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Tomando a Decisão

5 atitudes fundamentais para quem quer mudar de vida

17/05/2016

Um dos grandes benefícios de se ter um blog sobre mudança de vida é poder conhecer muita gente e, principalmente, conhecer suas histórias. Sempre respondo com muita gratidão às pessoas que, em um voto de confiança, nos escrevem contando um pouco o que estão vivendo, onde gostariam de chegar e, pedindo algum tipo de orientação.  Não pense que seja fácil responder a esses e-mails. Ao mesmo tempo em que quero falar em alto e bom som “Vai lá, se jogue, arrisque!”, preciso trazer à tona as dificuldades envolvidas em uma mudança, sem ser negativa demais. Afinal, mudar é algo sensacional, sim, e vale muito a pena. Mas, não é para todo mundo.

E como saber se realmente você irá “suportar” uma mudança de vida? Como saber se você tem a perseverança suficiente, a força suficiente, a clareza suficiente? Essa é a parte ruim, não dá muito para saber com antecedência. Algumas dessas respostas surgem somente com a vivência.  É preciso vivenciar uma mudança de vida para, aí sim, poder tirar algumas conclusões sobre você, suas características, suas dificuldades.  Mas, isso não impede de refletir bastante e analisar seus pontos fortes e fracos antes de fazer qualquer movimento rumo a uma mudança. Assim, é possível preparar-se ou fazer planos mais condizentes com suas próprias possibilidades.

Na tentativa de fazer com que as pessoas consigam decifrar-se antes de se jogar em uma mudança de vida muito ousada, enumerei cinco atitudes fundamentais que fazem a diferença no momento de enfrentar as dificuldades:

1) Ter confiança em si: pode ser algo fácil de falar, algumas pessoas podem até se auto intitular “confiantes” porque têm sucesso em um trabalho, ou porque têm dinheiro, etc. Mas, a “confiança em si” não diz respeito ao que o mundo exterior fala sobre você. A confiança tem a ver com você acreditar em seus potenciais, sem precisar receber o feedback externo para se auto afirmar. Você, em um momento de mudança de vida, mais do que nunca precisará acreditar em sua capacidade de superação, em sua força e competência. E acima de tudo, você precisará ter confiança em si para espantar o medo do fracasso e seguir adiante.

2) Saber abraçar seus fracassos: Ninguém gosta de fracassar, muito menos de que esse fracasso seja divulgado a todos. Queremos ter sucesso em nossas empreitadas, ser motivo de orgulho. Em uma mudança de vida, impreterivelmente sua trajetória será plena de pequenos fracassos até você poder declarar ter tido sucesso. É fundamental compreender que os fracassos fazem parte do processo de crescimento e que os fracassos te auxiliam a ir traçando o caminho. Abraçar seus fracassos significa aceita-los e de alguma forma valorizá-los.

3) Compreender que cada coisa tem seu tempo: Ok, este é uma atitude fundamental. Esperar que em pouco tempo sua vida já esteja organizada, estabelecida, funcionando…esperar adaptar-se a uma nova realidade com rapidez é um tiro no pé. Se você vai fazer uma mudança de vida com outras pessoas, com familiares, é preciso ter claro que cada pessoa irá responder diferente e terá suas próprias dificuldades. É preciso dar tempo para que as fases de transição e a adaptação sejam vivenciadas com realismos, serenidade e, eu diria sensibilidade. Tenha em mente de que a adaptação pode demorar meses.

4) Saber sonhar sem se iludir: Existem sempre aquelas pessoas que, por estarem com dificuldades, descontentes ou infelizes, começam a sonhar com uma vida melhor. Mudar de país, de emprego, de cidade, até de relacionamento, é um sonho para muitos. Até aí, tudo bem. O problema é quando esse sonho toma uma dimensão de ilusão afastando-se significativamente da realidade. É preciso ter sempre presente que não vai ser fácil, que vão existir dificuldades. Com o tempo, a nova realidade, o novo relacionamento também vão ter suas dificuldades, suas chatices, suas “monotonices”. Cabe a você conseguir sonhar com realismo! 😉

5) Parar de insistir e começar a persistir: Quando insistimos, repetimos atitudes esperando que o resultado seja diferente. Mantemo-nos imutáveis aguardando uma mudança do entorno. Quando persistimos, aprendemos com os nossos erros, buscamos conhecimento e tentamos novamente, mas de um jeito diferente. Vamos transformando-nos à medida que as respostas da vida vão chegando. Adaptamo-nos à realidade e buscamos novos caminhos para o que queremos. Precisamos ser flexíveis e saber que quem decidiu mudar precisa ser maleável ao novo entorno que escolheu e aos acontecimentos que virão.

