele quase sempre consiga nos fazer rir no meio da bronca!).

Olhando de fora, tenho a sensação de que o Brasil e particularmente sua democracia são como Martin: uma criança. As pessoas estão sempre testando os limites: da polícia, do governo, dos adversários políticos, ou até do vizinho. Testar os limites de forma madura é importante para avançar, inovar, evoluir, sair da zona de conforto. Mas testar dos limites como criança é outra coisa. Testar limites assim é coisa de gente que não consegue se colocar no lugar do outro que, como crianças, precisam de um pai para orientar e dizer não.

Há pouco mais de uma década, o Brasil fez uma escolha importante: diminuir as diferenças sociais. Para tanto optou por um caminho de inserção econômica (em vez do caminho da inserção pela cidadania). Isso deu margem ao surgimento de conflitos entre a classe média já estabelecida e a nova classe média. Na minha modestíssima opinião, essa é a origem maior da crise. São como duas crianças brigando: O irmão mais novo (a nova classe média) quer tudo. O irmão mais velho (a classe média já antes estabelecida) tudo lhe nega.

Tentando ser mais otimista, talvez o Brasil seja como um adolescente, que tanto anseia pela transformação e pela vida adulta, mas não consegue conviver bem com o processo de mudança, que é longo e cheio de obstáculos internos.

O lado bom é que as crianças e adolescentes crescem!

***

Concordando, ou discordando, convido-@ a deixar a sua opinião como gente grande: com respeito e educação 😉

Bruno


 

Já conhece as Dicas Borbulhantes?

Olhei pela janela e…

19/01/2016

 

Há alguns anos, buscando apartamento para morar em Brasília, nos deparamos com um que, por fora, nada dizia e era aparentemente sem graça. Quando abrimos a porta da sala, demos de cara com um janelão, muita luz e muitas árvores, entre elas um abacateiro. A energia que vinha de fora era irradiada pelos ambientes, e isso simplesmente nos cativou. Ali moramos por três anos e meio. Na gravidez do meu filho, escolhemos nosso apartamento e o nosso bairro como cenários para nossas fotos de recordação. Mencionamos, com carinho, o apê na música que fizemos para o Martin (veja vídeo), pois ele fez parte de nossa história. Nosso apartamento foi testemunha de nosso amor, de nossas batalhas. Ele foi nosso aconchego diário e o cenário de algumas brigas e muitas transformações. Na parede do apartamento, colocamos a seguinte citação: “Vem comigo que no caminho eu te explico…”. Amo essa citação, pois ela transmite exatamente como foi o inicio de nossa vida juntos: confiança e companheirismo diante de um mundo de incertezas e desafios. Tudo isso dentro de um espaço tão nosso.

Alguns anos depois, decidimos mudar e nos vimos na árdua tarefa de encontrar nosso cantinho no Uruguai. Falo árdua, pois de uma lista de mais de vinte apartamentos, conseguimos visitar apenas três. Começamos a ficar tensos e preocupados. As imobiliárias com mil exigências, os imóveis de qualidade duvidosa e preço elevado. Nenhum apartamento nos abraçava e acolhia como o nosso de Brasília. Sem sombra de dúvidas, sentimos na pele que a mudança de vida que nos propusemos iria gerar uma perda grande de conforto, nem que fosse só por um tempo. Estávamos, na prática, redesenhando nossas vidas, começando do zero (nós três e cinco malas) e o processo não seria fácil.
Finalmente, depois de uma busca exaustiva, encontramos um apartamento no bairro que queríamos.

Era um apartamento pequeno, ensolarado e monocromático (tudo marrom), com um aconchego razoável para uma fase de transição. Além disso, foi o melhor que conseguimos em um momento em que estávamos precisando ter um QG para organizar todo o resto. Ficamos nele por dez meses e, nesse período, vivi uma relação de amor e ódio. Sentia o ambiente me sufocando, um espaço pequeno para viver, trabalhar e ter uma criança circulando com seus brinquedos. Por outro lado, pensar em mais uma mudança em uma fase de indefinições, me fazia querer ficar lá pelo tempo que fosse necessário.

Depois de muita conversa e reflexão, Bruno e eu decidimos dar o passo rumo a uma casa mais nossa neste novo país. Depois de dez meses, decidimos novamente sair à procura de nosso cantinho. Mais uma vez a busca foi árdua. Inúmeras vezes pensei em desistir. Pensei que era bobagem, até capricho, esse meu desejo de voltar a ter um espaço com a minha cara. Até que, finalmente, há um mês, encontramos um novo apartamento. Maior, em uma rua agradável, mais arejado, e com uma bela sacada. Claro, com seus problemas e chatices. Mas, com um janelão e com umas árvores…ufa…que recompõem o meu fôlego, energizam minha mente e propiciam um ventinho suave que cura alguns desconfortos da alma. Depois que estamos aqui, tudo começou a fluir mais. As ideias, os projetos, o astral, a sensação de bem estar, finalmente nos sentimos mais em casa.

