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Saindo da zona de conforto

Como sobrevivi a uma “pequena morte”

15/06/2016
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Quando a gente fala em um ano sabático ou em ficar sem trabalhar por um tempo, bate certo medo. A questão de sair do mercado de trabalho e não conseguir voltar é algo que aterroriza muita gente. O receio de perder o lugar, de comprovar que você é descartável, gera, no mínimo, um desconforto emocional. Eu percebo, também, que sentimentos similares circundam pessoas que estão prestes a se aposentar. Casualmente, nos últimos tempos, conversei com duas pessoas que vão se aposentar daqui a dois anos, e foi bastante interessante. Ambas mulheres, inteligentes e que tiveram uma vida bastante atribulada, cheia de compromissos, cuidando de filhos, trabalhando mais de oito horas por dia. Ambas estavam desconformes com a chegada da aposentadoria.

Na realidade, a conversa surgiu depois que comentei como era difícil trabalhar integralmente em casa. A falta de contato social mais intenso no cotidiano e a necessidade de administrar meu tempo, meu espaço, juntamente com minha vida pessoal, são, atualmente, desafios grandes para mim. Até esta experiência no Uruguai, eu não tinha tido um período de “calmaria” como adulta. A partir do momento em que entrei na faculdade, passava o dia fora de casa, trabalhando e estudando. Depois da faculdade, em meus empregos, sempre tive demandas mil, viagens a trabalho… O dia passava voando e os finais de semana eram repletos de coisas que precisava fazer, pois não tinha tido tempo durante a semana. Quem se identifica aí, levanta a mão!

A conversa que mais me marcou foi com uma senhora que conheci em um almoço na casa de amigos. Ela é estrangeira, diretora de um colégio renomado e quando me ouviu falar de minhas dificuldades de trabalhar em casa, comentou: “Hum, eu nem imagino como vai ser para mim quando eu me aposentar. Passar de um cotidiano cheio de atividades e em contato com pais, alunos…de repente…nada disso existirá mais”. Uma pessoa que ouviu esse desabafo em seguida lançou o maior clichê de todos: “Ah, mas você terá tempo para fazer tudo que sempre sonhou e que não podia”. A resposta dela foi tácita: “Mas, eu sempre fiz o que queria, não deixei tantas coisas para trás!”. E agora?

Domingo passado, vivenciei uma situação similar, só que desta vez com uma prima. Durante um almoço, ela fez um desabafo similar. Ela está cansada de trabalhar aos finais de semana, de ficar batendo ponto, negociando férias! Mas já pensou ficar sem ter trabalho? Sem sair de casa por obrigação, sem ver gente, sem interagir intensamente, sem compartilhar conhecimentos? Sem ser referência para alguém em nível profissional? De alguma forma eu pude ver nela o medo pelo que estava por vir. Era uma “pequena morte” que se aproximava.

Engana-se quem acha que somente vivencia-se isso às vésperas de uma aposentadoria. Está certo que, a partir de certa idade, o mercado de trabalho é bastante exigente com faixas etárias e em algumas realidades ser mais velho significa ser desnecessário e ultrapassado. São poucas as realidades que, hoje, encaram os mais velhos como pessoas mais sábias, vividas e fundamentais para a evolução da sociedade e a construção de novas gerações. Portanto, estou longe de menosprezar as dificuldades que envolvem esse momento na vida das pessoas. No entanto, consigo visualizar uma interface de conexão entre a aposentadoria e minha opção por trabalhar em casa: nas duas, você é confrontado por si mesmo. Nas duas você precisa lidar consigo sem tanto “bombardeio” externo. Em ambas surge a urgência em se redescobrir.  

Quando eu optei por sair de um emprego formal, por mais que fosse uma decisão acertada no momento, fiquei apreensiva. O medo do desconhecido, do “isolamento” social. Eu estava me afastando de um padrão de trabalho e de vida que a maioria tem e que a maioria valida como “é a vida”, “é assim, precisa aceitar”. Inclusive, na época, cheguei a escrever um post falando sobre isso, pois algumas pessoas chegaram a me falar que eu estava sendo adolescente (imatura). Até hoje eu não entendo como alguém pode pensar que tomar essa atitude de vida possa ser algo imaturo, mas, enfim…não vem ao caso.  E  um ano e sete meses depois sabem o que eu descobri? Que aquela vida atribulada, cheia de horários, compromissos, sem espaços para vivenciar minhas reais necessidades estava me dominando, me doutrinando. Eu era uma executora de tarefas e achava que tinha algum tipo de controle. Era como se eu estivesse vivendo em um constante ruído. E somente hoje, depois de um ano e sete meses, é que eu percebo que esse ruído saiu de mim. Hoje eu consigo perceber o que sou e quem sou fora de um sistema que me mudava, que me afetava e me tornava alguém pior, mais estressado e menos feliz.  Sabe aquela sensação de acordar mal humorado mas não saber exatamente por que? Ficar irritado no trânsito. Brigar com um atendente no supermercado. Dar margens a picuinhas no dia-a-dia do trabalho. Sair correndo para almoçar. Sair voando para poder buscar o filho na escola. Tudo isso se foi. Hoje eu sou só eu, vivenciando minha vida sem a sobrecarga das coisas e dos outros, e consigo me perceber e perceber meu entorno com muito mais clareza, pela primeira vez na minha vida.