Mudar de vida é revigorante, refrescante…vai lá, é MUITO bom! Você se sente vivo! É como se você estivesse no comando, no controle de sua própria vida…nada de viver no piloto automático. Passar pelas dificuldades de uma mudança de vida vale muito a pena, pois você adquire uma resiliência e uma confiança insuperáveis.  Conseguir “sobreviver” e viver fora da sua zona de conforto gera um sentimento muito agradável de bem estar. Você adquire a capacidade de perder o medo diante das dificuldades e sente que não importa o que aconteça, você terá sempre a capacidade de se reinventar. Os processos de descoberta, de superação, a perda do medo, valem qualquer esforço! Eu garanto!

Melissa

Sinal de alerta!!! Vazamento!!

29/10/2014

E quando o preconceito nos atinge?!

Desde que iniciamos nosso blog, temos recebido muitas mensagens de apoio e incentivo. Essa energia positiva que recebemos nos permite manter a chama acesa, nos permite seguir adiante e sentir que, de alguma forma, estamos conseguindo nos conectar com as pessoas. Nos momentos de dificuldade, então, as palavras de incentivo nos permitem, cada vez mais, nos mantermos firmes e enfrentarmos com mais serenidade quando recebemos um retorno negativo.

Algumas pessoas olham torto, pensam: “que irresponsabilidade!”, “que loucura!”, “estão querendo viver a adolescência?!”, “no mundo adulto é preciso assumir responsabilidades!”.

Primeiro, esclarecendo, não estamos fugindo da responsabilidade, muito menos, de viver a vida de “forma adulta” (seja lá o que isso quer dizer). É preciso muita responsabilidade, sanidade, maturidade para arriscar. Você precisa confiar muito no seu “taco” para ter a certeza de que qualquer problema é superável, qualquer dificuldade é administrável e…emprego…a gente consegue outro, se precisar.

Mas, em segundo lugar, chamo para o questionamento: quem disse que a vida TEM que ser vivida nessa busca desenfreada pelo ter e pelo status? Quem disse que aos 34 anos de idade é muito tarde para sonhar? Quem disse que por eu ter um filho não posso tentar uma alternativa de vida? Pelo menos tentar uma vida que me permita ser um exemplo mais coerente e são para meu filho?!

Significado de sucesso para a sociedade, para a maioria das pessoas é, já na minha idade: ser casada com um homem decente (sim, o cara tem que ter um bom CV de vida, ser sério, comprometido, homem, sabe, com H maiúsculo?!, aquele “clichezão” mesmo), ser mãe (de preferência de um menino e uma menina que tenham idades próximas, que sejam lindos, comportados e que durmam a noite toda), ter casa própria (ou estar atrelada a um financiamento), ter um bom emprego (com estabilidade, mas, não serve qualquer um…tem que ser algo que socialmente seja bem cotado) ter um bom carro, fazer uma viagem internacional (de preferência para Estados Unidos ou Europa…Guatemala nem pensar) e, o que mais???? Alguém tem algo mais??? Ah, sim, no meu caso, por muitos anos, foi ter cabelo liso. Cheguei a ser vítima de bullying pelos meus cabelos crespos… Mas, parece que cabelos crespos, ultimamente, estão em alta… então, está tudo bem agora! 😉 E assim por diante… É impressionante como a sociedade em cada esquina da vida está ali a postos para te pressionar, avaliar, comentar e, sempre sob a ótica mais discriminadora e deturpada possível.

Parece que se um de nós sair do sistema, uma luz vermelha, um sinal de alerta é acionado… ”há um vazamento, precisamos impedir antes que todos fujam, enxerguem a vida com outros olhos e consigam ser felizes”. Já pensou se as pessoas realmente forem em busca de sua felicidade? Meu deus, que caos!!!! Teremos o apocalipse, sem sombra de dúvidas.