Janela apê

Janela apê 2

Engraçado como o ambiente tem um impacto tão profundo em nossas experiências cotidianas. Pouca luz, muita luz, ruídos, odores, espaços, quantas variáveis que de alguma forma direta ou indireta impactam nossa vivência. A produtividade, o humor, o bem-estar, bem ou mal, terminam sendo afetados pelo espaço físico onde nos encontramos. Sabe aquela sensação de sentir um alívio quando você sai de um ambiente quente, ruidoso ou simplesmente sombrio?!

Ao mudar de cenário você percebe como aquele espaço estava lhe sufocando, travando corpo e mente. Muitas vezes, uma “simples” mudança de casa traz uma mudança drástica na qualidade de vida. Rearranjar os móveis dentro de sua casa, ou a troca de algumas lâmpadas, ou, ainda, ter uma pequena horta, pode gerar uma mudança imensa no seu bem-estar. E você passa a sentir-se revigorado, feliz, com mais pique e energia para os desafios cotidianos. Ter um ambiente agradável para trabalhar, então, nem se fala. O impacto na produtividade, na satisfação e até nos relacionamentos entre colegas é direto. À bem da verdade, somos todos completamente suscetíveis ao ambiente que nos rodeia. A diferença é que alguns possuem mais sensibilidade do que outros. E estar em um ambiente que te faz bem, que te acolhe, traz um fluxo positivo em todos os aspectos de sua vida.

Mais um aprendizado nesse processo todo de mudança de vida: sou dependente de um espaço agradável, sensível às mudanças que envolvem meu lar e sou extremamente dependente de árvores. Uma dependência séria e doentia (risos). Sinto uma paz enorme ao ficar diante da beleza de árvores majestosas. Tanta vida ali na minha frente…

 

Melissa

 

***

Já conhece as Dicas Borbulhantes? 

A melhor maneira de realizar seus sonhos é…

09/12/2015

Você já parou para pensar quantas oportunidades já perdeu? E olha que não estou falando daquelas que foram apresentadas escancaradamente a você. Falo daquelas que estão nos detalhes, nos suspiros, nas frações de minutos que permitem gerar encontros, desencontros, abrir mundos e expandir limites. Esteja certo que todos nós perdemos muitas oportunidades todos os dias quando simplesmente nos contentamos em executar sempre o mesmo ritual diário, respirando o mesmo ar, na mesma cadência, com o mesmo olhar.  Acordamos, tomamos café, saímos correndo para o trabalho…tudo isso dentro de nosso próprio mundo interno e externo. Fazemos sempre o mesmo caminho para o trabalho, paramos nos mesmos locais para comprar um lanche. Subimos no elevador em silêncio, rodeados de pessoas que estão fazendo exatamente a mesma coisa. Uma vez ou outra alguém improvisa, decide puxar uma conversa com você…quantas dessas vezes você tentou ser breve, desconversar ou até sair pela tangente o mais rápido possível. “Que coisa chata e estranha um desconhecido conversar do nada…contar sua vida…abrir seu coração no meio do ônibus, de uma fila do banco, sem mais nem menos. Com certeza, não deve bater bem da cabeça”.

Quando falamos em mudar de vida, não imaginamos como essa mudança está tão ao nosso alcance. Não imaginamos como a vida nos lança milhões de oportunidades em cada fração de segundo de nosso cotidiano frenético. A regra geral, é claro, é viver com a mente fechada e os olhos vendados. Reclamando da pobre coitada da vida. Nos lamentando por tudo que gostaríamos de ter, sem conseguir enxergar tudo que realmente está ao nosso alcance. É preciso reconhecer: há abundância em todos nós e em nossas vidas, independente da realidade que estejamos vivendo. O grande desafio é se conectar com essa abundância.

Bruno e eu, nesse nosso processo de mudança para o Uruguai, buscávamos uma vida mais humana, mais lenta, com mais respirações, mais contato com pessoas como nós. Durante muitos meses conversamos e lemos sobre a importância de imaginarmos (meditarmos) o estilo de vida que queríamos. De sentirmos a energia positiva vinda dessa nova realidade que buscávamos. Isso nos permitiria nos conectarmos com a energia de outras pessoas e, principalmente, de oportunidades da vida que estariam no mesmo nível vibracional. Por isso, adotamos o hábito e todos os dias meditamos, imaginamos, desejamos e sentimos aonde queremos chegar. Sim, todos os dias! Mas, neste final de semana, algo aconteceu. Nossos olhos se abriram. Enxergamos a nossa volta.