Se eu tenho saudades de conviver com meus colegas? Sim! Bastante, mais ainda por que éramos um grupo de trabalho sensacional. Mas, se eu me arrependo de ter feito essa opção? Não!  Com certeza e facilmente, se eu não tivesse pisado no freio, eu teria passado minha vida inteira nessa barulheira e só perceberia quando a minha aposentadoria chegasse. E aí, nessa hora, provavelmente viveria os mesmos dilemas das mulheres que mencionei. Me depararia com um vazio, com um “e agora?” enorme. E com a ilusão de que finalmente poderia me dedicar a tudo aquilo que não tive tempo.

Existem grandes chances que um dia eu volte a ter uma vida mais “normal” por opção. Afinal, quero ter novos desafios e voltar a ter um convívio mais intenso com pessoas, com um ambiente de trabalho, etc. Mas, uma coisa eu tenho certeza, não voltarei da mesma forma como eu saí. Algo mudou, uma consciência maior se estabeleceu. E de alguma forma, eu perdi o medo de perder meu lugar em um trabalho, eu perdi o medo de ficar fora do sistema, dessa vida que “precisa” ser vivida com ruído. Aos 35 anos acho que posso dizer que vivenciei essa “pequena morte” e percebi o quanto de vida existe em mim!

Abraço

Melissa

5 atitudes fundamentais para quem quer mudar de vida

17/05/2016
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Um dos grandes benefícios de se ter um blog sobre mudança de vida é poder conhecer muita gente e, principalmente, conhecer suas histórias. Sempre respondo com muita gratidão às pessoas que, em um voto de confiança, nos escrevem contando um pouco o que estão vivendo, onde gostariam de chegar e, pedindo algum tipo de orientação.  Não pense que seja fácil responder a esses e-mails. Ao mesmo tempo em que quero falar em alto e bom som “Vai lá, se jogue, arrisque!”, preciso trazer à tona as dificuldades envolvidas em uma mudança, sem ser negativa demais. Afinal, mudar é algo sensacional, sim, e vale muito a pena. Mas, não é para todo mundo.

E como saber se realmente você irá “suportar” uma mudança de vida? Como saber se você tem a perseverança suficiente, a força suficiente, a clareza suficiente? Essa é a parte ruim, não dá muito para saber com antecedência. Algumas dessas respostas surgem somente com a vivência.  É preciso vivenciar uma mudança de vida para, aí sim, poder tirar algumas conclusões sobre você, suas características, suas dificuldades.  Mas, isso não impede de refletir bastante e analisar seus pontos fortes e fracos antes de fazer qualquer movimento rumo a uma mudança. Assim, é possível preparar-se ou fazer planos mais condizentes com suas próprias possibilidades.

Na tentativa de fazer com que as pessoas consigam decifrar-se antes de se jogar em uma mudança de vida muito ousada, enumerei cinco atitudes fundamentais que fazem a diferença no momento de enfrentar as dificuldades:

1) Ter confiança em si: pode ser algo fácil de falar, algumas pessoas podem até se auto intitular “confiantes” porque têm sucesso em um trabalho, ou porque têm dinheiro, etc. Mas, a “confiança em si” não diz respeito ao que o mundo exterior fala sobre você. A confiança tem a ver com você acreditar em seus potenciais, sem precisar receber o feedback externo para se auto afirmar. Você, em um momento de mudança de vida, mais do que nunca precisará acreditar em sua capacidade de superação, em sua força e competência. E acima de tudo, você precisará ter confiança em si para espantar o medo do fracasso e seguir adiante.

2) Saber abraçar seus fracassos: Ninguém gosta de fracassar, muito menos de que esse fracasso seja divulgado a todos. Queremos ter sucesso em nossas empreitadas, ser motivo de orgulho. Em uma mudança de vida, impreterivelmente sua trajetória será plena de pequenos fracassos até você poder declarar ter tido sucesso. É fundamental compreender que os fracassos fazem parte do processo de crescimento e que os fracassos te auxiliam a ir traçando o caminho. Abraçar seus fracassos significa aceita-los e de alguma forma valorizá-los.

3) Compreender que cada coisa tem seu tempo: Ok, este é uma atitude fundamental. Esperar que em pouco tempo sua vida já esteja organizada, estabelecida, funcionando…esperar adaptar-se a uma nova realidade com rapidez é um tiro no pé. Se você vai fazer uma mudança de vida com outras pessoas, com familiares, é preciso ter claro que cada pessoa irá responder diferente e terá suas próprias dificuldades. É preciso dar tempo para que as fases de transição e a adaptação sejam vivenciadas com realismos, serenidade e, eu diria sensibilidade. Tenha em mente de que a adaptação pode demorar meses.