Mas, a bem da verdade é que cada vez mais, mais e mais pessoas têm mencionado que o sistema de vida vigente não lhes satisfaz.

Não precisamos somente de uma reforma política, precisamos estabelecer uma nova forma de viver, de fazer a máquina funcionar, colocando as pessoas acima do sistema.

Assim, como na época dos colonizadores, em que as pessoas pegavam navios e saíam desbravando o mundo à procura de novos horizontes, nós, Bruno e eu, estamos de nossa forma, tentando buscar novos horizontes. Viajar para outro país ajuda a conseguir vislumbrar novos horizontes, desintoxicar do sistema, mas, não é obrigatório. Afinal, o novo horizonte que estamos buscando não é físico. Queremos encontrar uma forma de vida que nos permita ter mais qualidade, que nos permita apreciar a vida, viver a vida sem ser vivida por ela.

Afinal, temos tantos instrumentos hoje disponíveis (internet, Skype, telefone celular, whatsap, etc) por que precisamos continuar vivendo um sistema de trabalho ultrapassado?!

Portanto, não deixem de buscar, de refletir vocês também! A mudança somente ocorre quando as pessoas passam a demandar, exigir algo diferente. Avalie de que forma você pode começar a fazer mudanças em sua vida. Não pode largar o emprego? Não tem problema, você pode começar a ir de bicicleta para o trabalho. Veja se você não tem como negociar um home office, demande do sistema algo novo…juntos, aos poucos, podemos voltar a ser protagonistas de nossas vidas.

Ah e para quem olha torto e emite um juízo… é só esperar, quando a gente for maioria, eles vão decidir se juntar e colher os louros de nossa luta. É sempre assim! Depois da dificuldade, os “amigos” sempre aparecem para dar um abraço e tirar uma foto! 😉

Melissa

Placar interno x Placar externo: Qual é o seu?

24/09/2014

“Você preferiria ser o melhor amante do mundo, mas ter a fama de ser o pior? Ou preferiria ser o pior amante do mundo, e ser reconhecido como o melhor?”

Warren Buffett é um caipira de hábitos simples, mais conhecido por ser um dos homens mais ricos do mundo. Certamente, ele não teria a mesma fama se fosse pobre de hábitos simples, mas isso é outra história. Segundo sua biografia, ele não sabe fazer muita coisa a não ser ganhar dinheiro. O que o torna interessante, contudo, é que suas decisões de investimento se baseiam em conceitos simples.

Para mim, os mais curiosos são os conceitos de “Placar interno” e “Placar externo”. Segundo Buffett, o que mais determina o comportamento das pessoas é o equilíbrio que cada um dá aos seus “placares”. De um modo geral, o conceito de placar interno e externo corresponde ao grau de importância que damos à opinião que os outros têm sobre nós. Todos querem ser aceitos socialmente, mas até que ponto devemos abrir mão de nós mesmos para sermos aceitos pelo grupo?

Muitas decisões em nossas vidas terminam sendo pautadas pelo placar externo. Afinal, o status, ser reconhecido como bem sucedido (seja financeiramente, no trabalho, tendo uma família, etc) gera um bem estar. O problema é que esse sucesso geralmente é passageiro e nos torna prisioneiros: Em vez de sermos felizes e bem sucedidos, estamos preocupados em parecer felizes e bem sucedidos. Como fica o placar interno diante de tanto esforço?

O vídeo abaixo é uma perfeita ilustração desse dilema.

 

Buffett claramente se guiava pelo placar interno. Quando todos diziam para vender, ele comprava, não se importando com o que fossem dizer ou pensar dele. Quando todos diziam para comprar, ele vendia.

Mas tem um algo mais nessa história. Quando ele enxergava uma boa oportunidade de negócio, cercava-se de todas as informações possíveis e agia (comprava a empresa). Isso não quer dizer que o sucesso estava garantido. Por diversas vezes suas decisões se mostraram equivocadas. Mas, em vez de mudar de opinião, ele trabalhava e trabalhava até que sua nova empresa desse os resultados esperados… no final, acabava sempre ‘acertando’. Curioso, não?