Para vocês entenderem, preciso comentar que em março deste ano, há nove meses, Bruno foi ao parquinho com o Martin. Lá, Martin fez amizade com uma menininha que estava com sua mãe. No desenrolar das brincadeiras das crianças, estabeleceu-se uma conversa entre os adultos. No final dessa conversa, a mãe da menininha convidou para irmos tomar um café na casa deles. Houve troca de telefones e pronto, o encontro se concretizou num sábado à tarde. Fomos sem ter a mínima ideia do que nos esperava, apenas sabendo que iríamos nos encontrar com um casal, que assim como nós, tinha um filho pequeno. Um tipo de situação minimamente inusitado nos dias de hoje. É raro alguém que não te conhece tomar essa atitude. Mais ainda entre gêneros diferentes. Ah, se poderíamos ter recuado? Sim! Desconversado? Sim, também! Julgado a atitude como estranha, e muitas outras coisas mais? Sim, novamente! Mas, fizemos o oposto. Prestamos atenção a essa oportunidade que a vida estava nos lançando. Tínhamos diante de nós a chance de fazermos novos amigos.

Hoje, essas pessoas são nossos grandes amigos e nos permitiram abranger mais ainda nosso circulo de amizades por aqui. E neste final de semana, participamos de um grande encontro com todos. Foi tudo simplesmente humano, descomplicado, verdadeiro, tenro e extremamente gratificante. E aí caiu a ficha…aquilo que tanto desejamos está acontecendo. Estamos nos conectando com pessoas que estão em sintonia com o que queremos. Começamos a perceber que as pessoas que fazem parte desse grupo, praticamente todas, possuem uma vida incomum…com histórias diferentes e planos variados para o futuro. A conversa flui, há um carinho e cuidado com o outro, um interesse por conhecer, por entender, por aprender com tantas experiências de vida inusitadas.

E a porta para vivenciarmos tantas experiências interessantes com esses amigos foi aberta pela vida em uma pequena fração de minutos, em um parquinho de Montevidéu, em um horário habitual, em um dia corriqueiro. Poderia não ter dado em nada. Martin teria brincado, ele e Bruno teriam voltado para casa e nós continuaríamos sonhando em nos conectarmos com gente como a gente.

Essa foi uma das oportunidades que conseguimos enxergar…com certeza muitas outras ainda estamos perdendo. Perceber a abundância em nossa volta é difícil, mais ainda quando estamos preocupados com nossos próprios botões. Quando estamos preocupados mais com o que está faltando do que com o que temos presente em nossas vidas. Portanto, a melhor maneira de você realizar os seus sonhos é abrir os olhos para as oportunidades. Há uma frase que resume tudo isso muito bem: “quando mudamos a forma de ver as coisas, as coisas simplesmente mudam”.

Forte abraço

Melissa

Somos (muito) mais fortes do que pensamos

07/10/2015

Antes de decidir dar um basta em nossa antiga vida, Melissa e eu passamos por um longo processo de reflexão. Não foi fácil “puxar o gatilho”. Precisamos de muita inspiração. E tal inspiração veio de fora. Lemos blogs, livros, assistimos muitos e muitos vídeos, pois nossos amigos e conhecidos não estavam na mesma sintonia.

Um desses vídeos, em particular, foi marcante para mim. Um americano, um tal de Scoot Dinsmore, deu uma palestra altamente inspiradora no TED. Ele havia criado uma comunidade com milhares de seguidores. E criou um negócio milionário a partir dessa comunidade. O que ele fazia? Ajudava as pessoas a encontrarem o trabalho que amavam. E o fazia muito bem. Em seu site, disponibilizava uma porção de ferramentas interessantes para ajudar qualquer um a encontrar seu caminho na vida. Contabilizava com orgulho o número de pessoas que haviam pedido demissão depois de conversar com ele.

Scott decidiu passar o ano de 2015 viajando com sua esposa Chelsea. Venderam tudo o que tinham em São Francisco, nos EUA, e saíram pelo mundo. O objetivo era encontrar pessoalmente as pessoas que formavam sua comunidade. Passaram pela América do Sul, América Central e Europa.

Há cerca de um mês, decidiram desviar o roteiro para a Tanzânia, pois Scott tinha um sonho antigo de escalar o Monte Kilimanjaro, o mais alto da África. E, numa perversa ironia, foi justamente realizando um de seus sonhos que ocorreu uma tragédia. Durante a subida, uma rocha caiu e atingiu Scott, que faleceu ali, aos 33 anos de idade.

Scott deixou um legado maior que sua própria vida. O mais curioso sobre Scott é que ele criou tudo isso sem ser uma figura especial. Não tinha uma aura intelectual, não parecia um ser iluminado, um guru. Ao contrário, ele era bem normal, e falava constantemente de seus defeitos. Isso transmitia uma mensagem clara e importante para mim: “Se ele conseguiu, por que eu também não posso?”. “Encontrar” o Scott foi decisivo para puxar o gatilho, abandonar Brasília, e me mudar para Montevidéu.

Eu havia trocado algumas mensagens com ele, mas não era alguém próximo a mim. Mesmo assim, quando soube, fiquei em estado de choque. Foram dois dias até acalmar o coração. Tinha vontade de conhecê-lo pessoalmente. Ele havia feito uma diferença enorme na minha vida.