4) Saber sonhar sem se iludir: Existem sempre aquelas pessoas que, por estarem com dificuldades, descontentes ou infelizes, começam a sonhar com uma vida melhor. Mudar de país, de emprego, de cidade, até de relacionamento, é um sonho para muitos. Até aí, tudo bem. O problema é quando esse sonho toma uma dimensão de ilusão afastando-se significativamente da realidade. É preciso ter sempre presente que não vai ser fácil, que vão existir dificuldades. Com o tempo, a nova realidade, o novo relacionamento também vão ter suas dificuldades, suas chatices, suas “monotonices”. Cabe a você conseguir sonhar com realismo! 😉

5) Parar de insistir e começar a persistir: Quando insistimos, repetimos atitudes esperando que o resultado seja diferente. Mantemo-nos imutáveis aguardando uma mudança do entorno. Quando persistimos, aprendemos com os nossos erros, buscamos conhecimento e tentamos novamente, mas de um jeito diferente. Vamos transformando-nos à medida que as respostas da vida vão chegando. Adaptamo-nos à realidade e buscamos novos caminhos para o que queremos. Precisamos ser flexíveis e saber que quem decidiu mudar precisa ser maleável ao novo entorno que escolheu e aos acontecimentos que virão.

Mudar de vida é revigorante, refrescante…vai lá, é MUITO bom! Você se sente vivo! É como se você estivesse no comando, no controle de sua própria vida…nada de viver no piloto automático. Passar pelas dificuldades de uma mudança de vida vale muito a pena, pois você adquire uma resiliência e uma confiança insuperáveis.  Conseguir “sobreviver” e viver fora da sua zona de conforto gera um sentimento muito agradável de bem estar. Você adquire a capacidade de perder o medo diante das dificuldades e sente que não importa o que aconteça, você terá sempre a capacidade de se reinventar. Os processos de descoberta, de superação, a perda do medo, valem qualquer esforço! Eu garanto!

Melissa

A história da jovem que escolheu as borboletas

04/05/2016
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Melissa adorava borboletas, por toda sua simbologia de transformação, renovação e beleza. Natural que quisesse usar borboletas na decoração de seu casamento. Refiro-me a borboletas decorativas, não as de verdade. Ela descobriu que não havia outras noivas pensando em usar borboletas para decoração de casamento. Revirou todas as lojas da cidade em busca de borboletas lindas e coloridas para usar na sua festa de casamento. Não encontrou. Continuou sua busca e investiu seu precioso e escasso tempo procurando borboletas em todos os sites de bugigangas chinesas. Não encontrou exatamente aquilo que queria. E agora? Melissa havia escolhido as borboletas, mas não encontrou nenhuma opção que lhe agradasse…

Miguel queria ser músico. Estudava oboé com afinco e queria dedicar-se profissionalmente ao instrumento. Ele sabia que o oboé era um instrumento um pouco peculiar e não muito popular. Concluiu que, para conseguir alcançar seu sonho, precisava passar num concurso para a orquestra sinfônica da cidade. Como as vagas eram poucas e a concorrência qualificada, o oboé virou um hobby, e Miguel virou bancário.

Cristina também queria seguir carreira musical e estudava fagote, um instrumento igualmente peculiar. Mas tocar na orquestra sinfônica era somente uma opção entre tantas outras. Sua escolha era ser fagotista. Descobriu que o mercado cinematográfico e de desenhos animados, demandava composições e artistas que dominassem aquele instrumento, justamente porque suas peculiaridades se adaptavam bem às necessidades daquele mercado. Tornou-se uma especialista e dominou aquele nicho específico. Depois de um tempo, se deu conta que ganhava um “salário” bem melhor do que um músico da orquestra sinfônica.

Escolher é melhor do que optar. Entenda “escolher” como sinônimo de “decidir”. Miguel encarou a carreira de músico como uma opção. Cristina, como uma escolha. Quando a gente analisa opções (mesmo que seja somente entre o “sim” e o “não”), deixa de decidir o que é melhor pra gente, e seleciona somente entre aquilo que já está disponível. Ao contrário, quando a gente escolhe primeiro, a partir de nossos desejos, olha para além das opções existentes. Abre-se um horizonte infinito possibilidades. A escolha nos permite criar algo novo e traçar um caminho ainda não explorado.

Veja que curioso. Sempre ouvimos que “quanto mais opções, melhor”. Aparentemente, ter opções na vida é excelente. Mas será mesmo? No terreno das “opções”, somos passivos diante das possibilidades. No terreno das “escolha”, somos agentes ativos, criativos e transformadores.

Não há nenhum mal em optar pelo melhor, desde que a melhor das opções se enquadre naquilo de desejamos. Mas isso não ocorre com quase ninguém. Quantas pessoas você conhece que escolheram, decidiram, trabalhar naquilo que realmente gostam? Poucas, não é verdade? Você hoje é formado mais por opções ou mais por escolhas que fez na vida? Pense em todos os seus empregos até hoje. Pense nos seus “amigos” no ambiente de trabalho, ou na faculdade, por exemplo. Quantas amizades você escolheu, e quantas você simplesmente optou por manter porque estavam ali “disponíveis” naquele momento de sua vida? Quantas permaneceram por mais de 5 ou 10 anos?

Aí você me diz: “- Ah Bruno, você fala como se fosse fácil simplesmente escolher e obter o que se deseja”. Eu respondo: “Não disse que é fácil. Disse que é possível e, sobretudo, que vale a pena.

Miguel e Cristina são personagens fictícios, mas baseados em um milhão de histórias verídicas. Melissa é real. Ela foi a uma loja de artes, comprou tecido, cola quente, lâminas transparentes e construiu suas próprias borboletas com a ajuda de seu futuro marido, que tinha lá suas habilidades artísticas (No caso, esse era eu! 😉 ). As borboletas ficaram lindas e deram um toque mais do que especial na decoração do casamento. Alguns anos depois, vendeu tudo que tinha em Brasília e se mudou para o Uruguai com o filho pequeno e o marido semi-criativo. Ela abriu mão das opções que a vida lhe apresentou e fez suas próprias escolhas. Escolheram levar uma vida com mais sentido… e com muitas borboletas.