Tomar uma decisão que influenciará toda a vida pode ser extremamente difícil. No entanto, se aquela decisão será um erro ou um acerto depende da quantidade de energia com a qual você se dedica àquela escolha e, principalmente, o quanto daquela escolha corresponde ao seu desejo verdadeiro, ao seu eu mais profundo, ao seu placar interno. Ou seja, no final das contas, depende mais de nós do que das circunstâncias ou da opinião dos outros.

Ser fiéis a nós mesmos é muito difícil em um mundo pautado pela imagem do sucesso, mas é essencial para que nossa jornada seja plena.

E você, qual o seu placar preferido? Você consegue priorizar o placar interno? Ou se rende com mais frequência do que gostaria ao placar externo?

 

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Eu sinto medo. E você?

17/09/2014

Tomar a decisão de romper com o “sistema” e mudar de vida não é fácil!!! Mais difícil ainda se essa decisão envolve mudar de país com um filho pequeno, e sem emprego fixo…

Muitas pessoas dizem que não se arriscam a largar tudo por questões financeiras. Na realidade, a meu ver, isso é mais uma desculpa do que qualquer outra coisa. Por duas razões: a primeira é de que não é preciso ter muito dinheiro guardado para inovar/arriscar. A segunda é que as pessoas têm medo.  E é o medo do novo, do desconhecido, que faz com que as pessoas não arrisquem.

Ter medo, em alguma medida, é natural. É Instinto de sobrevivência. No entanto, vivemos em uma sociedade pautada no medo, que fomenta o medo, e que nos controla pelo medo. Cotidianamente somos bombardeados por informações e histórias que nos atemorizam.

Nos telejornais, por exemplo, notícias sobre assaltos, sequestros, assassinatos viraram o foco dos programas que, a princípio, existem para nos manter informados. Lá em casa, praticamente não ligamos mais a televisão e quando, por alguma razão, assistimos algum noticiário, fico agoniada. A desgraça é pano de fundo do noticiário inteiro. Quando não há nenhuma desgraça “importante”, alguma agressão em qualquer recanto no interior do Brasil ganha repercussão nacional.

Muitas vezes, as crianças são educadas também pelo medo: “Não faz isso, olha que o policial vai ficar brabo.” “O homem do saco vai vir te pegar (será que ainda existe isso?)”.  “Desse jeito mamãe fica muito triste com você(promovendo o medo da perda do amor)”.

E nas eleições? Afirmar que os candidatos trarão dificuldades, problemas, atrasos etc  é estratégia de “marketing político”. Propostas concretas e dados coerentes ficam de lado…o medo é uma arma de controle muito poderosa! As pessoas têm medo de errar, de mudar, de sair da sua zona de conforto.

Tem dias em que o medo também me atinge. O medo da dificuldade, do desamparo, o medo do fracasso. E se o medo encontra uma frestinha da porta aberta, ele entra com tudo: medo de ficar sem dinheiro, sem emprego, medo de se expor, medo da velhice, medo de perder alguém que se ama….

Ontem foi um dia em que o medo esteve muito presente em minha mente. Pensava: – “Meu deus, que loucura que estamos fazendo?!”. Minha sorte é que tenho, atualmente, mais medo de deixar de vivenciar uma vida diferente, do que medo do fracasso e do desamparo (risos).

Decisão tomada e vida organizada não é sinônimo de controle absoluto e fortaleza. O medo também ronda por aqui! É preciso ter muita força para confrontar o medo e não deixa-lo entrar. O medo serve de justificativa para não arriscarmos. Entramos no círculo vicioso: por medo, não nos arriscamos. Isso nos tranquiliza, pois justificamos nossa dificuldade de mudar, e, assim, retroalimentamos o medo.

E como interromper esse ciclo do medo? Como desintoxicar?