Milhares de pessoas lamentaram sua morte tão prematura. Mas eu ficava pensando como deve ter sido para sua mulher, que tinha planos de uma vida inteira com ele, enfrentar todo o sofrimento de uma perda tão repentina e inesperada. Há alguns dias, Chelsea enviou um e-mail para a comunidade do Scott. Um e-mail tão belo, que gostaria de compartilhar um trecho que me tocou bastante:

Não há palavras que possam descrever totalmente a descrença que eu ainda sinto, a dor de acordar todas as manhãs, e a incerteza na vida que eu tenho à minha frente. […] Mas, se há uma coisa que eu aprendi mais e mais durante a nossa viagem, é que nós somos muito mais fortes do que pensamos. Se alguém tivesse me dito que isso ia acontecer, eu iria me trancar em um quarto escuro e nunca mais sair. Mas a resiliência do espírito humano me surpreendeu. Em vez de mergulhar nas profundezas do que eu não tenho, eu estou agarrando-me ao que eu tenho.

Eu, quando passo por situações de perda, costumo pensar sobre a minha própria vida. E foi isso que fiz quando soube da morte do Scott. Acho que não há como passar pela vida sem problemas, conflitos, desgostos e, até, pequenas ou grandes tragédias que nos atingem ao longo de nossa estadia nesse planeta.

Mas passamos… Sobrevivemos… E nos fortalecemos. Somos fortes para sair da cama todos os dias, por mais que seja difícil às vezes. Somos fortes para superar corações partidos. Somos fortes para levantar após cada queda, para recuperar tudo o que perdemos. Somos fortes para nos curar de doenças, até das que, há pouco tempo, eram incuráveis. Somos fortes para enfrentar as mais duras perdas.

E quer saber? Também somos fortes para enfrentar os nossos medos. Somos fortes também para bancar nossos sonhos, para arriscar, para corrigir nossos erros, para cair e levantar mais uma vez, e mais outra… Meu caminho e o do Scott se cruzaram no momento preciso, e eu agradeço a Deus por isso! Ele morreu aos 33 anos, e, como afirmou seu pai, viveu mais do que muita gente que carrega uma vida inteira nas costas.

 

Bruno

Três dicas curiosas para parar de perder tempo

29/09/2015

A vida é efêmera, isso não é novidade para ninguém. Devemos aproveitá-la ao máximo, usufruir de momentos em família, com amigos. Concretizar sonhos, ter a coragem para mudar, se reinventar. E acima de tudo, é preciso parar de perder tempo. O tempo não se compra, o tempo não volta. Mas, como parar de perder tempo se não somos donos do próprio tempo?! Temos que trabalhar, com horário fixo. Tem o trânsito, os afazeres modernos, cuidar de filhos, de casa, pagar impostos, gerenciar tudo isso…Pois bem, existem três atitudes simples que estão sob seu controle e que podem mudar completamente sua relação com o tempo:

  • Durma mais.

Dormir oito horas por noite e tirar um cochilo durante o dia pode parecer demais, mas não. Pesquisas apontam que as pessoas que dormem melhor, que descansam mais, conseguem obter mais sucesso em seus afazeres. Com o corpo e a mente descansados você fica mais disposto para realizar suas tarefas, cumprir com seu cotidiano atribulado. Você fica mais focado, e, automaticamente, evita muita perda de tempo e até procrastinação. Portanto, dormir menos para ter mais tempo para produzir é um grande erro. O tempo que você ganha acordado, perde tendo dificuldade de concentração, cansaço, irritação, etc. Sem contar o cansaço acumulado que não é recuperado com horas adicionais de sono nos fins de semana.

  • Passeie mais

Oxigene seu cérebro. Sim, saia de casa sempre que possível. Tenha um hobby, um lazer. Faça exercício físico, converse com amigos. Namore muito. Desfrute de prazeres. Mas, não somente nos finais de semana. Dê-se prazeres diários que vão permitir a você desplugar e se conectar com o lado positivo e energizante da vida. Fazer o cérebro respirar ao vivenciar essas experiências positivas vai permitir gerar mais resiliência e tranquilidade diante das demandas. Automaticamente, você perderá menos tempo com angustias, estresses, e concentrará suas energias para obter soluções mais eficientes e rápidas. Além disso, é ao vivenciar experiências novas e positivas que você consegue vislumbrar opções diferenciadas de vida, soluções inovadoras para problemas e descobrir novas sensações.De quebra, você estará aguçando a criatividade, a mesma que te auxiliará a ter jogo de cintura na hora de lidar com as mil demandas do dia-a-dia. Não é à toa que o Google tem sala de jogos no ambiente de trabalho.

  • Faça as escolhas certas

Pois é, saber fazer a escolha mais acertada para você não é evidente. A maioria das pessoas perde-se num mar de demandas e possibilidades. Sem contar que, por dificuldade de definir as prioridades e o que é mais adequado para elas, assumem muito mais tarefas do que podem. Acreditam que com essa ação estarão demonstrando eficiência e sendo prestativas. Mas, isso é um dos maiores equívocos. Definir o que é melhor para você e o que você consegue realizar com mais qualidade é fundamental para evitar perder tempo com tarefas desnecessárias e superficiais. No vídeo Dica Borbulhante #1 você poderá conhecer um método infalível para aprender a fazer a escolha certa. E claro, escolhas certas vêm associadas à capacidade de conseguir dizer não para as demais opções e inúmeras pessoas. Por isso, em um próximo Dica Borbulhante vamos abordar esse tema: Como dizer não. Acompanhem. São dicas preciosas que aprendemos com Greg McKeown, autor do livro Essencialismo (recomendadíssimo, por sinal).