 

Bruno

O pior erro que você pode cometer nos seus projetos de vida

27/04/2016
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Pronto, nada de dúvidas cruéis. Dilemas existenciais. Conflitos filosóficos. Você finalmente tomou a decisão de mudar de vida. Chegar até aqui já foi um grande desafio. Tomar a coragem de dar o passo rumo a uma nova vida foi um processo e tanto. Você está de parabéns! O problema é que inúmeras pessoas chegam a esta etapa justamente por meio de uma atitude, que mais adiante, coloca tudo a perder. Veja bem, neste momento, elas não têm consciência que estão colocando tudo a perder. O anseio, a energia, a vibração pelo novo está no auge. Vão mudar de vida! Sua meta é ser mais feliz!

Depois de sofrer anos com a balança, finalmente, Joana decide iniciar uma dieta definitiva. Chega de viver incomodada com o peso! Ela vai emagrecer e sua meta é perder 10 quilos. Para isso, ela vai fazer exercícios todos os dias, seguir uma dieta regradíssima, recusar doces, frituras. Ao tomar essa decisão ela sente que está radiante. Consegue imaginar-se magra! Consegue imaginar-se tendo sucesso. Mas, ela está cometendo o mesmo erro crucial!

Ricardo depois de muito tempo sofrendo com dificuldades financeiras toma a decisão: fazer uma poupança. Chega de gastar indiscriminadamente. A meta dele é acumular dinheiro suficiente para ter mais tranquilidade de vida. Amanhã mesmo, começa a economizar!

E assim são inúmeras situações de vida. Quando tomamos decisões importantes e almejamos algo novo, traçamos uma meta. Nada de metas acadêmicas, quantificadas, com planos de ação. Estou falando das metas corriqueiras, aquelas que criamos todo final de ano, por exemplo. Aprendemos que traçar metas é bom, senão imprescindível. Mas, você já percebeu quantas resoluções de final de ano simplesmente não dão certo?!

A meta está completamente associada ao sonho. Ao imaginário do que gostaríamos de atingir, de ser. Queremos ter uma casa grande, viajar pelo mundo, encontrar o amor de nossa vida. Já pensou? V-i-a-j-a-r p-e-l-o  m-u-n-d-o, não parece incrível?! Finalmente encontrar A PESSOA para você! Não parece sensacional? Dá para sentir o alto astral dessas metas, o glamour, o sucesso, a felicidade! Então, alguns meses se passam de sua decisão e….o futuro chegou e aquilo tão desejado ficou para trás. Ricardo já se excedeu nas contas novamente, Joana já cedeu à tentação de alguns brigadeiros e a mudança de vida que te faria feliz? Hum, na verdade, não deu muito certo. Ah, tudo bem, quem sabe ano que vem, não é?!

Sim, traçar uma meta é a pior coisa que você pode fazer! A meta é traiçoeira, ela vem disfarçada de sábia resolução, de anseio por mudança. E na esquina da vida ela se torna algo tão difícil, distante e inatingível que desistir é natural, óbvio, humano. Alguns dirão que a meta é fundamental, afinal sonhar é preciso e saudável. Concordo, inclusive, a meta, para mim, é parceira da utopia. Como Eduardo Galeano dizia, a utopia é o horizonte, é fundamental para nos manter caminhando. A questão é: não adianta ter como utopia levar uma vida plena e feliz se você vive mal humorado. Não adiante querer mudar de vida e não conseguir mudar coisas básicas de seu cotidiano.

Mas, então, qual a solução? Troque suas metas por novos hábitos. Hábitos de vida são completamente insossos, eu sei. Não tem nada de incrível em se imaginar tendo que criar novos hábitos alimentares para perder peso. Não tem nada de incrível imaginar-se tendo que criar novos hábitos de vida para evitar gastos excessivos. É difícil pensar que uma mudança de vida possa estar há alguns novos hábitos de distância de você. Novos hábitos soam como algo demandante. Os novos hábitos sempre surgem para corrigir algo errado ou ruim. Algo a ser trabalhado. É preciso muito esforço e dedicação para criar novos hábitos. Hábitos estão loooonge de ter o glamour das metas.

Mas, isso é o conceito geral. A impressão negativa que temos dos novos hábitos é porque não nos permitimos associá-los a momentos de prazer. Não adianta se propor a criar um hábito de leitura e somente ler coisas que não interessam a você. Busque um livro que lhe dá prazer! O novo hábito, também, deve se adaptar a sua vida e não o contrário. Joana, por exemplo, ao buscar emagrecer deve adotar novas formas de exercício dentro de sua dinâmica de vida. De nada adiante se propor a treinar às 6h da manhã se ela detesta acordar cedo.

O lado bom de tudo isso, é que novos hábitos, quando criados, persistem. Você passa, inclusive a precisar deles no seu cotidiano. Eles se incorporam no seu novo jeito de ser. Eles são parceiros seus. E o mais incrível de tudo é que somente esses novos hábitos é que realmente poderão levar você a atingir seus sonhos, suas metas!