Sem dúvida, conectar-se com pessoas positivas, buscar experiências que nos vinculem à plenitude da vida ajuda muito. Prestar atenção na respiração, parar de dar ouvidos às bobagens, enxergar a benção da natureza e da vida ajuda muito também. Para mim, funciona a meditação. Mentalizar momentos agradáveis, coisas boas, ler livros (veja nossa lista de sugestões, em breve) que ajudem você a enxergar sua vida com outros olhos. Além disso, conversar, escutar música, se exercitar…tudo que ajude a oxigenação do corpo e da alma. Alguns encontram essa força na religião ou na espiritualidade. A ideia, em suma, é substituir os pensamentos negativos pelos positivos. Só não vale buscar o bem-estar na cachaça…aí entramos em outro tipo de problema e oxigenação! kkkkkk

Gosto muito de fazer a relação do medo com andar de esqui. Quanto mais você inclina seu corpo em direção ao vazio, mais mantém a flexibilidade das pernas e braços, melhor será a descida: mais chances de sucesso e de curtição! Quanto mais você hesita, mais tenciona braços e pernas, mais difícil fica se equilibrar, e maiores as quedas. O ponto de virada está justamente na confiança. Você só vai se dirigir ao vazio se tiver confiança em si, em sua capacidade de ser flexível, de administrar a velocidade. Você pode até não conhecer seus obstáculos com antecedência, mas conhece suas habilidades e fragilidades.

Não é fácil aprender, mas, depois que o medo é descartado, tudo flui, fica leve, e o ventinho no rosto é bom demais. Precisamos desfrutar mais das descidas…

Melissa

 

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Diga-me onde vives, e te direi quem és…

10/09/2014

Houve o tempo em que quem ousasse falar mal de Brasília perto de mim estaria correndo risco de voltar pra casa sem um pedaço do fígado. Adoro Brasília. Não há lugar no mundo em que o clima seja tão bom ao longo do ano inteiro, com uma natureza tão presente e exuberante e com um horizonte que transmita tamanha sensação de liberdade.

No entanto, nada disso tem sido suficiente para me fazer gostar da cidade. Venho sentindo um desconforto crescente ao longo dos últimos anos. Mudou a cidade. Eu mudei também. Tenho sentido falta de me conectar mais com as pessoas, e Brasília não propicia isso, não favorece o contato. Quem dirá conexões verdadeiras e profundas, das quais nenhum ser humano deveria prescindir. Brasília é, hoje, uma cidade de pessoas isoladas. Claro que há exceções (que confirmam a regra), mas acho que a afirmação vale para a maioria dos nascentes ou forasteiros que aqui se fixaram.

Ouvi uma frase outro dia que me tocou profundamente: “Você é a média das cinco pessoas com quem mais convive”. Achei tão verdadeiro que certamente vou falar sobre isso em outras oportunidades. O ambiente muda as pessoas. Talvez o mais correto seja dizer: as pessoas mudam com o ambiente e, sobretudo, com as pessoas que recheiam esse ambiente.

Se nossos sonhos e desejos não encontram reflexo nas pessoas com quem convivemos, vamos, devagarzinho, perdendo nossa essência, moldando nossa natureza à natureza do ambiente. E Brasília é curiosa nesse sentido. É impossível, por exemplo, ir a um bar na capital sem escutar duas palavrinhas: concurso público! A cidade gira em torno dos concursos. Criou-se até um novo verbete no dicionário: “Concurseiro”. O sujeito pode ter o pedigree que tiver, se estiver em Brasília, seu sucesso como indivíduo vai ser medido pelo fato de ter ou não passado num concurso. Em certo momento da vida, eu mesmo comecei a me sentir tão deslocado que cogitei essa possibilidade. Estava tentando me adaptar àquela realidade, e (quase) abrindo mão de minhas convicções. De minha turma de engenheiros, por exemplo, consigo me lembrar de 3 (incluindo a mim – eram quase 30 ao todo) que não optaram por uma carreira no serviço público.

Brasília e seus excessos

Percebo facilmente porque tanta gente procura os concursos públicos. Neste caso, é fácil deixar-se moldar pelo ambiente. Quem não quer ter a sensação de segurança, um bom salário etc etc?  Eu também quero, porém, por outro caminho. O problema é que, em nome disso, surgem alguns exageros. Circulando pela cidade, já ouvi coisas como: “- Não quero um trabalho, quero um emprego”, ou ” – O judiciário é muito melhor. Voce trabalha muito menos e ganha muito mais”. A minha ‘preferida’ é: “- Meu sonho é passar num concurso público”.