Essas três atitudes estão totalmente ao seu alcance, mas isso não significa que são fáceis de realizar. Somos educados para acreditar que o certo é debruçar-nos no trabalho, é trabalharmos horas extras, é assumirmos o máximo de responsabilidades possível, é, se preciso, abdicarmos do lazer e do sono para atingirmos nossos objetivos. Fique atento e não caia mais nessas crenças infundadas. Cuidar de você mesmo apenas permitirá que você viva a vida com mais clareza e consciência, reduzindo a perda de tempo pelo ruído excessivo que nos inunda cotidianamente.

Viver uma vida bem vivida só depende de nós!

Melissa

Como será o trabalho do futuro?

09/09/2015

A Uniqlo, rede japonesa de roupas, vai implementar a semana de 4 dias de trabalho. A ideia por trás é fazer com que os empregados fiquem mais satisfeitos e que tenham tempo para seus afazeres pessoais. No caso da Uniqlo, ainda é um teste, e não é tão bom quanto parece, pois as horas do dia não trabalhado devem ser acrescidas aos quatro dias de trabalho.

Por outro lado, essa decisão faz parte de um movimento maior e que está crescendo cada vez mais rápido. Os empresários se deram conta de que empregados felizes fazem bem aos negócios. Netflix e Wallmart também implementaram mudanças visando a deixar os funcionários mais satisfeitos.

Como um todo, é um movimento sem volta. Estamos vivendo uma fase de transição. O sistema tradicional de trabalho está em decadência. No Brasil, persistem os defensores ferrenhos da antiga CLT. Não dá para criticar, pois o setor empresarial brasileiro, de um modo geral, ainda é mais explorador do que inovador. No entanto, outras formas de relação laboral mais livres e menos “repressivas” tem ganhado espaço. Além disso, aumenta cada vez mais o número de jovens que empreendem pela internet. Com tantas alternativas ao trabalho “tradicional”, as grandes empresas terão que se adaptar para manter seus funcionários, criando benefícios e até aumentando os salários.

Aliás, por falar em empreendedores, o futuro é deles. A evolução tecnológica vai eliminando aos poucos os “trabalhos idiotas”, aqueles que não agregam mais valor à sociedade. Os trabalhadores do futuro aprenderão a se inserir socialmente de uma maneira sutilmente diferente: inovando, criando valor, e recebendo um retorno financeiro por esse trabalho.

A internet continuará encurtando distâncias, derrubando burocracias e simplificando a vida das pessoas. E o trabalho do futuro também “sofrerá” com isso. Conflitos do tipo Taxi x Uber tendem a aumentar cada vez mais. Os trabalhos “intermediários” vão acabar. Se o seu trabalho não é “atividade fim”, está na hora de começar a se preocupar. Pense, por exemplo, no que fazem o Google e o Facebook: eles eliminam intermediários, ou seja, conectam diretamente aquele que tem um problema a quem tem a solução. Tome outro exemplo: o AirBnb. A empresa não possui um imóvel sequer, mas faz a conexão direta entre quem tem um problema (precisa de hospedagem de curto prazo) e quem tem a solução (um quarto ou uma casa para alugar). Não são mais necessários telefonista/recepcionista de hotel, agências de viagem etc.

Esta é a grande sacada. Os novos empreendedores serão aqueles que resolverão os problemas das pessoas. Você pode estar pensando: isso sempre foi assim! É verdade. A diferença agora é que um indivíduo com um computador e conexão à internet pode resolver o problema de milhares de pessoas. E esses problemas serão cada vez mais específicos: cuidar do meu cachorro, aprender a jogar poker, aprender a resolver conflitos familiares. Para cada um desses exemplos, já existem empreenderes compartilhando conhecimento e fazendo dinheiro com a venda de seus produtos.

Thomas Friedman, ainda em 2005, no seu livro “O mundo é plano” já constatava essa tendência. Ele também previu que as fronteiras serão extintas. Um indivíduo venderá seu conhecimento para empresas e outras pessoas em qualquer lugar do mundo. A barreira da língua também tende a cair, graças aos cada vez mais sofisticados softwares de tradução. Você poderá compreender o que um chinês lhe disse, e responderá em português. Ele também lhe entenderá!

A área da educação também sofrerá uma revolução. A Educação formal que conhecemos, já não tem tanto valor. Não é por acaso que o sujeito estuda cinco anos na faculdade e depois vai trabalhar numa área que pouco tem a ver com aquilo que estudou. As universidades formam generalistas e o mundo cada vez mais valoriza os especialistas. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem especialistas que oferecem cursos completos pela internet de empreendedorismo, com duração de até um ano. Nenhuma universidade oferece isso! São jovens empreendedores, muitas vezes milionários antes dos 30 anos, que observaram uma demanda e criaram uma solução específica para um grupo específico de pessoas. O bom currículo, no futuro, será baseado no que a pessoa construiu, e não o quê, ou onde ela estudou.