Melissa

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A regra fundamental para alcançar seus objetivos…e é mais simples do que você imagina

23/12/2015
Fugindo do medo

Hoje, aos 37, eu percebo que vivi muito tempo numa espécie de conflito interno. Sempre me mostrei para o mundo como uma pessoa mais sóbria. Nunca usei roupas muito estilosas. Evitava manifestar minhas opiniões mais extremas. Na hora do recreio, na escola, ficava sempre com um grupo pequeno de amigos, em vez de me misturar com a galera. Na dúvida, escolhia sempre a opção mais “clássica”: de roupa, de opinião, de comida…até de namorada.

Lembro que esperava sempre o melhor momento para quase tudo. Seja para fazer uma pergunta ao professor, ou para azarar as meninas. Eu não era muito inibido, mas me interessava pelas garotas mais tímidas, e aguardava sempre o “momento certo” para dar um primeiro passo. Só ia “na boa”… Várias vezes fui embora pra casa com dúvidas, e perdi algumas namoradas na adolescência.

No fundo, eu era outra pessoa. Acho que eu não sabia disso. Na verdade, enquanto meus colegas usavam roupas de grife, eu queria usar um chapéu descolado. Eles queriam visitar Miami, Nova Iorque e Paris, eu queria viajar para a África, só pelo prazer de ver e sentir o diferente. Eu gostava mesmo era das meninas mais maluquinhas, que usavam roupas coloridas e provocavam os professores com perguntas inconvenientes. Meu verdadeiro eu até se manifestava às vezes, mas geralmente se recolhia quando percebia os olhares tortos.

Hoje, percebo que eu tinha medo. Medo das opiniões, dos julgamentos alheios, da rejeição. Esperava o “melhor momento” para minimizar os riscos da exposição. Acontece que sempre fomos ensinados a evitar os erros, e não a conviver e aprender com eles. Desde pequenos, somos adestrados. O acerto é premiado. O erro é castigado. Às vezes, duramente.

Acho que não sou o único a ter aversão ao erro. Alguém mais já se viu esperando “uma oportunidade mais propícia” para dar um passo importante em direção a algo que deseja? Quem sabe largar o emprego e finalmente tentar correr atrás dos seus sonhos? Ou tirar aquele plano pessoal da gaveta? Geralmente, só damos o passo decisivo deliberadamente quando temos segurança suficiente de que todas as variáveis estão na condição ideal. Ou seja: praticamente nunca!

No meu processo de mudança de vida, observei que o “segredo” para alcançar meus sonhos é errar. Errar bastante, se for preciso. Se passássemos a aceitar o erro com mais naturalidade, veríamos a imperfeição como um estágio e não como um estado. Nunca pensamos como o erro nos constrói. O erro não é o vilão. Ele nos lembra que somos humanos, nos transforma, e nos orienta.

O bom ou o ruim, o certo ou o errado, o perfeito e o imperfeito, na maioria das vezes, são apenas opiniões. Quando me permiti vivenciar o erro, saí da inércia, deixei pegadas, acrescentei vida aos meus dias. Abri as portas para novas experiências, novas pessoas, novas amizades. Algo mágico aconteceu. O mais curioso é que nem errei tanto assim. O medo do erro nos trava mais do que o erro em si. Depois de um tempo, olhei para trás e me perguntei: “- como pude hesitar tanto? Como pude esperar tanto para fazer algo que me faz tão bem?”

Custou um pouco, mas eu mudei. Larguei meu “bom emprego”, mudei de país, mas não antes de conhecer a África, o Timor Leste e até o Paquistão. Não conheci a Melissa na adolescência, mas ela adora usar roupas coloridas, tem um quê de descabelada, e é daquelas que prefere perder o marido a perder a piada!

Bruno

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Já conhece as Dicas Borbulhantes?

Terminamos! Apresentando a música-tema do Vida Borbulhante!

03/06/2015
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E quem não ama música?! Tá certo, cada pessoa tem preferência por um estilo. Alguns gostam de ouvir a todo volume, outros gostam dela suave, apenas se fazendo notar. A bem da verdade, a música traz um quê a mais nos momentos mais comuns e cotidianos. Um filme sem música, não é um filme. Quentin Tarantino, diretor americano, sempre fala que ele escolhe a música antes de pensar no filme. A trilha sonora é fundamental. Diga-se de passagem que todos os filmes dele têm excelente trilha sonora.

Sem sombra de dúvidas, a música foi uma propulsora de meu elo com o Bruno. Ele toca violão, gaita, bambu-sax (esse último, ele ainda está tentando, risos)… Quando começamos a namorar, com certeza, o violão foi um instrumento de conquista! Ele jura de pé juntos que não estava mal intencionado…Tá, quem aqui é mulher, levanta a mão se acredita nesse papo furado! (risos)

Mas, enfim, desde que estamos juntos, tivemos muitos momentos ao redor da música. Seja em casa, saindo para dançar, ou nos aventurando no mundo da composição. Dentre várias composições e brincadeiras, é impossível não mencionar três que são muito importantes para mim.

A primeira música é a que compusemos juntos para nosso filhote Martin. Nela, contamos nossa história, elementos de nossa vida que simplesmente precisavam ficar registrados (como o morcego e os abacates no nosso apartamento) e como o Martin foi amorosamente planejado. Eu amo essa música. Entoamos ela desde que o Martin ainda estava na barriga. E, hoje, quando tocamos, parece que ele já reconhece e se identifica. É o máximo!!