Não dá para julgar os desejos de alguém sem estar usando seus sapatos. Mas escutar alguém dizendo que “sonha em passar num concurso” me causa algum desconforto. Será que não deveríamos reservar conquistas maiores para a palavra “sonho”? Não é que o sujeito tenha vocação para, digamos, planejamento financeiro, e queira uma vaga no Ministério da Fazenda. O que vale, basicamente, é a estabilidade. E se vier com um bom salário e benefícios, melhor ainda.

Que fique claro, não tenho nada contra quem busca e valoriza isso. Simplesmente não é o que eu quero. Mesmo assim, tenho a impressão que Brasília mudou tanto as pessoas que muitas delas abriram mão de seus reais desejos. Quando a gente é criança, sonha em ser jogador de futebol, ator, bailarina, cientista, escritor… sonha até em ser bombeiro ou policial… a gente sonha em ganhar o prêmio Nobel, sonha com a paz mundial, ou sonha “simplesmente” em mudar o mundo. Tudo bem, quando crescemos, temos que adaptar nossos sonhos à “realidade”, mas será que não deixamos coisas demais pelo caminho?

Esse é um dos porquês pelos quais eu me sinto cada vez mais um peixe fora d’água em Brasília. Quero inspirar e ser inspirado pela vida. Quero criar e realizar coisas novas, interessantes, que deem sentido maior à minha existência, e que possam, quem sabe, ajudar a outros. E o ambiente no planalto central não tem me ajudado muito nessa busca.

Brasília bem que tentou, mas meus sonhos continuam aqui dentro e não estão disponíveis para troca.

E você, sabe quais são seus sonhos? O ambiente em que você vive favorece que você os atinja?

 

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Bem-estar e o tempo…

03/09/2014

A sensação de bem-estar varia de pessoa para pessoa, assim como a dimensão do tempo. Isso realmente é um assunto vasto e subjetivo. No entanto, independente das diferenças culturais, de faixa etária e das metas de vida de cada um, não podemos negar que a busca pelo bem-estar é unânime. (Sugerimos a leitura do texto escutando o Caetano no link acima)

O tempo de bem-estar…

No meu caso, meu bem-estar atualmente está diretamente vinculado a como meu tempo tem sido vivenciado ou, melhor dizendo, consumido. Sempre me chamou muito a atenção, nas inúmeras viagens que realizei à África, a percepção do tempo nos diferentes países.

As pessoas vivem as mesmas 24 horas que nós vivemos no Brasil, no entanto, em uma dinâmica de vida completamente diferente. Aos meus olhos e sensações, o tempo é vivido de forma mais lenta e preciosa. Buscando respeitar o bem-estar. Sinceramente, amo a África, em todos os países que conheci, sempre me senti muito bem, em casa, acolhida. Onde eu ia, as pessoas se davam o tempo de se apresentar, me cumprimentar, de fazer saudações amigáveis e, até mesmo, poéticas. Aqui no Brasil, desculpem, aqui em Brasília, é até difícil no dia a dia arrancar um “bom dia” de um vizinho.

Quando eu li o livro “Crianças francesas não fazem manha” (em breve estará na nossa lista de indicações de leituras), uma das coisas que me chamou a atenção é o trecho em que a autora explica que, ao dar um bom dia para alguém, você está reconhecendo a existência daquela pessoa e respeitando sua presença. Nossa! É a mais pura verdade. Com uma saudação simples você transmite muita coisa, você demonstra ao outro sua importância, há uma troca de energias. E isso é algo que eu desejo muito ensinar ao meu filhote.

E assim é o tempo na África, pequenos detalhes são vividos como questões muito importantes, tudo e todos têm o seu valor e sua razão de existir. O tempo espera por você, espera pela religião, espera pelo respeito ao mais velho, espera pela refeição, espera pelo contato humano e pelas conversas. O tempo não atropela sua vida, não é consumido e sugado como por aqui.

A ação de se dar tempo a prestar atenção na vida e nas pessoas ao redor gera automaticamente um bem-estar. Vocês já vivenciaram isso? Quando alguém “perde” tempo para lhe fazer um elogio, um cumprimento. Quando alguém para com o propósito de conversar com você…a interação permite uma troca, gera-se uma interface de contato nas vidas e automaticamente isso gera uma sensação de satisfação, de bem-estar.