As mudanças estão em curso. Você pode até ser contra, mas não adianta bater de frente. No futuro, tudo será diferente, e o seu trabalho também! Você está preparado?

 

Bruno

Quando um relacionamento acaba…Quando uma vida muda…

19/08/2015

Estamos de volta a Montevidéu, depois de passar dez dias em Brasília. Essa viagem ao Brasil, após seis meses morando fora, não estava inicialmente prevista em nossos planos. Nossa ideia era fecharmos pelo menos um ano fora, antes de cogitar qualquer retorno à terra natal. No entanto, por questões práticas da vida, tivemos/decidimos fazer essa viagem agora. E, foi uma decisão acertada…

Temos insistido no blog de que a mudança de vida vem em pequenas mudanças que você vai estabelecendo em seu cotidiano. Definitivamente, não é necessário sair viajando pelo mundo para realmente mudar de vida. Mas uma coisa precisa ser dita: a viagem te permite enxergar a vida com outros olhos. Não precisa ser uma viagem longa, muito menos uma viagem de avião. Pode ser uma viagem de um final de semana. O que importa é que você saia de sua realidade, viva novas experiências ou reviva experiências antigas sob uma nova perspectiva. Portanto, mesmo retornando a Brasília por alguns dias, um lugar que já vivemos, a viagem nos permitiu tornar mais palpável a mudança de vida que estamos fazendo.

Além de rever amigos, familiares e matar a saudade do açaí, da galinhada, etc, tivemos a possibilidade de sentir nossa antiga cidade. É interessante perceber o lugar onde morávamos com olhos de forasteiro. Sentir o ar que circula respirando fora dele. E, acima de tudo, dar um basta na idealização.

Curioso como a gente tende a idealizar algumas coisas depois que as deixou para trás. Isso é muito comum em términos de relacionamentos. Optamos por encerrar uma relação, mas, depois que encerra, nos momentos de solidão, temos a tendência de relembrar somente as coisas boas do antigo relacionamento. Esquecendo-se dos verdadeiros motivos que não faziam dar certo. O mesmo vale para mudanças de vida. Depois que você decide fazer a ruptura, é importante ser firme e perseverante. Nos momentos de dificuldade, é comum e natural relembrar a vida anterior com certa nostalgia, relembrando mais os momentos bons do que os ruins. Nessas situações, a idealização ocorre como um mecanismo de fuga. Afinal, tanto no término de um relacionamento, quanto em uma mudança de vida, de emprego, de cidade, você está diante do desconhecido. E o desconhecido assusta, amedronta, desestabiliza, te expõe à incerteza.

Eu vivenciei desde pequena essa experiência da idealização. Com seis anos, fui morar na França com meus pais, e voltei ao Brasil com doze anos. Voltei falando um português com sotaque e com hábitos muito distintos do local. Recordo minha dificuldade em adaptar-me à escola em que meninas com doze anos eram mini-mulheres e eu era uma menina-criança. A dificuldade de entender a lógica das provas de múltipla escolha. Sim, porque eu nunca havia feito uma. Eu não entendia porque um professor colocava escolhas de respostas para gerar um erro do aluno e não para medir o seu conhecimento. Eu não entendia o senso de falta de respeito ao professor, e muitas outras coisas. Na França, eu era líder de turma, amiga de todo mundo e reconhecida pelos professores. No Brasil, eu era vista como uma criança com problemas de adaptação, vítima de bullying e com um círculo pequeno de amizades. Passei grande parte de minha adolescência e juventude sonhando com a França, como eu gostava de morar lá e como lá tudo era incrivelmente “perfeito” para mim, como eu me encaixava e era valorizada.

Quando jovem adulta, tive a oportunidade de retornar para fazer um mestrado e adivinhem: cadê aquela realidade maravilhosa que eu recordava como ideal?! Não vou negar que sempre me senti muito bem na França e sempre gostei muito de morar lá. Mas, como adulta, pude perceber muitas questões que não se encaixavam com minha visão de mundo, meus desejos de vida e opções que eu vislumbrava para meu futuro.

Essa minha experiência me fez abrir os olhos, passei a compreender mais claramente como a “idealização” é usada como uma ferramenta de fuga diante de uma dificuldade real no presente. Mas, mesmo assim, apesar de estar atenta, até hoje caio na armadilha da idealização. Confesso que, em alguns momentos aqui no Uruguai, cheguei a pensar com certa nostalgia sobre minha vida antiga (que não mais me satisfazia).