A segunda composição, de autoria do Bruno, foi em homenagem à amamentação. Na realidade, Martin sempre foi um super mamador…brincadeira vai, brincadeira vem, surgiu a ideia: “ei, por que não fazemos um blues sobre a amamentação?” E, assim, foi criado o “Mamá Blues”. Divulgamos na internet bem na semana mundial do aleitamento materno. E não é que o pessoal do Ministério da Saúde ouviu e nos chamou para cantar no lançamento da campanha?! Nem preciso falar da emoção!!

E, depois, veio a composição que estamos lançando hoje. Impossível não compor uma música relacionada ao blog e a essa experiência “doida” que estamos vivenciando. Bruno, mais uma vez, arrasou na composição. Eu sou câmera-woman, figurinista, roteirista, animadora…(risos)… banco a avaliadora, sugiro ajustes, dou uma de entendida…

Portanto, cliquem no video abaixo e conheçam a mais nova produção ulta-caseira, intitulada “Vida Borbulhante”, outro nome não poderia ter, não é?!

O mais importante dessas experiências é que elas nos permitem criar, ficar mais tempo em volta da música e de instrumentos musicais e, de certa forma, nos permitem registrar de um jeito único nossa vida. Para nós, isso é borbulhante. Indiscutivelmente, saímos de nossa zona de conforto, e sempre dá um frio na barriga, uma sensação de ridículo, mas, #$&*+@, quem tá na chuva é para se molhar, não é?!

Ah, e o mais gostoso de tudo isso, sabe o que é?! Ver o Martin, com seus 18 meses, sacolejando o esqueleto até com o barulho da máquina de lavar. Acho que, desde pequenininho, ainda na barriga, ele se contagiou com as farras de seus pais…

Abraços

Melissa

Este vídeo viralizou e traz uma mensagem extremamente poderosa

13/05/2015

Claro que deu vontade de aumentar o volume e sair dançando pelas ruas de Montevidéu! O vídeo acima tem mais de 10 milhões de visualizações. Foi produzido por um movimento australiano chamado “The Liberators” e já andou circulando em “terras virtuais brasileiras”. Mas o que mais me chamou atenção é que ele termina com o slogan: “A vida começa no final de sua zona de conforto”. Não dá para discordar!

Cheguei à conclusão de que os momentos de minha vida em que eu me senti mais vivo foram justamente quando estava fora de minha zona de conforto. Recordo, por exemplo, a primeira vez que fui me apresentar num teatro. Fazia parte de um quarteto vocal em Brasília (se ficou curioso, clique aqui e/ou aqui). Esperava um público pequeno e familiar, mas a plateia estava lotada, cerca de 600 pessoas. Estava suando frio, inseguro com algumas passagens das músicas. Mas, nem que eu quisesse, daria para desistir naquele momento. Respirei fundo e fui. Depois que os primeiros compassos entraram direitinho, foi só curtição. A segunda música, na qual eu fazia a linha principal, saiu redondinha. Nada mais excitante do que o retorno imediato dos aplausos, sobretudo quando você percebe que não são burocráticos. Tem gente que se vicia em aplauso, e eu pude entender o porquê!

Também tive a experiência de morar fora do Brasil quando ainda estudava engenharia. Isso sim é sair da zona de conforto. Tudo é novo e desafiante no começo, até comprar água no mercado! “Será que vou entender aquele sujeito mal-encarado do caixa? Será que vou falar direito?” Foi o ano mais intenso de minha vida. Compartilhei experiências inesquecíveis com grandes amigos que permanecem até hoje.

Essas experiências são tão marcantes que se criam várias janelas emocionais. Já ouviu falar nisso? O psiquiatra Augusto Cury explica que sempre que vivenciamos algo com carga emocional elevada, gera-se uma “janela” na memória que será acessada posteriormente. Uma “janela killer” quando se trata de algo negativo, ou uma “janela light”, para uma experiência positiva. Quanto maior a carga emocional, maior a janela, e mais fácil de se lembrar. Isso explica porque experiências traumáticas são mais facilmente lembradas: porque geraram uma carga emocional muito grande “talhada” no córtex cerebral. No outro extremo, as atividades corriqueiras que realizamos todos os dias não tem emoção nenhuma envolvida e são facilmente esquecidas. Não há espaço na memória para elas.

Moral da história, o que traz aquela sensação de plenitude, o que marca a nossa vida, é basicamente aquilo que vivenciamos com uma grande carga emocional. Tudo aquilo que fazemos sem ter um envolvimento pleno das emoções termina não gerando registros emocionais de nossa vida. Ou seja, nada acrescentam! Quanto mais emoções vivenciamos, mais janelas são criadas e mais facilmente passamos a reviver situações emocionantes. Ao ter uma vida com carga emocional positiva a tendência é se gerar uma reação em cadeia, e vivenciar cada vez mais a vida de forma positiva. O mesmo vale para o negativo, é claro.