Uma grande amiga minha me disse um dia: -“tenho a meta de dormir menos de seis horas por dia para poder viver mais das minhas 24 horas”. Hum, oi?!

Não deveria ser uma lógica inversa? Nossas 24 horas deveriam ser divididas de forma a conseguirmos viver melhor a vida, inclusive para dormirmos melhor e, automaticamente, cuidarmos de nossa saúde e gerarmos mais bem-estar.

Enfim, eu estou à procura do meu tempo. Quero poder usufruir do meu tempo de forma produtiva, pensada. Não vivenciá-lo de forma “obrigada”, em uma dinâmica imposta ou desejando que ele passe logo.  Não quero sempre esperar o tempo do intervalo, dos finais de semana e das férias para poder viver.

Eu quero o meu tempo integral, estruturado e escolhido por mim, um tempo que me permita vivenciar as respirações, as refeições, as leituras, o trabalho, o humano, os olhares, os abraços e fracassos de forma densa e verdadeira.

Portanto, se vocês virem um tempo por aí, passeando, perdido, com um ar descontraído, cuidado que ele pode ser meu! 😉

Melissa

 

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Vamos largar tudo e nos mudar para o Uruguai!!!

25/08/2014

Como assim? Mas… mas por que? Quando Melissa e eu contamos a novidade, essas perguntas nos foram feitas. A maioria, no entanto, só olhou com uma cara estranha mesmo…nada muito diferente do que imaginávamos (aliás, essa é uma das razões de nossa decisão – mais sobre isso em posts vindouros). Poucos perceberam “de cara” o que se tratava de verdade.

A Melissa já falou sobre isso aqui, mas, neste caso especificamente, também quis escrever, até porque ainda não fizemos nenhum esforço de divulgar o Blog.

Não é tão difícil entender: simplesmente decidimos enfrentar o medo e fazer o que realmente temos vontade.

Todos os dias, levantamos cedo, trabalhamos oito horas, chegamos em casa exaustos e vamos dormir. Quando acordamos, recomeçamos tudo de novo. No sábado, acordamos mais cedo do que de costume, pois é praticamente o único dia que temos para resolver as coisas práticas da vida. No domingo, quando sobra energia, conseguimos fazer algo que agrade nosso espírito e alimente nossa alma. Pequenos exageros à parte (liberdade poética!!), sentimos que alguma coisa não está batendo bem aqui.

Não temos nada contra o trabalho, muito pelo contrário. A sensação de construir nos agrada imensamente. Encontrar um bom trabalho é, na verdade, mais uma das razões de nossa decisão. Mas não “qualquer” trabalho. Parece-nos estranha a ideia de ceder oito horas de nosso dia para alguém que pouco se importa conosco. E não são quaisquer oito horas, são as horas mais nobres do dia. Então, estamos, na verdade, em busca de uma forma de trabalho diferente, que seja mais humana e que leve em consideração que não queremos “só comida”, mas também “diversão e arte”.

Alguns dirão (e quem não diz, pensa): ” – Esse é o sistema. Ele funciona assim e temos que nos adaptar a ele”. Outros, vivem tão submersos na rotina que certamente nem imaginam que dá pra ser diferente. Não. Não somos obrigados a viver nessa roda da loucura. Isso é simplesmente a escolha que fizemos. Então, resolvemos abdicar dessa escolha porque chegamos a um ponto em que ela nos parece ridícula. Nosso  pequeno Martin passa mais tempo com a babá do que conosco. Isso é normal?!

Sabemos perfeitamente que nossa passagem pela Terra não é como brincar num parque de diversões, mas apesar disso (ou exatamente por isso!!), queremos viver plenamente. Queremos desfrutar a vida, nossa família e nossos melhores amigos. Queremos construir algo novo (que mal sabemos o que é, mas vamos descobrir).

Vamos mergulhar, de mãos dadas, pois ‘tudo que é bom nessa vida, nasce de um salto no vazio”*. Sabemos disso por experiência própria.

Queremos uma vida borbulhante. Afinal, água morna não serve nem pra fazer chá!