Por isso que idealizar aquilo que você optou por deixar para trás é mais do que natural. Render-se a essa idealização é que não pode. Não pode justamente porque é uma idealização, não é algo fiel à realidade. É um conjunto de sentimentos e lembranças que fazem você reviver de forma mais romântica a realidade que você acaba de deixar para trás. A decisão de mudar de vida é, de certa forma, drástica e você passa a reestruturá-la do zero. Reformatar uma mente viciada em hábitos é muito difícil. Encontrar aliados que te incentivem a ser perseverante é mais difícil ainda. Por isso, diante das dificuldades, fiquem atentos aos momentos de idealização, eles virão com certeza!

Meu jeito de lidar com tudo isso é sempre tentar manter em mente o que me fez querer mudar de vida. Na prática, vale a pena escrever em um papelzinho por que você quer mudar de vida e o que irá acontecer caso você não mude ou desista no meio do caminho. Carregar esse papelzinho no bolso, na carteira, e, sempre que precisar, lê-lo. É como se você carregasse um papelzinho com sua versão lúcida e racional, é você dando uma sacudida em você mesmo e mandando para longe as armadilhas da mente.

No meu papelzinho está escrito o seguinte: “Decidi mudar de vida pois desejo ter mais tempo de qualidade com minha família e desejo ser dona da minha vida. Se eu desistir, terei que voltar a trabalhar para alguém e terei que ficar afastada de meu filho mais de oito horas por dia.”

E no seu? O que você escreveria?

Melissa

11 perguntas para lhe ajudar a encontrar seu rumo na vida

24/06/2015

Cansado dessa vida louca? Esperando ansiosamente o final de semana para descansar ou fazer algo que goste? O que você gostaria mesmo é de chutar o balde, largar o emprego, fugir e…e…fazer o que?

Em que você trabalharia se pudesse escolher o trabalho dos seus sonhos? Se você sabe a resposta para essa última pergunta, é um/a felizardo/a. A maioria de nós não sabe. Não fomos treinados para explorar nossas habilidades e descobrir nossas paixões. As perguntas abaixo podem ajudar a você se encontrar. Foram baseadas no material disponibilizado por Scott Dinsmore, que tem uma palestra no TED Talks com mais de 2 milhões de visualizações. Ele criou uma comunidade para ajudar as pessoas a trabalharem naquilo que amam.

Se você está pensando seriamente numa mudança de vida, vale a pena parar para pensar e refletir sobre cada uma delas:

1) O que te deixa feliz?

Você, possivelmente, vai responder algo do tipo “adoro estar entre amigos e conversar” ou “adoro assistir ao show de minha banda favorita”. Isso ajuda, mas não resolve. Tente descobrir por que tal coisa te deixa feliz. Que tipo de amigos você tem? Sobre o que mais gostam de conversar? Que tipo de música sua banda favorita toca? Por trás das respostas existem paixões. Se você, por exemplo, gosta de assistir espetáculos de dança moderna, não quer dizer que deva ser bailarino ou crítico de dança. Mas talvez você seja uma pessoa mais progressista que conservadora, talvez goste mais de arte do que ciência, por exemplo.

2) Quem você admira? Por quê?

Deixe o fanatismo de lado, e tente ser mais racional. Pense em alguém por quem você tem um profundo respeito. Alguém que te inspire, que te faça refletir com o que diz. Pode ser político, artista, um líder social ou espiritual. Em seguida, tente entender o que essa pessoa tem que o faz admirá-lo. Provavelmente, você tem algo em comum a pessoa escolhida.

3) Qual a última vez em que você ficou extremamente orgulhoso com o resultado de seu trabalho?

Abra a cabeça também para trabalhos não remunerados ou voluntários. Se você ficou orgulhoso, é sinal de que fez bem feito, que se dedicou e fez com carinho. Seu caminho está por aí.

4) Qual foi a última vez que perdeu o sono de excitação pelo que vinha no dia seguinte?

Claro, não vale se o sono foi perdido por nervosismo. Sabe aquela festa que você está ansioso para que chegue logo? Já teve a mesma sensação com um projeto pessoal, ou mesmo no seu trabalho atual?

5) Qual foi a última vez em que você perdeu completamente a hora no trabalho ou com algum projeto pessoal?

Quando a gente gosta do que faz, não vê o tempo passar. Qual a última vez que isso aconteceu com você? O que isso diz sobre você?

6) Por que seu melhor amigo ou amiga gosta de você?

Pergunte. Ele provavelmente também não vai saber. Peça para pensar no assunto. A resposta pode te surpreender e te mostrar caminhos.

7) O que você faria numa segunda-feira, três meses depois de ganhar na loteria?

Imagine que ganhou na megassena há três meses e dinheiro não é preocupação. Você tem que planejar o que fará na próxima segunda-feira. Como você gastaria seu tempo neste dia, sabendo que a euforia já passou, você já comemorou o suficiente, e que seus amigos estarão todos trabalhando normalmente?

8) Se você tivesse certeza de que não vai falhar, que plano tiraria da gaveta e começaria amanhã?

9) Como você gosta de ajudar as pessoas?

Seus amigos ou colegas de trabalho pedem sua ajuda? Para fazer o que? Isso pode ajudar a descobrir como você é visto pelos outros, mas talvez não seja capaz de ver por si só.