Quer se sentir mais vivo? Quer ter aquela sensação gostosa de estar aproveitando a vida plenamente? Acrescente emoção! Não poupe na dose! Vá com vontade! E quer uma dica para acrescentar emoção? Ouse nas suas escolhas. Viver somente dentro da zona de conforto é um desperdício de tempo, é só cumprir tabela. Você vai acabar se esquecendo mesmo… Ousar não é só uma maneira de avançar, progredir. É também uma forma de viver mais intensamente, de acrescentar emoção à vida, de escrever mais páginas no seu livro.

Tudo bem que sair dançando por aí pode não ser muito a sua cara, mas sugiro um desafio prático e fácil de realizar: que outro tipo de atitude pode representar uma dança em sua vida, uma descarga de emoção positiva? Descubra aquilo que te faz sentir mais vivo e incorpore no seu cotidiano. A mim, fazer algo de bom para outra pessoa gera um sentimento muito positivo. Iniciar pequenas conversações com desconhecidos, indo além do “Bom dia. Tudo bem?”, também tem acrescentado janelas de memórias positivas. Gosto muito de caminhar por lugares desconhecidos. Nossa mente está sempre atenta ao que é diferente, e isso também gera janelas positivas.

Essas são atitudes corriqueiras e que acrescentam vida aos seus dias. Agora, a real sensação de plenitude, vem de movimentos mais ousados. Vem das escolhas de vida que vão ao encontro de seu eu mais íntimo. Neste caso, “radicalize”. Pense em tudo aquilo que você não teria coragem de fazer por A, B ou C razões. Essas são justamente as coisas que “PRECISAM” ser feitas.

Sobre isso, vamos falar bastante aqui no blog. Se quiser saber mais, acompanhe. Divulgue e compartilhe!

 

Bruno

Descubra o que sua imperfeição pode fazer por voce

29/04/2015
Gosta de tudo perfeitinho? Cada coisa em seu devido lugar? Cuidado.

Já deixou de fazer algo porque não se sentia bom o suficiente? Não se sentia totalmente preparado? Quem sabe, tentar uma oportunidade de emprego, ter um filho, um projeto pessoal qualquer, até um bilhetinho de amor…? Já se viu esperando “uma oportunidade mais propícia” para dar um passo importante em direção a algo que você deseja?

É bastante comum querermos que todas as variáveis que envolvem nossos planos pessoais estejam praticamente perfeitas antes de tomar qualquer ação concreta. Mais comum do que deveria. Quem não tem um desejo profundo em seu íntimo e está só aguardando uma “melhor oportunidade”, “torcendo para ganhar um aumento de salário”, “ esperando os filhos crescerem” etc etc etc?

Já parou para pensar que tudo isso não passa de desculpa para não se expor e não sair da zona de conforto?Quando temos que tomar uma decisão, sempre pensamos mais no que pode dar errado, do que nas consequências positivas do acerto. É, ou não é? Então, na hora de arriscar, de tomar uma decisão de vida mais ousada, qual será nossa tendência natural? Fugir dos erros e de suas consequências, óbvio. Geralmente, só damos aquele passo decisivo quando temos segurança suficiente de que todas as variáveis estão na condição ideal. Ou seja: praticamente nunca!

O medo de errar aprisiona nossas ideias e, sobretudo, aprisiona nossas ações.

Mas, e se mudarmos a perspeciva? E se passássemos a aceitar o imperfeito, em nós e nos outros? Se passarmos a ver com naturalidade nossas ações imperfeitas, com ideias imperfeitas, projetos imperfeitos e consequências imperfeitas. E se um erro for somente um passo intermediário até o acerto? Imagine todo o mundo tirando seu projetos imperfeitos da gaveta e explorando a vida. Seria um mundo melhor ou pior?

Pense em alguém de sucesso. Pense num projeto exitoso. Qualquer um. Antes deles, vieram os erros, e, por trás, a disposição de correr o risco, de aceitar o imperfeito e suas consequências. Ademais, imagine o pior dos casos: se não der certo. Será que não terá nada de positivo? Será que não vale a pena acrescentar páginas interessantes ao livro de sua vida? Isso é borbulhante.

Nós simplesmente nos enganamos ao pensar que estaremos mais preparados no futuro, mais experientes, que teremos melhores condições etc. No fundo, não queremos sair da zona de conforto e nos expor para o mundo. O mais errado que podemos fazer é não fazer nada com nossos planos e desejos. Podemos “sufocá-los” temporariamente, mas, de uma forma ou de outra eles ficarão ecoando lá dentro…

O bom ou o ruim, o certo ou o errado, o perfeito e o imperfeito, na maioria das vezes, são apenas opiniões. Quando nos permitimos vivenciar a imperfeição, avançamos, damos um passo adiante, saímos da inércia, deixamos pegadas, acrescentamos vida aos nossos dias. Abrimos portas a novas experiências, e novas pessoas. Algo mágico acontece. Depois, olhamos para trás e pensamos: “- como pude hesitar tanto? Como pude esperar tanto por fazer algo que me faz tão bem?”. Como num processo catálitico, a partir desse momento, tudo se transforma. E, com um olhar imperfeito conseguimos perceber a beleza perfeita da imperfeição! Pronto, virei poeta! (risos)

Portanto, da próxima vez que estiver diante de uma decisão difícil, entre o “fazer” e o “não fazer”, escolha a imperfeição e aproveite a vida!