E você? Que acha? Sua vida já é borbulhante?

Brn

* Filosofia de Facebook – não sabemos o autor. 

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Começando pelo “Por que”

06/08/2014

 

Bom, por onde começar!

Ui que friozinho na barriga!

Primeiro post!!!! Aeeeeee, ok, o primeiro post da Melissa! 😉

Vou começar explicando o propósito do blog…como surgiu…e,  principalmente, por que surgiu…

Bruno e eu estamos já há certo tempo descontentes com o rumo de nossas vidas. Não que sejamos infelizes, longe disso, estamos descontentes com o nosso tempo.

Quero dizer, em como nosso tempo está sendo gasto.

Levamos uma vida como a maioria, corre e corre, cumprindo agendas, trabalhando muito, gastando os períodos mais preciosos de nossas vidas longe dos que amamos e do que realmente nos apaixona.

Os finais de semana são normalmente legais, sempre fizemos programas variados, oscilando programas culturais com programas ao ar livre, além de ida à feira, supermercado, médico do filhote, etc.

Mas, fica um vazio. E aí? Recomeçamos na segunda o mesmo esquema e assim o tempo vai passando.

Fica a sensação de que a vida está nos levando pela frente.

Não dá tempo de apreciar as coisas que mais valorizamos e desejamos.

Nosso pimpolho chegou em dezembro de 2013. Martin veio ao mundo trazendo uma energia ímpar, um sorriso irradiante e… mais questionamentos.

Então é isso mesmo?! Vamos simplesmente continuar nesse ritmo?!

Levando uma vida assim, como fazemos para nos conectar com as pessoas, conhecer gente, sabe, conversar para entender e trocar ideias?!

Sempre falamos muito em sermos donos de nosso tempo, querermos independência temporal, hum será que existe essa expressão?!  Independência temporal!

Por que temos que seguir vivendo em um padrão que não nos completa, que não nos preenche, passando mais tempo longe dos que amamos e do que realmente nos interessa?!

O sistema é assim e pronto, temos que fazer parte dele.

Pode parecer uma discussão um tanto óbvia ou utópica, mas não é nenhuma das duas. É um questionamento verdadeiro, do coração e muito profundo. Queremos mais de nossa existência  e a partir daí surge o maior dos questionamentos: “ok, o que precisamos fazer para atingir esse mais?”.

Foi a partir disso, de muita reflexão, conversas, indagações, risadas e algumas discussões que decidimos e nos organizamos para dar um “pause”, respirar, refletir e principalmente se conectar com novos pensamentos e pessoas que estão que nem nós: “à procura”.

É através deste blog que vamos contar nossa história, todo o nosso processo interno e externo (com o mundo que atualmente nos rodeia) e as consequências de nossa procura. Onde vamos chegar e principalmente aonde todo esse processo, essa “pequena grande loucura borbulhante”, vai nos levar.

Você vem com a gente?!

Será muito bom receber comentários, questionamentos, opiniões…tudo isso nos ajudará a encontrar essa nova vida nessa existência!

 

Melissa

Em busca de uma vida borbulhante

29/07/2014

Ok, decidimos recalcular a rota, retraçar o caminho e buscar aquilo que realmente nos completa.

Busca utópica para alguns, ousada para outros…Para nós, uma busca necessária para sermos fieis a nós mesmos.

Queremos tentar viver a vida de nosso jeito. Lançando um olhar sem o vício do ‘sistema”. Deixando de sermos “vividos” para realmente vivermos. Para iniciar esta busca, optamos por fazer uma ruptura, digamos, radical: Vamos largar tudo e nos mudar para o Uruguai, terra de Mujica, Galeano e Vilaró.

Criamos o Blog para nos conectar com pessoas que pensam como nós, que querem ser mais donos do seu próprio tempo, e que, igualmente, estão em busca do algo a mais. Aqui contaremos nossa experiência, desde a tomada de decisão até… bem… até onde esta aventura nos levar…

 

Vamos compartilhar reflexões, medos, dicas práticas e pequenos projetos inspirados por essa nova energia.

Partiremos em busca de uma vida borbulhante. Afinal, água morna não serve nem pra fazer chá!

Bruno e Melissa

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