10) Se você tivesse que trabalhar de graça por uma semana, mas pudesse escolher, que trabalho faria?

Em outras palavras, o que você gosta tanto de fazer que faria até de graça?

11) O que você gostaria de ouvir dos seus amigos e colegas no seu próprio funeral?

Vivemos um período de transição, onde, cada vez mais, é possível encaixar nossos sonhos e habilidades nas demandas do mundo. O primeiro passo para mudar de vida é se descobrir, encontrar nossas habilidades e paixões. Isso deveria ser evidente, mas a verdade é que não é, nem para pessoas mais vividas. Espero que essas perguntas ajudem você, comigo funcionou.

Se gostou, compartilhe. Envie para alguém que também possa fazer bom uso de alguns momentos de reflexão.

Bruno

Saiba por que a escola te preparou para o fracasso

17/06/2015

Já notou semelhanças do sistema educacional com a produção numa fábrica? Não é por acaso que temos “séries escolares”, assim como temos produção em série. Assim como um operário se especializa em apertar parafuso e faz isso ao longo do dia inteiro, o professor entra em sala de aula, repete o que tem que ser “ensinado” aos alunos e, após o sinal, muda de sala e repete tudo para a turma seguinte.

O atual sistema educacional segue modelo criado à época da revolução industrial, e a seu exemplo. Antes disso, não existia escola como temos hoje. Esse sistema foi criado para preparar os alunos para trabalhar na indústria, que gerava a mair parte da riqueza no mundo. Daí a necessidade de se criar um sistema universal de ensino que pudesse suprir as demandas da indústria e preparar as pessoas para “aquele futuro”. Bastante razoável, não?

E nos dias de hoje, onde está sendo gerada a riqueza? O sistema educacional deve preparar os alunos para uma economia baseada na indústria, como há mais de um século? Apesar de sermos completamente dependentes de recursos naturais e dos produtos industrializados, não é mais aí que a riqueza no mundo é gerada. Meu computador e até a mesa sobre a qual ele repousa foram fabricadas na China. Hoje, quase tudo que temos em casa, de móveis a equipamentos eletrônicos foram produzidos na ásia. Quase tudo pode ser copiado e reproduzido de forma rápida e barata. Isso indica que o processo de fabricação das “coisas” gera pouca riqueza.

Então, afinal, onde a riqueza é produzida hoje? Para que futuro o nosso sistema educacional deve estar orientado? Dou uma dica: pesquise as empresas mais valiosas no mundo. Veja onde estão os salários mais altos do mercado. Seja lá a resposta que você encontre no Google, ela pode ser resumida em uma palavra: inovação.

Vivemos hoje numa economia baseada na inovação. Não se atenha somente à tecnologia da informação, computadores, informática etc. A inovação está presente em tudo, inclusive nos modernos processos da produção agrícola e da indústria.

Nossas escolas estão preparando nossas crianças para uma economia baseada na inovação? Suponho que saiba a resposta. Somos todos frutos de um sistema educacional secular e obsoleto, que pouco se desenvolveu desde seus primórdios. Não é estranho? Vivemos em plena economia da inovação, mas nosso sistema educacional está formando adultos para o mundo de 100 anos atrás.

Para entrar numa universidade, ápice de nossa educação formal, é necessário que o aluno prove seu conhecimento em toda uma gama de assuntos que pouco lhe servirá no futuro. Numa economia da inovação, contudo, ninguém se destaca sendo um generalista. Para adicionar valor ao mundo, é preciso ser bom em algo novo, que ninguém ainda explorou. Se é algo novo, que ninguém criou, estamos falando de CRIATIVIDADE.

Peter Thiel, fundador do Pay Pal, e um tipo visionário, afirma em seu livro “De Zero a Um” que

“No ensino fundamental, somos encorajados a começar a acumular ‘atividades extracurriculares’. No ensino médio, alunos ambiciosos competem ainda mais para parecer onicompetentes. No momento em que o estudante chega à faculdade, passou uma década montando um currículo espantosamente diversificado, preparando-se para um futuro completamente incognoscível. Venha o que vier, ele está pronto – para nada em particular.”

Thiel também indica o que deveria ser feito:

“[…] em vez de perseguir a mediocridade multifacetada e dizer que tem uma formação abrangente, uma pessoa determinada decide o que é melhor fazer e depois faz. Em vez de se esforçar para se tornar indistinguível, procura ser grande em algo substantivo.”

Cada indivíduo tem habilidades únicas e nós, como sociedade, precisamos de um sistema educacional em que as potencialidades individuais sejam lapidadas de forma singular, e não asfixiadas como ocorre hoje. Dessa forma, estaremos habilitando nossos jovens a se inserirem num mundo futuro como protagonistas e não como coadjuvantes. Precisamos de uma revolução na educação. É preciso sair da zona de conforto, quebrar paradigmas, investir na criatividade e na inovação. Do contrário, avançaremos ao futuro com os olhos fixos no retrovisor. Corremos o risco de bater de frente com a realidade.

Bruno