Efeito bumerangue: a verdade sobre você que esqueceram de contar

22/04/2015
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Qual o maior incomodo que você tem na sua vida? Pare e pense. Qual a reclamação mais frequente?

Pois bem, independente da resposta que você der para essas perguntas, esteja certo, elas estão diretamente relacionadas ao efeito bumerangue. Ou, como alguns conhecem, “o que se planta, se colhe”, “ação e reação”, “tudo que vai, volta”, etc. Eu, sinceramente, prefiro o termo “efeito bumerangue”, porque traduz mais claramente a variedade de situações que podem ocorrer, a diversidade de trajetórias que cada bumerangue pode fazer.

Imagine-se em um campo aberto ou até na praia. Você com um bumerangue na mão. Pode ser um bumerangue grande ou pequeno, colorido ou não, de plástico ou de madeira, não importa. Dependendo de sua postura corporal, de seu ímpeto no arremesso e das condições do clima, o bumerangue irá realizar um trajeto e retornar a você.

Agora, imagine-se no seu cotidiano. Milhares de bumerangues imaginários sendo lançados por você. Sua postura de vida, seu humor, seu ânimo, seus pensamentos, seus comentários, seus julgamentos, suas escolhas, onde você investe sua energia vital, a quem você direciona sua energia vital….em cada um desses aspectos, e em tantos outros, você está lançando bumerangues e irá recebê-los de volta.

Alguns bumerangues retornarão imediatamente. Portanto, se você for grosseiro ou mal humorado com alguém, quase certo que essa pessoa irá reclamar ou fazer cara feia imediatamente. Outra possibilidade é que mais tarde, em alguma outra ocasião, reclame a você ou reclame de você.

Mas, e quando o feedback de nossas ações e escolhas somente vem muito mais adiante, no tão longínquo e desconhecido futuro?! A maioria das vezes, a maioria das pessoas, nem lembra que está vivenciando uma situação em decorrência do bumerangue que lançou. A partir daí vêm os lamentos, as queixas, as vitimizações e muito sofrimento.

A bem da verdade, não somos ensinados a assumir responsabilidade por nossas escolhas. Colocamos, constantemente, a culpa pelo que nos acontece nas circunstâncias da vida, no destino, na vontade divina ou até nos outros. Portanto, “nada podemos fazer”.

Ledo engano, não somente temos sempre algo a fazer como somos totalmente responsáveis por nossas vidas, por nossas escolhas e pelos bumerangues que lançamos aos outros, ao mundo. Somos responsáveis pelo caminho que construímos e pelas pessoas que atraímos ao nosso entorno. Criar a consciência de que você está no comando de sua vida é difícil, eu sei. Enxergar que seus atos, seus sentimentos e seus pensamentos geram suas vivências é igualmente difícil, eu sei. Para algumas pessoas é até assustador. Imagina, se você realmente for responsável pelas suas experiências, tudo o que você já sofreu até hoje, foi, no fundo, no fundo, por sua responsabilidade. Sim, por sua responsabilidade. (mas, não por sua culpa).

O lado bom de tudo isso? Assumir a responsabilidade lhe dará liberdade. Quando você é o responsável, você tem total autonomia para encontrar soluções, realizar mudanças e ser dono de seu próprio bem-estar presente e futuro. Você pode optar por deixar de lado, seguir adiante. Você pode optar por enfrentar o problema ou ignorá-lo. Você irá sair da posição de vítima e se tornará protagonista da solução. E, vamos combinar, ser protagonista é MUITO melhor. Você já sentiu essa sensação de poder? Que não importa o que lhe aconteça você dará conta? É muito bom. Uma sensação imensa de bem-estar.

Concordo que não é fácil puxar a responsabilidade para si, eu mesma tenho dificuldade em alguns momentos (para não falar em vários momentos). Me pego reclamando de que não tenho tempo para mim, por exemplo. Mas, sou craque em não saber delegar tarefas de casa. Sou craque em consumir meu tempo trabalhando e me dedicando aos outros. Se eu puxar a responsabilidade da falta de tempo para mim, vou ter que aprender a lidar com todas as questões que fazem com que eu me sobrecarregue. Ui, e aí dói. É mais fácil culpar os outros, dizer que ninguém me ajuda e que tenho muito que fazer. Ao reclamar, obviamente, recebo de volta, ao contrário de empatia, chateação e crítica dos outros. Dá para perceber o efeito bumerangue aí gente?!

Mas, e por que dói? Por que é tão difícil assumir? Porque saímos de nossa zona de conforto. Porque temos que mexer em nossas crenças, em nossas convicções, mexer em nossos erros e fraquezas. Precismos nos reeducar e voltar a nos situar diante de uma nova realidade. É tão difícil fazer isso que muita gente simplesmente “prefere” passar a vida se lamentando e reclamando do que fazer algo a respeito. Sem contar que a vítima recebe mais empatia de outras vítimas e assim fecha o ciclo. Portanto, realmente, pare e reflita. Muitas vezes aquilo que está incomodando mais você ou os problemas que você anda tendo estão aí, em você, prontos para serem resolvidos.

Você conhece alguém craque em lançar bumerangues? Envie este post, divulgue. Vamos ajudar a que as pessoas consigam criar consciência, assumam seus bumerangues. Isso irá permitir que todos consigam viver uma vida mais plena e com mais propósito. Vamos nos libertar juntos!

Melissa
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